NO SEGUNDO TURNO NO RIO É VOTO NULO E ORGANIZAR A REBELIÃO DAS BASES CONTRA AS TRAIçÕES

Prezados camaradas, amigos e eleitores do Jornal Voz Operária. Nos dirigimos mais uma vez a vocês para expressar nosso entendimento político e desfazer as confusões que estão dominando o debate eleitoral no Rio.

Eduardo Paes não é uma opção de político “progressista” e “civilizado”. É bom lembrar que Paes fez sua carreira política baseada no oportunismo e que vem se degenerando ano após ano, traições após traições. Paes tem um histórico de ligação e defesa das milícias, fez dois governos baseados em remoção, ataques aos trabalhadores, repressão à grevistas, desmontou e privatizou políticas do Rio de Janeiro, criou as OSs e militarizou a saúde no município, privatizou espaços públicos e encareceu o custo de vida dos moradores da cidade.

Todos esses ataques foram realizados em um momento de relativa estabilidade política e desenvolvimento económico promovido pelo governo do Partido dos Trabalhadores a nível nacional. Hoje o quadro político é totalmente diferente e desfavorável, exatamente pelo golpe de Estado que Eduardo Paes apoiou. Vamos lembrar o voto contra Dilma de Pedro Paulo, braço-direito de Paes no Congresso. O contexto político e econômico atual faz cair por terra o discurso publicitário, fomentado em especial pela Rede Globo, que tenta vender Paes como “bom gestor” e “promotor do desenvolvimento” da cidade do Rio. Eduardo Paes é mais um neoliberal, e as agendas do neoliberalismo não gestaram desenvolvimento em lugar nenhum do mundo.

Eduardo Paes é a parte de um projeto de poder do DEM para reabilitar sua influência política nacional, promover a o candidato da Frente Neoliberal (ampla), do FHC, Boulos, Ciro, Mandetta, Dória, Moro, Mourão e Huck, em 2022 e impedir a derrubada do regime golpista.

É preciso relembrar que o DEM é um partido herdeiro da Ditadura Militar. Essa legenda surgiu do processo de desintegração do ARENA e do sistema bipartidario do regime golpista. Vale destacar que esse partido tem profunda conexão com as milícias de extermínio dos trabalhadores do campo, possuindo vários de seus quadros sendo advindos da UDR. Atualmente, desde a consolidação do regime golpista de 2016, comanda as câmaras legislativas federais, ou seja, são os responsáveis junto ao PSDB pela aprovação da Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência, a destruição da Petrobrás e de seu monopólio na extração de petróleo do Pré-Sal, entre outras políticas antinacionais. Nesse sentido, o Voz Operária alerta que a artificial oposição entre os neoliberais fascistas e fascistas neoliberias, não passa de rusga de família para saber quem vai entregar ao imperialismo o patrimônio nacional. Logo, fica nítida a participação da burocracia da esquerda no golpe, a partir do momento em que esta esquerda passa a fazer coro junto aos órgãos de imprensa golpistas de uma suposta oposição entre DEM e Bolsonaro, para dar legitimidade aos próprios neoliberias fascistas que colocaram os fascista neoliberais e retiraram o governo legitimo de Dilma Rousseff.

Apesar dessas eleições serem uma fraude realizada em meio ao golpe, acreditamos ser errado o posicionamento da esquerda carioca, e em especial do Partido dos Trabalhadores, em dar apoio a Eduardo Paes se escorando em uma falsa oposição ao Crivella. O fato é que a esquerda está dando legitimidade e votos para o Democratas em um colégio eleitoral importante como é o Rio de Janeiro.

Sabemos que Eduardo Paes não poderá repetir o mesmo governo do passado e não terá condições de sequer criar suas obras públicas de fachada dado o endividamento do município. Paes fará um governo ainda mais cruel contra os trabalhadores e com diálogo constante com o governo federal, que ele diz não se associar.

O ano de 2021 é apontado consensualmente por todos os analistas como o ano do aprofundamento da crise economica e do ajuste fiscal. Isso implica na piora das condições de vida do nosso povo, aumento da inflação e carestia, retirada dos recursos do povo para os ricos e descalabro do genocídio intencional através da pandemia. Diante desse quadro, os gestores golpistas não se humanizarão. Pelo contrário, irão apostar ainda mais na repressão e no massacre da população. Por isso, os golpistas não restarão outra opção que não seja a repressão e cooptação (fortalecer a atual Ditadura ou cooptar através da Frente Neoliberal/Ampla). Vão aprofundar a repressão, perseguição política e fortalecer as milícias.

Eduardo paes é o principal aliado desse projeto de nacionalização das milícias e do crime organizado, já sinalizando em seu programa de governo a expansão da “segurança presente” (apelidado pelos cariocas de “milícia legal”) para as regiões de controle narcomiliciano. O DEM tenta criar um projeto de poder de médio e longo prazo para dominar a situação política no Rio, galvanizando seu caminho enquanto os próximos na linha de sucessão do golpismo em nível federal.

Esses crimes serão colocados na conta das organizações e grupos políticos que apoiarem o DEM nesse momento, enfraquecendo ainda mais a possibilidade de construir um protejo de poder, independente, popular e democrático vindo pelo Partido dos Trabalhadores. É compreensível que o PSOL, um partido oportunista que tenta ser a esquerda consentida do regime político, através de seus parlamentares, lancem uma política indireta de apoio ao Paes, já que eles não tem coragem e sabem o que significa o desgaste político de se associar ao DEM. Porém, no momento em que a Direção Municipal do PT/Rio lança uma política de candidatura própria, elege 3 vereadores, após anos de trabalho duro para recuperar o desgaste político de ter apoiado os governos do MDB, novamente compra um desgaste em dar votos para um projeto antipovo e contra o Rio.

Em sintonia com as resoluções da Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores dos dias 2 de fevereiro e 17 de novembro do ano em curso, que orientam o combate às candidaturas neoliberais. O editorial Voz Operária não compactuará com essa opção oportunista das direções da esquerda em geral, que tentam se vender como viáveis ao golpismo, mesmo que o apoio signifique ataques a vida dos trabalhadores. A burocracia tenta vender a carcaça do povo para os ratos do Democratas roerem.

Temos que lembrar a esquerda que a eleição passa, mas o golpe continua. O papel da militância é garantir a organização popular e fomentar a organização e rebelião do nosso povo contra o golpe, independente qual será o gestor do caos que os golpistas colocaram no poder.

Secretariado do editorial Voz Operária

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