A corrida armamentista dos países imperialistas – Coluna

Uma década marcada pela retomada corrida armamentista dos países imperialistas

Gabriel Araújo

Após a crise de 2008, e tomando em conta também os efeitos ainda de certa maneira recentes do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), os diversos estados imperialistas tiveram de adotar inúmeras medidas paliativas para amortizarem os prejuízos causados pelo sistema financeiro internacional. Uma delas foi uma dada redução em seus investimentos militares num primeiro momento.

Passado um determinado período de tempo e dada às dificuldades do repasse de tal déficit ocasionado pela crise aos ombros dos trabalhadores de todo globo terrestre, dada a resistência à retirada de direitos conquistados e dos recursos naturais dos países de capitalismo atrasado (onde geralmente há recursos naturais de maneira abundante), os países imperialistas retomaram a corrida armamentista para efetuar uma pressão mais elevada – seja no campo da coerção diplomática e fronteiriça (elevando os efetivos na fronteira), ou no campo das vias de fato – para implementação de sua agenda de concentração de toda a mais-valia e renda fundiária em suas metrópoles no ocidente.

Em 2014 o septuagenário conglomerado militar da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), constituído por 29 países, definiu que as nações que fazem parte do tratado deveriam elevar seus investimentos militares para o equivalente a 2% do PIB de cada país. Agora em 2019 os investimentos no setor de defesa deste agrupamento de países equivale mais de 50% do investimento mundial, passando para pouco mais de US$ 1 trilhão (quase 2/3 do total mundial).

O orçamento mundial destinado para defesa em 2018 foi de US$ 1,8 trilhões, com um aumento de 2,6% em relação a 2017. Se comparado ao salto dado de 2016 para 2017, onde houve um crescimento de 1,1%, temos um crescimento de 105% na percentagem de 2017 (1,1%) para 2018 (2,6%).

Nos Estados Unidos de 2017 para 2018 houve aumento de 7% no orçamento militar, sendo este o maior em uma série desde 2008. Já para 2019 o governo norte-americano injetou US$ 16 bilhões a mais no setor, chegando a US$ 716 bilhões, ou seja, mais de 1/3 do investimento global no setor. 

O país norte-americano conta com mais de 800 bases militares em todo o globo terrestre, vem executando uma ofensiva feroz contra a Venezuela (estuda o envio de 5 mil mercenários terceirizados para o país), Afeganistão (onde aventa a possibilidade de também enviar 5 mil mercenários terceirizados) e no Irã (onde teve um drone neutralizado pelo sistema de defesa antiaéreo iraniano), na sanha de controlar o petróleo destes países.

A França chegou em 2018 a cifra de €34,2 bilhões despendidos no setor militar, uma elevação de €1,8 bilhões em relação ao ano anterior. A Alemanha quer saltar de 1,3% para 1,4% do PIB em 2020 investidos no setor militar. O Reino Unido, após uma queda em 2017 em relação a 2016, tornou a elevar seus investimentos militares em 2018, chegando a €48 bilhões, o equivalente a 1,8% do PIB. 

Em dezembro de 2018 o Japão aprovou o seu maior orçamento militar desde a Segunda Guerra Mundial. Tóquio elevou em 12% o orçamento militar nos último sete anos. A cifra em 2019 será de US$47 bilhões. Em um qüinqüênio até 2024 o país irá investir US$ 242 bilhões. A Coreia do Sul investiu US$ 43 bilhões no setor, US$ 4 bilhões a mais que no ano anterior.

A Arábia Saudita após elevar em 9% o seu investimento em defesa de 2016 para 2017 (ano em que assinou contrato junto ao governo Trump para a compra de armamentos, que chegou ao montante US$ 110 bilhões), teve um recuo em 2018 e vem enfrentando dificuldades para expandir seu orçamento militar devido ao recente bloqueio do Congresso dos EUA para a venda de armas norte-americanas aos sauditas. O que não passa de mera fachada eleitoral do Congresso que atualmente tem maioria Democrata.

O ápice das tensões da corrida armamentista desta década foi certamente a retirada dos EUA e da Rússia do INF. Tal recuo no tratado estabelecido na década de 1980 sido um dos grandes fomentadores da intensificação armamentista, pois com a retirada das duas maiores potências militares do mundo, as demais nações vêem a necessidade de buscar entrar na corrida para aumentar seus arsenais com o intuito de não ficarem para trás, pois o campo militar é um peso profundamente determinante em momentos de negociações diplomáticas, comerciais e etc.

Apesar dos múltiplos fatores que levaram a elevação na corrida mundial por armas, o que fica mais latente nessas circunstancias são a necessidade de buscar o controle das riquezas naturais e a renda fundiária, assim como garantir por meio da coerção militar a submissão orçamentária das nações de capitalismo atrasado ao pagamento do endividamento perpetuo para com as nações imperialistas do ocidente. 

Ou seja, haja vista que não houve uma recuperação robusta do sistema produtivo desde a crise de 2008 e sendo assim, há que se aumentar o processo de acumulação e extração de mais-valia e riquezas de maneira geral. Abre-se uma lacuna que coloca em cheque o controle dos países imperialistas, o que põe no centro da disputa entre hegemonia e contra-hegemonia, a questão da intensificação dos investimentos militares para a imposição da agenda de acumulação imperialista.

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