Congressista dos EUA implora pela invasão do Brasil. Youtuber “progressista” pede urgência.

Na último sábado (27), a congressista democrata, Pam Keith, clamou em suas redes sociais pela “necessidade” uma “intercessão internacional” o mais rápido possível. Segundo a política democrata, essa urgência se daria pela “corrupta, genocida e incompetência brutalidade” do miliciano golpista, Bolsonaro.

Antes de Pam Keith, outros políticos democratas já pediram intervenção contra o Brasil, utilizando Bolsonaro como álibi:

“Em entrevistas recentes, declarações de Biden não deixam dúvidas de que seu governo tomará rédeas de maneira ainda mais severa contra o Brasil. Segundo o democrata, caso eleito, irá ‘reunir o mundo’ para ‘pressionar’ o governo brasileiro a preservar a Amazônia.

A orientação vem de cima: Trump teria sido, em 2019, também orientado por seus assessores a se afastar de Bolsonaro. A vice de Joe Biden, a senadora Kamala Harris, também tem se apresentado como ‘crítica’ do ‘governo Bolsonaro’ (entre aspas por sabermos que o governo é do Gabinete de Segurança Institucional — GSI), chegando a afirmar que as “queimadas na Amazônia afetam toda a população mundial”. Segundo ela, precisaríamos da ‘liderança americana para salvar nosso planeta’ (sic), uma vez que as queimadas afetam ‘todos nós’.”¹

Ao ser contestada sobre a participação estadunidense pela operação Lava Jato e a ditadura do GSI, o circo narrativo promovido pela congressista democrata Pam Keith terceiriza a responsabilidade estadunidense pelo golpe no Brasil para o presidente russo, Vladmir Putin.

A congressista foi enfática em suas redes sociais sobre a necessidade de uma intervenção internacional no Brasil, e incluiu o miliciano que ocupa a cadeira presidencial em uma teoria conspiratória que inclui, além de Putin, o sr. Recep Erdogan, chefe de estado da Turquia.

Lembremos que ambos Putin e Erdogan, em 2013, alertaram a presidente Dilma sobre a operação de Revolução Colorida que estaria em curso em junho daquele ano. Com a operação, teve efeito uma campanha de difamação contra a presidente minando sua enorme popularidade, que culminaria no golpe de 2016.

Quem os EUA pensam que são para falar do Brasil?

Enquanto o Brasil registrou, até o momento, estrondosos 311 mil mortos pela política genocida dos militares, os EUA estão próximos de alcançar a marca de 550 mil mortos pela pandemia da COVID-19. Os mesmos EUA, ainda a maior economia do mundo, que em maio de 2019 registrava a menor taxa de desemprego (3,6%) desde 1969.

Não pretendemos aqui propor uma disputa de cadáveres, mas devemos ter em mente que a situação catastrófica na qual o Brasil se encontra se deu pela condução golpista orientada pelos EUA e operacionalizada pelo Alto Comando das FFAA brasileiras.

Essa narrativa democrata já é antiga. Por diversas vezes alertamos sobre essa política de “todos contra Bolsonaro”, na qual se incluem figuras que sempre se dedicaram à agenda neoliberal, a mesma do atual governo, e que levou a maior economia do mundo, os EUA, ao descalabro para com sua população, possibilitando esses 550 mil mortos.

A cada dia que se passa, a nossa tese sobre conversão de Bolsonaro de serviçal a álibi é reafirmada pelo avanço da história. À época, questionávamos:

“Por que então, um sujeito leal aos EUA, que foi colocado na cadeira presidencial por intervenção do Departamento de Estado dos EUA, via Lava Jato e Gabinete de Segurança Institucional — e toca todas as agendas demandadas pelo imperialismo, permitindo inclusive exercícios militares dos EUA na Amazônia, que entrega a nossa indústria aeroespacial e bases de lançamento para o Tio Sam — estaria sendo ameaçado, tal qual seu par iraquiano em 2002, por personalidades proeminentes na política estadunidense de Joe Biden e Kamala Harris? E mais, por que e o ídolo desse sujeito, Donald Trump, estaria sendo aconselhado a se afastar?”

Esse sujeito que se prostra à bandeira americana, que foi posto na cadeira presidencial pelos EUA, agora é elencado como grande vilão que a democracia americana deve combater. Como se não bastassem a COVID-19, a desindustrialização, o desemprego e a ditadura do GSI, agora também teremos que aturar o bombardeio [por enquanto] midiático pela ingerência contra o nosso país.

E a “esquerda”?

Nesse mesmo texto de novembro do ano passado, adiantávamos o trabalho de setores da política nacional pais que atuariam como auxiliares da agenda imperialista contra o Brasil, trabalho esse que não está restrito às FFAA, PSDB, DEM e consortes, mas também de setores pretensamente “de esquerda”. É o caso de Felipe Netto, combativo ativista pela derrubada de Dilma, e que recentemente virou o “queridinho” dos progressistas.

Em resposta ao tweet da congressista Pam Keith implorando pela intervenção imperialista no Brasil, o youtuber golpista compartilhou um pedido de socorro ao presidente Joe Biden.

No artigo de novembro do ano passado já mencionado, afirmávamos e reiteramos:

“Qualquer elemento da política nacional que defenda as sanções e intervenções imperialistas — com a desculpa de ser contra a cadela do imperialismo —, deve ser tratado igualmente como inimigo.”


¹ VOZ OPERÁRIA. De serviçal a álibi: EUA tentam isolar o governo golpista para fragmentar o Brasil. Voz Operária: Rio de Janeiro, 5 de novembro de 2020. Disponível em < https://vozoperariarj.com/2020/11/05/de-servical-a-alibi/ >.


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