projeto neoliberal faz com que criação de empregos precários sejam a regra

A precarização é um projeto político mundial. Os  aplicativos e a desestruturação do movimento sindical  foram construídos a partir do marco da crise de 2008, quando os lucros mundiais foram reduzidos.

Desde 2008  tivemos  quedas de diversos governos  em escala mundial,  rebeliões, os laranjas e um aumento de tensão no centro do imperialismo:  França, Estados Unidos, Inglaterra e outros.

Essa precarização não pode ser entendida apenas como redução dos salários gerais, mas também como uma nova forma de relação social avanço tecnológico e baixa qualidade de vida. Não importa sua demanda, você terá um aplicativo: sexo, comida, música, RPG, futebol, faxina…  Cerca de 4,5 milhões de trabalhadores são vinculados a esses aplicativos que hoje controlam nossas vidas, em um projeto de deterioração  da vida humana. Os trabalhadores desse setor, por exemplo, não podem ficar sem internet, sem celular, e não podem ter uma baixa produtividade local. Não há regras claras sobre ‘’demissão‘’- desligamento sem justificativa. O  algoritmo paira sobre as relações de trabalho como um juiz imparcial que gerencia os monopólios privados da tecnologia e os aplicativos, o que não é verdade: os aplicativos são monopólios capitalistas sem regras  claras, em sua maioria ligados a países  que não o nosso. Por exemplo, Estados Unidos – Uber,  Amazon Seattle, Washington, e Argentina –Mercado Livre.

O capitalismo globalizado fez com que os governos nacionais fossem apenas diretores ou meros organizadores da precarização dos trabalhadores de seus países. O Brasil, que fez sua reforma trabalhista em 2017, não gerou os 3 ou 4 milhões de empregos previstos pela ‘’reforma’’ nem aumentou a nossa produtividade em 2019. Vimos a  produtividade cair 1,3% na contramão dá tentativa de conciliação e contenção de danos, como na França, onde a justiça julgou a regulamentação dos aplicativos.

A justiça brasileira, em contraposição a isso, julgou que as empresas não têm obrigatoriedade de contratação dos funcionários dos aplicativos.  .

Não há leis gerais que regulem, cobrem impostos específicos desses aplicativos. Não há sindicatos nem políticos nacionais que coloquem este tema em pauta. O  máximo que é pedido são controles ou métodos paliativos como obrigação de alimentação desses funcionários. Mas nem esses paliativos foram colocados na lei .

Não há nada que obrigue essas empresas a permanecer no Brasil ou deixar seus lucros aqui.

Apenas para ilustrar, a Amazon lucrou 26,8 bilhões no segundo trimestre de 2020: o Mercado Livre, US$ 1,1 bilhão, e o Nubank teve R$ 2,079 bilhões.

E não é obrigatório investir um centavo sequer desse dinheiro nos trabalhadores brasileiros ou no próprio país.

Não temos um sindicato de aplicativos, por exemplo. Muitos youtubers, ate mesmo famosos, reclamam das regras do algoritmo: tem coisas que você não pode falar, tem coisas que você não pode divulgar, coisas que não podem ser contestadas, porque do dia para a noite seu canal pode simplesmente sair do ar, como vários canais saíram, justa ou injustamente, mas  sem regras claras .

Vemos que o capital age de maneira premeditada e organizada. Seria impossível um boom de aplicativos se não fosse a privatização das telecomunicações na década de 90, sem a derrota do marco regulatório nos anos 2000, sem o golpe em Dilma via reforma trabalhista, mas mesmo assim com apoio maciço da mídia liderada pela Rede Globo.

Muita gente diz que não se pode reclamar desses aplicativos, pois estamos em um momento de desemprego e aplicativos mal ou bem geram empregos. Mas nem de longe esse é um tipo de emprego bom para o povo trabalhador brasileiro. A não regulamentação – enquanto essa forma de atividade é recente – pode gerar graves problemas futuramente, como rombos na previdência, envios bilionários de lucros às sedes em seus países de origem, demissão em massa de empresas nacionais para os aplicativos maiores, o que não cessará  mesmo se os aplicativos diversificarem seus negócios para  alimentação, comida, filmes. O mesmo problema se verifica e solidifica quando se tratar de trabalhos de mão-de-obra mais escolarizada, como enfermeiros, professores, médicos, bombeiros civis.

O fim da estabilidade tem que ser visto a longo prazo no país. As populações se organizarão, a partir de então, através desses aplicativos. Quem irá controlar se esses aplicativos saírem do país? Quem irá pagar os salários? Como saber  o preço correto para as entregas e serviços, onde é regulamentado o salário? O mundo liberal parece mais um cenário cyber punk de destruição e desregulamentação geral que um projeto de país.

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