EUA boicotam a China e impõe ao Brasil acordo comercial que impede a tecnologia 5G

O acordo de servidão, assinado na última terça, atinge inúmeros setores estratégicos. As telecomunicações, energia, defesa entre outros estão sob cobiça dos monopólios norteamericanos. Nosso país é obrigado a privatizar suas empresa públicas para se adequar aos interesses neoliberais da OCDE. 

Nos dias 19 e 20 de outubro, em brasília ocorreu o encontro do Conselho Empresarial Brasil-EUA (2020 US-Brazil Connect Summit). A conferência reuniu membros do alto escalão dos dois governos, os principais executivos de conglomerados norteamericanos, e chefes de instituições multilaterais da OCDE.

Discursaram: 

  • o Secretário Mike Pompeo, Secretário de Estado dos Estados Unidos, 
  • Robert O’Brien, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA
  • Angel Gurría, Secretário-Geral, OCDE
  • Larry Kudlow, Diretor, Conselho Econômico Nacional, Estados Unidos
  • Marco Rubio, senador, Senado dos EUA
  • Darin LaHood, Representante, Câmara dos Representantes dos EUA
  • Ernesto Torres Cantú, CEO, Citi América Latina
  • Karim Lesina, vice-presidente sênior, Assuntos regulatórios e externos internacionais, AT&T e vice-presidente, Conselho Empresarial Brasil-EUA
  • Landon Loomis, VP de Política Global e Diretor Executivo, Brasil, The Boeing Company
  • Whit Richardson, presidente, WarnerMedia Entertainment Networks, América Latina
  • Ministro Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores, Brasil
  • Ministro Paulo Guedes, Ministro da Economia, Brasil
  • João Doria, Governador do Estado de São Paulo
  • Eduardo Leite, Governador  Rio Grande do Sul 
  • Carlos Eduardo  Abijaodi,  Diretor de Desenvolvimento Industrial, CNI
  • Américo Martins, vice-presidente de conteúdo, CNN Brasil
  • João Emilio Gonҫalves, Gerente Executivo de Política Industrial, CNI

Entre políticos e empresários para alinhar a econômica bilateral e avançar as políticas de privatização e rapinagem do patrimônio nacional . 

O que é o conselho ?

 O Conselho  é formado pelas principais multinacionais dos EUA, interessadas em estreitar o relacionamento econômico bilateral entre os dois países. Os membros representam uma variedade de setores, incluindo agricultura, serviços bancários e financeiros, bens de consumo, defesa, energia, saúde, manufatura, produtos farmacêuticos e tecnologia, entre outros. Empenhados na elaboração de agendas neoliberais voltadas para privatizar os setores estratégicos do Brasil e dão engajamento para que o legislativo aprove tais medidas. Inclusive a agenda do conselho é interferir na soberania pois se discute nesse fórum as reformas tributária e administrativa no Estado. O discurso é pretensamente da “defesa do livre comércio”, porém as ações são de protencionismo norteamericano. A respeito disso, no dia seguinte à assinatura do “acordo”, o governo trump aprovou a taxação do alumínio brasileiro em mais de 140%.  Somando a isso, o conselho dá ênfase na defesa estratégica dos interesses do imperialismo norteamercano, para desfavorecer o amplo acordo comercial entre Brasil – China que tem forte influência nos BRICS.  

O “Acordo” que só favorece os Estados Unidos 

É humilhante até chamá-lo de acordo bilateral porque retira todo o conteúdo nacional, aquilo que torna o nosso país soberano:  a valorização das políticas públicas, do sistema de proteção estatal, do financiamento público, do mercado produtivo, e do desenvolvimento técnico-científico das instituições públicas do país, enfim, tudo aquilo que tornou a econômica pujante  no governo Lula e DIlma, que um dia já foi a 6º maior economia do Mundo. 

Não pode ser chamado de outra coisa senão ingerência e protencionismo norteamericano, e de subserviência e servidão por parte da Ditadura do GSI, dos militares traidores e vende-pátria. 

Espera-se de qualquer acordo bilateral ser leal, justo e honesto. Ter no seu conteúdo político e econômico temas que aproximam, interagem e dinamizam ambos países  para fins de diversificar às economias. Em tese, a composição de membros para representar esse acordo bilateral seja proporcional e equânime.  No entanto, o “acordo” passa longe de ter tais características. Basta ver além do conteúdo amplamente desfavorável ao Brasil, observar a composição do conselho que tem absoluta vantagem para os americanos. 

O conselho executivo é liderado por 3 diretores de conglomerados norteamericano. 

  • Ernesto Torres Cantu – CEO da Citigroup para a América Latina

Citigroup Inc. ou Citi ( estilizado como citi ) é um banco de investimento multinacional americano e uma corporação de serviços financeiros a holding do Citibank.

  • Marc Allen – vice-presidente sênior, Boeing

Boeing Company é uma corporação multinacional norte-americana de desenvolvimento aeroespacial e de defesa.

  • Karim Lesina – Vice-presidente sênior de Assuntos Regulatórios e Externos Internacionais AT&T

AT&T Inc. é uma empresa controladora de conglomerados multinacionais americanos, a maior provedora de telefonia fixa serviços nos Estados Unidos.

O “acordo” impediu que o Brasil acesse e  desenvolva em parceria com outros países a tecnologia  5G. O absurdo é boicotar a China e privilegiar os EUA numa tecnologia que sequer competem.  Além de protencionista, este acordo de servidão abre caminho para privatizar setores estratégicos da economia nacional. Um deles é o setor de telecomunicações, que desperta a cobiçados do imperialismo por representar a 5ª maior rede do Mundo, tem em torno de 315 milhões de acessos nos serviços telecom, gera mais de 500 mil empregos e movimenta aproximadamente 45 bilhões de dólares. Por isso, Empresas públicas e Estatais podem sofrer com a privatização, Eletrobrás, Correios, Embraer, e  Petrobrás estão sob ameaça.  

A delegação norte-americana foi chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien. Em discurso no Itamaraty, O’Brien disse que Brasil e EUA não são só parceiros, “somos aliados”. Enquanto isso, o presidente dos EUA acusa a empresa chinesa, sem provas, de repassar dados sigilosos norte-americanos para o governo de seu país.

Paulo Guedes, em seu discurso, disse: “Essa aproximação tem um sentido de geopolítica.  Comercializamos com o mundo inteiro, mas sabemos quem são nossos parceiros geopolíticos”.

Comparação da balança comercial Brasil – China /  Brasil – EUA

Ao colocar  o Brasil subserviente aos EUA, a Ditadura do GSI  pode afastar o país de seu atual maior parceiro comercial, que é a China.

De janeiro a setembro deste ano, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 53,4 bilhões, 14% a mais do que os US$ 46,8 bilhões do mesmo período do ano passado.

Já para os EUA, país que o miliciano adora bajular, as exportações nos nove primeiros meses do ano caíram de US$ 22,1 bilhões em 2019 para US$ 15,16 bilhões neste ano, queda de 31%. O dado é do próprio Ministério da Economia.

Boicote privilegia norteamericanos que sequer detêm a tecnologia 5G 

A embaixada da China manifesta interferência direta dos norteamericanos que fazem uma campanha difamatória para tirar a Chinesa Huawei da disputa comercial. Manifestou indignação pela política de boicote promovida pelo imperialismo. No entanto, as provocações de Mike Pompeo e trump não retiram as conquistas da república popular da China que avança com uma política em tecnologia high tech. 

O Conselho de Estado da China divulgou um plano nacional com foco na promoção da manufatura. O plano foi autorizado pelo premier Li Keqiang.

“Made in China 2025” é o primeiro plano de ação de 10 anos projetado para transformar a China de gigante da manufatura em potência mundial.

O plano de 10 anos será seguido por outros dois planos para transformar a China em uma potência industrial líder até 2049, que será o 100º aniversário da fundação da República Popular da China.

Nove tarefas foram identificadas como prioridades: melhorar a inovação na manufatura, integrar tecnologia da informação e indústria, fortalecer a base industrial, promover marcas chinesas, reforçar a fabricação verde, promover avanços em 10 setores-chave, promover a reestruturação do setor manufatureiro, promover a manufatura orientada para serviços e indústrias de serviços relacionadas à manufatura e internacionalização da manufatura.

Os 10 setores-chave são nova tecnologia da informação, ferramentas de controle numérico e robótica, equipamento aeroespacial, equipamento de engenharia oceânica e navios de alta tecnologia, equipamento ferroviário, economia de energia e veículos de energia nova, equipamento de energia, novos materiais, medicina biológica e dispositivos médicos, e maquinaria agrícola.

Para cumprir as tarefas, “Made in China 2025” se concentrará em cinco grandes projetos, incluindo o estabelecimento de um centro de inovação de manufatura. Para sustentar o plano, a China introduzirá uma série de políticas para aprofundar as reformas institucionais e fortalecer o apoio financeiro. A implementação do plano “Made in China 2025” será orientada para o mercado, embora orientada pelo governo.

Huawei vira alvo da política imperialista e sofre sanções 

A Gigante Chinesa, Huawei é líder em tecnologia e também especializada em redes de intenet sem fio. A China pretende implantar as redes 5G, e colocasse em vantagem diante dos americanos. Por sua vez, os EUA chegaram a abrir sanções contra a Huawei. O governo Trump alega que a companhia representa um risco a segurança de seu País. 

A China avança nos estudos para dominar a tecnologia do 6G, enquanto os EUA não tem nenhum resultado promissor. A Huawei é alvo da campanha difamatória porque a empresa chinesa fornece esse tipo de tecnologia tanto para serviço empresarial de grande complexidade tecnológica (Google, Uber, etc) e para própria estrutura produtiva dos EUA. Inclusive, a Google responde processo por parte do departamento de justiça dos EUA.

Além da Huawei apenas outras duas multinacionais entram no negócio, a Ericsson, e a Nokia.  No entanto nenhuma das duas tem uma cobertura de 5G. A Huawei trabalha tanto com o fornecimento da rede 5G, quanto no fornecimento de equipamentos que operam na frequência do 5G, de celulares a receptores que são instalados em máquinas agrícolas.

Sequer o governo do miliciano realizou um leilão, em mais uma demonstração de servidão ao imperialismo optou pelo auto-boicote. Há 3 multinacionais que detém a tecnologia 5 G, Ericsson (Suécia), Nokia (Finlândia) e Huawei (China). Para afastar-se da “guerra comercial” estimulada pelos EUA, poderia optar pelo Leilão e realizar a parceria visando a transferência de tecnologia.

Por isso é vantajoso para o Brasil desenvolver a rede 5G em parceria com a China. Primeiramente terá grande investimento em infraestrutura para receber a tecnologia no País. Até 2022, Pequim tem a previsão de investir aproximadamente 100 bilhões de dólares.

Por enquanto falar em 5G sem a parceria da Huawei é uma grande tapeação e só favorece a farra das operadoras privadas no Brasil.

 Por isso, o ministro do TCU, Aroldo Cedraz disse: “Sem uma fiscalização adequada, corremos o risco de que a população seja mais uma vez induzida a pagar caro por serviços de baixa qualidade, como infelizmente tem sido comum nesse mercado”.

 Anunciar a chegada do 5G, como têm feito as operadoras na última semana, sem esclarecer as limitações do padrão DSS, é prometer uma enganação com o consumidor. Além disso, a ampliação da oferta de serviços nessa modalidade pode vir a tornar ainda piores as atuais conexões 4G, que em muitos casos já deixam muito a desejar”. A Anatel precisa sair da inércia e tomar uma posição a favor das políticas públicas e do consumidor. Por que da forma como está não pode continuar. No Brasil não tem nem rede nacional de internet de rádio ou de 3G, quiçá 4G. 5G então é um sonho distante. Algo desse tipo vai girar esforços somente nos grandes centros urbanos, como  a cidade de São Paulo. 

Leia na íntegra o pronunciamento do porta-voz da Embaixada da China no Brasil, senhor Yang Wanming, sobre as declarações contra a China feitas por políticos americanos

O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo alegou no evento “2020 US-Brazil Connect Summit” que a parceria econômica e comercial com a China constitui uma ameaça ao Brasil e o país precisa reduzir a dependência de importações da China para sua própria segurança. Além disso, o Conselheiro do presidente americano para Assuntos de Segurança Nacional, Robert O’Brien, durante a sua visita ao Brasil, atacou a segurança de 5G da Huawei por considerá-la uma ameaça à segurança nacional do Brasil. Quais são os comentários da Embaixada?

No evento “2020 US-Brazil Connect Summit” e durante a visita ao Brasil, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o Conselheiro do presidente americano para Assuntos de Segurança Nacional, Robert O’Brien, espalharam com má fé mentiras políticas contra a China, fabricaram a chamada “ameaça chinesa” e atacaram a tecnologia de 5G da China. Esses políticos americanos, no seu número pequeno, consideram abertamente “mentir, trapacear, roubar ” como a “glória” dos Estados Unidos., e se tornaram em criadores de problemas que ferem a ordem internacional e ameaçam as regras internacionais. Ao ignorar os fatos básicos e produzir comentários baseados na mentalidade de guerra fria e jogo de soma zero, eles têm como objetivo real servir a certos interesses políticos, tirar proveito político dos ataques que difamam a China, atrapalham a cooperação internacional e instam a confrontação. A China se opõe fortemente a isso.

Reiteramos que a China busca construir um novo modelo de relações internacionais centradas na cooperação de benefícios compartilhados e jamais interferiu nos assuntos internos e políticas externas de outros países. A China desenvolve sempre parcerias com os outros países, incluindo o Brasil, com base em respeito mútuo, igualdade, benefício recíproco, abertura e transparência. O objetivo dessas parcerias é promover o progresso comum, em vez de visar ou excluir terceiros. Desde o surto da COVID-19, a China e o Brasil têm mantido cooperações no combate à pandemia e o lado chinês tem prestado apoio ao Brasil através de doação de materiais, compartilhamento de experiências no diagnóstico e tratamento, além de parcerias estreitas no desenvolvimento de vacinas, etc. Enquanto isso, os EUA vêm agindo contra o espírito humanitário básico e até retiveram materiais médicos urgentes, inclusive respiradores, que foram enviados da China ao Brasil, numa tentativa maléfica de atrapalhar a cooperação normal entre a China e o Brasil.

Recentemente, um pequeno número de políticos americanos, desprezando os fatos e forjando uma série de mentiras, vem lançando ataques difamatórios contra o 5G da Huawei. Tem utilizado o poder de estado para impedir as operações legítimas das empresas chinesas de alta tecnologia, abusando no pretexto de segurança nacional. Além disso, tem obrigado os outros países a adotar políticas discriminatórias e excludentes que miram empresas chinesas como a Huawei. É uma prática hegemônica flagrante que revela a sua hipocrisia em defender a chamada equidade e liberdade, e é um típico padrão duplo que viola tanto os princípios de economia de mercado quanto as regras de abertura, transparência e não discriminação que regem a OMC. A comunidade internacional não vai se esquecer do histórico sujo dos EUA na segurança cibernética, que tinham conduzido operações de espionagem massiva, organizada e indiscriminatória contra os governos, empresas e indivíduos, entre eles os líderes dos países como o Brasil e das organizações internacionais. Tais ações dos EUA, que prejudicam a privacidade e segurança de outrem, são as verdadeiras ameaças à segurança cibernética do mundo. A comunidade internacional deve ficar alerta com a malevolência dos EUA de sacrificar o desenvolvimento dos outros países para buscar a superioridade dos seus próprios interesses, conter o crescimento dos países de mercados emergentes como a China e provocar intencionalmente fissuras entre a China e seus amigos.

Sendo parceiros estratégicos globais e membros do G20 e do BRICS, a China e o Brasil compartilham amplos interesses comuns nos temas internacionais e regionais. A China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil por 11 anos seguidos. É a maior fonte de superávit comercial e um dos principais investidores do Brasil. Os fatos mostram que a cooperação China-Brasil possui alta complementaridade e reciprocidade, e portanto, salvaguardar e desenvolver firmemente as relações bilaterais condizem com os interesses fundamentais e de longo prazo dos dois países e povos. Temos a certeza de que as nossas relações não serão desviadas do trilho de desenvolvimento saudável e estável por qualquer interferência externa. O lado chinês está disposto a trabalhar junto com os diversos setores do Brasil para aumentar a confiança mútua, superar as diversas ingerências, expandir a nossa parceria tanto nas áreas tradicionais como nas emergentes, incluindo o 5G, além de continuar promovendo o desenvolvimento contínuo e aprofundado das relações sino-brasileiras, beneficiando ainda mais os nossos povos.

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