Campo de refugiados em Itaguaí é covardemente atacado pelas polícias civil e militar

Na manhã de hoje (01 de julho), as famílias que ocupam o Campo de Refugiado Primeiro de Maio (CR1M) foram surpreendidas com bombas e barracas incendiadas por policiais do Choque/PMERJ (PBChq) e do CORE/PCERJ. Ocupado por cerca de 3 a 4 mil famílias, o CR1M abriga não apenas vitimas do desemprego e da falta de moradia fruto do golpismo, mas também famílias de haitianos, nigerianos e angolanos que vieram tentar uma nova vida no Brasil.

Não bastassem os mais de 510 mil mortos pela COVID-19, nessa noite o Rio de Janeiro registrou a madrugada mais fria em 10 anos, registrando mínima de 8ºC e uma sensação térmica gélida em função das chuvas e do vento. Desrespeitando a decisão do STF que, em função da pandemia, impede operações desse tipo por um prazo de seis meses, a 2ª Vara Cível de Itaguaí determinou a reintegração na calada da noite, deixando milhares de pessoas ao completo abandono.

O terreno da Petrobras, que vai desde a Avenida Dep. Octávio Cabral até a baía de Sepetiba, estava abandonado desde o final da década de oitenta, ainda durante o governo Sarney. A área foi designada para virar um polo petroquímico, mas os esforços nunca saíram do papel. Bastaram dois meses de povo ocupando para garantir a função social da terra, prevista na constituição, para que as polícias civil e militar massacrassem a ocupação.

Antes da ocupação ter efeito, a prefeitura de Itaguaí utilizava o terreno vazio como aterro sanitário irregular, sem um mapa apropriado dos riscos ambientais que essa prática poderia causar. Com a criação do Campo de Refugiados 1º de Maio, o terreno passou a abrigar não apenas as milhares de famílias, mas atividades culturais e educativas sustentáveis, além de um planejamento de revitalização do espaço por meio de uma Agrofloresta que vinha sendo construída com apoio de estudantes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Importante salientar que diferente do que a mídia tradicional vem relatando, tratando a operação de reintegração de posse como um “confronto entre policiais e sem-terra”, essa ação foi uma ação surpresa, sem aviso prévio, baseada exclusivamente na covardia. Os trabalhadores foram todos, inclusive crianças e idosos, para a entrada da ocupação tentar entender o que estava acontecendo e a resistência foi feita no improviso. A resposta das polícias foi implacável, com bombas, tiros de bala de borracha e jatos d’água lançados contra os ocupantes desarmados.

No momento, uma retroescavadeira está sendo usada para remover as barracas e os policiais não estão permitindo nem que os ocupantes tenham acesso à cozinha coletiva que armazenava as comidas doadas ao movimento popular. Há relatos de espancamento e pessoas feridas em decorrência da correria promovida pelo CORE e Choque.

Vídeo circula em aplicativo de mensagens denunciando a remoção

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