A URGENTE NECESSIDADE DE SE CONSTRUIR UM AMPLO ESPAÇO DE ARTICULAÇÃO QUE APOIE O PROJETO DE RECONDUZIR LULA À PRESIDÊNCIA.

Coluna de Severino da Silva

O Brasil tem o pior governo desde a redemocratização. O povo padece diante da pior crise sanitária do mundo e diante da deterioração das condições econômicas. As instituições não se entendem como antes e o golpismo cambaleia em disputas internas. O elemento que falta para que as forças progressistas retomem a ofensiva é a organização de uma resposta das ruas.

Convulsões internas nas forças golpistas apontam ser a hora da resposta popular.

A operação golpista desencadeada no Brasil no ano de 2012 chegou ao seu auge nos anos de 2016-2018 tendo como pilar fundamental a chamada Operação Lava Jato. Como resultado de anos de forças obscuras agindo abertamente tivemos a eleição-farsa de uma figura da ultra direita para ocupar a presidência, o desmonte da economia, destruição de empresas brasileiras, o impedimento político de Lula, articulações para colocar o Partido dos Trabalhadores na ilegalidade e/ou ostracismo, o lançamento de uma série de políticas de massacre sobre a população e, finalmente, a articulação de profundas mudanças no regime político a fim de blindá-lo contra qualquer possibilidade futura de que as forças populares novamente governem o país.

Contradições no lavajatismo alimentaram cavalos de tróia na esquerda.

Durante todo esse tempo, porém, a operação golpista sofreu contradições internas e dissidências causadas pelo fato de que tais mudanças no regime político e na economia, assim como a desagregação de alguns grupos empresariais brasileiros a fim de oferecer mais abertura ao imperialismo econômico internacional, afrontaram interesses de algumas oligarquias regionais. Perseguições a alguns políticos odiados pela população que representavam essas dissidências contribuíram para causar algumas confusões na população. Essas confusões foram habilidosamente aproveitadas pelos cavalos de troia existentes dentro da esquerda a fim de propagandear a necessidade de se apoiar a lava jato.

Reabilitação de Lula ou uma desesperada tentativa de sustentar o golpismo?

Na super estrutura dentre as figuras mais pró golpistas e lavajatistas que se destacaram encontra-se o Ministro do STF Fachin. Para alguns o fato de que ele seja o magistrado que agora, em uma canetada, anule as falsas condenações de Lula, alimenta alguma esperança na imparcialidade das instituições e a possibilidade de se derrotar o golpe através de ações apenas através dos tribunais e dos processos eleitorais.

Ocorre, porém, que a canetada do Fachin é, na verdade, uma tentativa desesperada de salvar a
operação golpista em um momento em que já não é mais possível salvar a lava jato. Salvar a obra prima do golpe, a interdição de Lula, retirando todas as suas condenações da alçada da lava jato na hora em que essa operação se desmonta e se desmoraliza.

O Brasil tem o pior governo desde a redemocratização. O povo padece diante da pior crise sanitária do mundo e diante da deterioração das condições econômicas. As instituições não se entendem como antes e o golpismo cambaleia em disputas internas. O elemento que falta para que as forças progressistas retomem a ofensiva é a organização de uma resposta das ruas.

Fachin tentou com sua decisão parar o julgamento de suspeição de Moro e, ao mesmo tempo
transferir as ações contra Lula para a Vara Federal de Brasília. Se Lula fosse reabilitado pela
suspeição, seria um desastre para o golpismo. Mas, sendo ele reabilitado apenas por questões
processais burocráticas (a competência do juiz) abre a possibilidade para que ele seja novamente
julgado e condenado. Importante lembrar que a Vara Federal de Brasília é onde exerce a titularidade o ultra direitista juiz que proferiu sentença fechando o Instituto Lula.

Não sabemos se as contradições internas do golpismo levarão até o fim o julgamento do fato de ter havido conluio entre Moro e os Procuradores, a suspeição. Porém, isso já não é relevante para a questão Lula, pois agora as ações contra ele se iniciarão em outra vara que não faz parte da Lava Jato. E não poderemos ficar surpresos se, passada essa eforia inicial, os golpistas demonstrarem vontade de fazer uma nova condenação relâmpago nesse 1 ano e meio que faltam para as eleições presidenciais.

As ruas serão o fiel da balança

O Brasil tem o pior governo desde a redemocratização. O povo padece diante da pior crise sanitária do mundo e da deterioração das condições econômicas. As instituições estão desgastadas e o golpismo cambaleia em disputas internas. O elemento que falta para que as forças progressistas tomem a ofensiva é a organização de uma resposta das ruas.

A maior parte dos movimentos sociais e da população em geral consegue ver apenas as eleições
como forma de mudar a grave situação atual. Porém, sabemos que se não houver pressão
organizada das ruas, as instituições serão capazes de manobrar a situação para que as eleições de daqui a um ano e meio sejam um ridículo jogo fraudulento tal como foi em 2018, inclusive com a possibilidade de uma nova interdição de Lula. Portanto, acreditar que a justiça será imparcial e esperarmos pacientemente até o momento de votar em alguém de esquerda será uma política suicida.

É necessário que, desde já, comecemos a articular um amplo movimento que crie a partir das ruas uma forte pressão que sustente a palavra de ordem LULA PRESIDENTE através de uma constância de mobilizações raiz, sem dancinhas, bundaços, beijaços ou abraços coletivos contaminados pelo pacifismo opressor da esquerda namastê ou mesmo dos cavalos de tróia da direita que transitam em nosso meio.

Uma série de mobilizações sob essa bandeira e com essa disposição de luta será capaz de liberar
forças sociais reprimidas permitindo que a classe trabalhadora organizada entre em cena tal como foi em 2014 com as mobilizações que abriram caminho para a inédita e histórica greve dos garis. O desenvolver desse movimento nos colocará em 2022 em condições muito mais favoráveis para, partindo da consciência predominante atualmente, que tem esperanças nos processos eleitorais, alçar LULA novamente à condição de competir com chances de impor uma derrota à direita e construir um novo governo popular sob o qual nossas condições de luta por um programa socialista estarão em um novo patamar.

É necessário que iniciemos um diálogo permanente tendo como objetivo organizar e planejar essas ações de forma a melhor aproveitarmos o tempo que ainda temos. Seria um bom começo, articular com todas as pessoas que têm acordo com essa análise um espaço de articulação que pode começar com um encontro virtual para trocarmos análises e ideias de possíveis encaminhamentos.

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