Uma rebelião nacional se avizinha – Coluna

Por Gabriel Araújo

Diferente dos que tentam enxugar gelo com análises bobas alegres sobre uma suposta possibilidade de findar com a polarização social, econômica e política, as tendências históricas, econômicas e geopolíticas demonstram o oposto no atual estágio de coisas. A pandemia pôs à nu tal questão. Para se ter noção, no Brasil de acordo com dados do Ministério da Economia, os três primeiros meses de 2020 receberam mais pedidos de seguro desemprego do que a soma total de pedidos do ano de 2019. Enquanto isso, os bilionários do país viam suas cifras aumentarem mais e mais, seja através de incentivos estatais, por meio do processo de especulação, entre outras dimensões. Vale também destacar o retorno do Brasil ao Mapa da Fome.

A polarização é um processo fundamental do capitalismo, e mesmo em períodos de relativa estabilidade e estágio de “bem-estar social”, tal estágio relativo é apenas uma condicionante para a intensificação da polarização futura. Além disso, no estágio superior do capitalismo, que é o imperialismo, tal questão fica mais palpável de ser compreendida quando se observa toda a renda nacional e todo o orçamento do Estado capitalista submetido aos interesses dos bancos. Essa constatação também diverge daqueles que querem findar com a modernidade e dos que querem afirmar que a modernidade teve uma alteração fundamental. Ora, como poderia ter uma alteração basilar, sendo que duas pedras fundamentais continuam intactas, como são os casos da polarização e do domínio dos bancos? Não existe mais capitalismo?

A primeira dimensão, dita “pós-moderna”, tenta se consolidar sob a afirmação de superação da modernidade, dando passos maiores do que as próprias pernas em uma falsificação da dinâmica histórica, como se tivessem uma máquina do tempo. A segunda dimensão busca elevar questões secundárias de parciais reestruturações produtivas, ao status de dimensões primárias. O que é facilmente refutada com a percepção da manutenção do domínio dos bancos e a continuidade operacional de acumulação de capital.

O que existe de fundamental nessas duas concepções apologéticas da ordem do capital, que se encontra por detrás de suas máscaras pseudo-progressistas, é que ambas se propõe ao cargo de gerentes do desmoronamento de regime de produção capitalista.

Em oposição à essas tonalidades distintas de manutenção da ordem do capital, mas que porém, possuem de fundo um objetivo estratégico idêntico, o marxismo leninismo deve propor um programa factível de ruptura radical desta tal ordem que apenas gera exploração e genocídios.

Se a tendência histórica nos demonstra que o processo de polarização no seio do capitalismo gera seus próprios coveiros, logo, há que se raciocinar de forma lógica sobre o que há de fundamento reacionário contido na prática política dos pretensos gestores do caos. Numa clara tentativa de fazer a história voltar de ré. 

Se a tarefa revolucionária e cientifica no atual estágio de coisas, conectada com a tendência de intensificação e de inevitável aprofundamento da polarização entre o proletariado e a burguesia, consiste fundamentalmente em elevar o grau de organização independente dos trabalhadores e portanto, sua consciência política, para fazer frente aos inevitáveis assédios e ofensivas da burguesia, porque se propor a nadar contra a própria maré histórica sob a vestimenta de mediadores imparciais? Como ser imparcial em uma dinâmica que se fundamenta por completo na mais profunda polarização, exploração e guerra entre classes? A quem interessa tal disfarce? Não seria um processo inclusive, anti-dialético, negligenciar a constatação da contradição enquanto processo mobilizador do progresso humano e de movimentação ad aeternum da matéria (inclusive na própria dimensão das ciências da natureza)?

A tarefa fundamental do marxismo, no quadro em que nos encontramos, de intensificação das lutas de classes e da geração de processos de insatisfação social provocado pelo aumento da exploração, pela depredação das condições materiais de sobrevivência da classe operária, consiste em centralizar toda essa insatisfação que se encontra dispersa, mas que pode ser avistada em todas as partes. Ou seja, consiste em transformar a crise espontânea (se assim podemos chama-la), em uma crise revolucionária. E não o contrário, como querem os “mediadores imparciais” bombeiros de rebeliões sociais.

Nesse sentido, se no plano estratégico, temos na ordem do dia a ruptura com a dominação imperialista e seus capachos locais. No plano tático, enfrentar os bombeiros de revoluções, é a atividade primordial. Do contrário, estaremos relegados a eterna tautologia do capitalismo atrasado, do status de Estado Hospedeiro da dominação promovida pelos Estados Parasitas. É preciso canalizar a rebeldia popular que se avizinha e que torna-se dia após dia, inevitável!

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