Nenhum segundo de paz para os golpistas: Lula Presidente só ocorre com povo mobilizado!

Coluna Gabriel Araújo

Karl Marx, em suas reflexões filosóficas, num processo de transição da esquerda hegeliana idealista para o socialismo cientifico e revolucionário, constatou que a ação superou o discurso. Essa constatação da realidade concreta, quando adentra o campo particular da política, adquire uma dimensão imensamente maior, pelo fato da atividade política ser por excelência uma atividade prática.

Não adianta formatar idealmente determinada plataforma política na sua cabeça e pensar que ela irá se tornar uma realidade num passe de mágica. É preciso primeiro que a formatação esteja condizente com as tendências políticas presentes na sociedade, o que já demonstra que a formatação idealmente configurada na mente é produto da realidade e não o inverso. E posteriormente é necessário que esta formatação seja colocada em prática para sua materialização.

Por exemplo, tomemos uma própria movimentação da burguesia para compreender tal questão: se os golpistas apenas tivessem baixado uma decisão por escrito expedindo a prisão do Lula, sem colocar todo o aparato repressivo do Estado para prendê-lo, certamente essa formulação colocada apenas numa definição por escrito não seria capaz por si só de colocá-lo na prisão. Foi preciso mobilizar diversos elementos para fazer cumprir a determinação política dos golpistas.

Nesse sentido, trazendo a questão Lula e Operação Lava-Jato para o terreno da política, que volto a repetir que é essencialmente prático, a esquerda não pode apenas proferir discursos inflamados pelo fim da Operação Lava-Jato e dos processos contra o Presidente Lula, e ficar de mãos cruzadas esperando que o discurso num passe de mágica se torne realidade.

As condenações de Lula aconteceram à jato, sem que houvesse tempo para determinados magistrados efetuarem a leitura dos próprios processos, sob a justificativa que a cada momento que passava o patrimônio público estava sendo lesado. Agora quando se tratou de restituir os danos causados pela perseguição política contra Lula, eles pediam que os trabalhadores fossem dóceis e pacientes, enquanto sua maior liderança política vinha sofrendo danos irreparáveis na sua atividade política e em sua família; enquanto o país vem sendo pilhado pelo imperialismo e os golpistas, deixando a vida dos trabalhadores cada vez pior.

O Vice-Presidente, General Hamilton Mourão (PRTB-RJ), adotou a tática da contrainformação em relação a questão Lula e as eleições, dando ares de que respeitaria a escolha do povo. Mas na realidade, os posicionamentos públicos das figuras que fazem parte da instituição que Mourão representava antes de ser Vice-Presidente (o Clube Militar), orientaram suas bases fascistas a realizarem exatamente o oposto, conforme veremos abaixo.

O Clube Militar, que hoje é controlado por Mourão, através da marionete que foi deixada por ele na presidência do clube, o General Eduardo José Barbosa, já tratou de fazer ameaças aos trabalhadores e ao próprio Presidente Lula, questionando se Lula estaria vivo ao final dos processos. Na sua nota, apesar de o general ter tentado esquivar do duplo sentido em suas palavras, colocando como possível empecilho para o transito do processo, os recursos que as partes poderiam adentrar, é preciso lembrar que foi esse tipo de pessoa que assassinou os Presidentes João Goulart e Juscelino Kubistchek. Vale destacar aqui, as mais de vinte invasões e depredações de sedes do Partido dos Trabalhadores, que foram realizados por essa gente; a tentativa de assassinar Lula quando sua caravana pelo Brasil passava pelo Paraná em 2018; os sucessivos ataques efetuados contra a Vigília Lula Livre; e as ameaças proferidas pelo Vereador Mauricio Galo Del Fabro (PSDB-RS) em 2017, dizendo que se Lula não fosse preso, seria o caso de matá-lo.

Em um artigo intitulado “Aproxima-se o ponto de ruptura”, publicado na plataforma do Clube Militar, o General Luiz Eduardo Rocha Paiva, afirma que as Forças Armadas poderão intervir de maneira mais enérgica do que vem intervindo na política nacional e fez um aceno à Bolsonaro, em relação a uma suposta lealdade da tropa. 

O General Santos Cruz, que foi convidado recentemente para se filiar no PSDB, e que é tido como um militar adepto da Frente Ampla e “defensor da democracia”, também saiu atacando a decisão do STF de reaver os direitos políticos de Lula. Santos Cruz também tentou fazer malabarismo em sua fala para desviar o foco do eminente recrudescimento do regime político golpista, afirmando que as Forças Armadas não podem se precipitar diante da decisão do STF.

O próprio Bolsonaro em entrevista garantiu que o Presidente Lula não estaria elegível.

Toda essa corja de golpistas tem mantido sua esperança na estratégia política de chantagear novamente o STF para que a corte leve as decisões do Ministro Edson Fachin e da Segunda Turma, para julgamento no plenário com os onze ministros. Outra questão que certamente contou com uma intervenção dos militares na situação, foi o pedido de vistas e o voto posterior por parte do Ministro Nunes Marques, no processo que definiu a suspeição de Sergio Moro nos processos do mesmo na Operação Lava-Jato. Ele receberá de presente do Bolsonaro a condecoração da Ordem do Mérito Militar.

A Globo e os demais monopólios de comunicação já tem adotado a narrativa mencionada no parágrafo acima. O principal porta-voz do Partido da Imprensa Golpista (PIG), Merval Pereira, em artigo no O Globo intitulado “Dois erros antigos”, fez uma intensa propaganda e chantagem para que o STF cace novamente os direitos políticos de Lula e que a direita golpista se aglutine em uma terceira via pra não ter de apoiar/depender de Bolsonaro novamente.

A direita, como vemos, não tem tido timidez em formular e implementar um programa contra os trabalhadores e suas lideranças. Propagandearam a prisão de Lula e a derrubada de Dilma, e o fizeram na prática. Ameaçaram matar Lula e tentaram o fazer em 2018 conforme mencionado acima. Novamente tornam a propagandear e caminhar a passos largos para o aumento da repressão política.

A Operação Lava-Jato e todo esse circo montado pelos golpistas custou ao país de maneira direta a perca de mais de 4,4 milhões de empregos, o fechamento de 36 mil indústrias de transformação e a retirada de R$172 bilhões em investimentos. Toda essa política neoliberal e policialesca, que tem como objetivo minar o protagonismo político e econômico do Brasil, tem levado milhões de compatriotas ao desemprego, a informalidade e a extrema pobreza.

Conforme fala do próprio Presidente Lula, a esquerda precisa parar de ficar fazendo discursos inflamados e se lamentando pela destruição do país nas redes sociais, e ir conversar com o povo trabalhador para mobilizá-lo entorno de um programa político de reconstrução do Brasil e de retomada da soberania nacional. Ficar apenas discursando não mudará nenhuma realidade e apenas faz com que os golpistas ganhem tempo para colocar em prática suas manobras políticas para a perpetuação do regime de exceção. 

Logo, derrotar o golpe passa fundamentalmente pela tarefa de colocar os trabalhadores nas ruas pela imediata queda do governo golpista. Se não sairmos vitoriosos nessa dimensão da luta contra o golpe, dificilmente os golpistas vão deixar que Lula concorra às eleições, afinal para inventar uma nova farsa policialesca, basta que exista uma possibilidade de levante popular.

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