Punição aos traidores da pátria!

Por Gabriel Araújo

Está mais do que claro para todos os trabalhadores brasileiros quem são os verdadeiros culpados pela pilha de corpos que se acumulam desde o começo da pandemia. Já estamos na casa de 282 mil mortos e 11,6 milhões de casos durante esse um ano de pandemia no país, e a dinâmica de não se fazer absolutamente nada para colocar fim nessa situação continua a se perpetuar, sem previsão para que tenha fim.

Soma-se a isto todo o massacre e encarceramento da juventude negra nas periferias Brasil afora, os ataques aos trabalhadores do campo, quilombolas e indígenas, como também os assassinatos, prisões e exílio de militantes políticos das grandes cidades; além dos diversos casos de truculentas invasões policiais ou de milicianos nas sedes de sindicatos, de partidos de esquerda, ocupações e assentamentos.

São milhares de crimes que se sucederam desde a deposição da Presidenta Legitima, Dilma Rousseff.

No plano econômico qualquer tentativa de desculpa pela bancarrota da mesma é inaceitável, visto que quem planeja a economia não são os trabalhadores, e sim os patrões juntos a política econômica do governo. Não apenas de covid-19 e de repressão milhares de compatriotas tem sido vítimas. Há também o retorno de milhões de pessoas para a extrema pobreza e também para situação de rua. A fome tem ceifado diversas vidas, por conta da indústria afundada na lama e cada vez mais cresce o número de trabalhadores informais.

No tocante ao terreno dos direitos políticos, a liberdade de expressão está sendo relativizada sob a conivência da própria esquerda, mesmo com diversos exemplos de organismos de imprensa operária ou independente que tiveram suas portas fechadas pela perseguição política que virou regra no país. O mesmo vale para a presunção da inocência, o direito de greve e de organização.

Em relação a administração do combate a pandemia, os golpistas gritavam aos quatro cantos do país que estaríamos em boas mãos, pois o Ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, era um expert na área da logística, e que portanto isso lhe cacifaria para tratar do manejo dos suprimentos necessários para a adoção das medidas de combate ao vírus. Vimos que pelo contrário, apenas para citar alguns exemplos da atuação deste energúmeno, diversos testes venceram, não houve aquisições de vacinas, nem de fomento para a produção interna de EPIs e de vacina, e um apologismo frenético para a prescrição de medicação que não possui comprovação de eficácia no tratamento do covid. Essa é a receita de matar pobre para diminuir a quantidade de habitantes no país para recolonizá-lo com uma menor capacidade de resistência popular.

Ao contrário do que propagandeava os órgãos da imprensa golpistas e replicados pela esquerda pequeno burguesa, de que a pandemia aumentaria a solidariedade humana, está nítido que o programa neoliberal de destruição das condições de vida da classe operária e de destruição dos meios de produção, tem se intensificado às raias da loucura. Veja-se que em plena pandemia e com a previsibilidade de crescimento da extrema pobreza (o eminente e anunciado retorno do Brasil ao Mapa da Fome), os golpistas de todas as tonalidades colocaram fim o auxílio emergencial e condicionam seu retorno à destruição da educação e da saúde públicas. 

Toda essa gama de constantes práticas criminosas contra a população tem de ser apuradas e as punições aos traidores da pátria devem se encaminhar. 

Os golpistas antevendo essa possibilidade, já estão tramando a destruição de provas para mitigar sua culpa no genocídio presente e também da ditadura militar de 64. Tanto é que querem fazer avançar, sob a máscara do aperfeiçoamento tecnológico e desburocratização, o Projeto de Lei nº 7.920/2017, conhecido com o PL da Queima de Arquivo. Que visa destruir documentos públicos após sua digitalização. O que daria margem para a manipulação desses arquivos com adulterações, além da queima de documentos.

Vale lembrar também que os militares aumentaram o tempo de sigilo de documentos ultrassecretos para o período de 50 anos, deturpando completamente a Lei de Acesso à Informação.

Recentemente os militares, sob o mesmo argumento do PL da Queima de Arquivo, em uma transferência de plataforma da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), deram sumiço em arquivos que tratavam de temáticas da ditadura militar, principalmente em relação ao jornalista Vladimir Herzog e do Deputado Federal Rubens Paiva, ambos assassinados pelo regime ditatorial de 64.

Os militares também impuseram a Lei nº 13.491/2017, que garante costas quentes e lhes concede carta branca para assassinar a população. A lei prevê que os crimes cometidos pelos militares contra civis durante operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), serão “apurados” pela Justiça Militar.

Nesse sentido, o que se percebe é que os golpistas já estão se precavendo caso o caldo engrosse para o lado deles. Prepararam o terreno no plano legal para se livrarem de acusações futuras. 

Visto que medidas parciais estão sofrendo sucessivos revezes no plano político, a esquerda não pode se deter apenas em derrotar fragmentos da ditadura. Isso não valeria de absolutamente nada para o conjunto da luta dos trabalhadores, pois seria apenas a burguesia entregando os anéis para não perder os dedos.

A luta nesse momento não pode ser meramente fazer retoques no regime político ditatorial apodrecido. A questão deve-se deslocar para um terreno mais amplo, que é o terreno do poder.

Os trabalhadores só conseguirão impor uma verdadeira punição aos genocidas traidores, se colocarem como questão central de nosso programa político, a derrubada de todo o regime golpista. Pois será através de um governo nacionalista advindo das reivindicações das ruas, que haverá lastro para levar em frente uma caçada aos entreguistas que estão destruindo nossa pátria.  

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