retirada dos EUA permanece colonização do Afeganistão

Um panorama geral: o que ocorre na região do Oriente Médio

Considerando, em sua retirada do Afeganistão, a Primeira-Ministra alemã, Angela Merkel, confessou que a OTAN é comandada pelos Estados Unidos. O Irã controla o Estreito de Ormuz e junto à China aprofundam a Rota da Seda. No Líbano, o partido Hezbolá rompe o cerco de Israel. O Iemen está ganhando a guerra contra Arábia Saudita. A Síria está vencendo a guerra interna contra os terroristas. E os EUA retirando as tropas do Iraque, a previsão é que ocorram até o final desse ano de 2021. Diante de todos esses acontecimentos, os Estados Unidos precisam criar novos ambientes de conflito na Região para seguir seu projeto de exploração e colonização.

A situação do Afeganistão

O Afeganistão é um dos países mais pobres do mundo, quase 40% da população é analfabeta a expectativa de vida e de 55 anos. Lá se travou a guerra externa mais longa dos Estados Unidos que durou 20 anos, levando o expansivo de investimento militar. Nesses 20 anos, aonde estava à preocupação da comunidade internacional com os 75% da população quem tem risco de passar fome, aonde está o dialogo internacional com as garantias básicas de moradia e o fim da guerra?

Operação ciclone – o Berço da Extrema-Direita Islâmica

Analisar as operações de guerra promovidas pela CIA no Mundo é imprescindível para compreender como nosso inimigo opera. É recorrente, em todas as latitudes do globo desenvolvessem operações similares das que ocorreram no passado. Apenas mudam os atores, objetivos e desdobramentos gerais.

Esse operação tem similaridades com a operação Ajax que ocorreu no golpe de Estado de 1953 no Irã e derrubou o governo de Mohammad Mosaddegh. Entendam porquê.

Para combater a emergência de um Estado afegão e utilizar o território para agredir a revolução Iraniana e a URSS, o governo de Jimmy Carter ativou a operação ciclone. Influenciada pela revolução Iraniana, a República Democrática do Afeganistão perdurou de 1978 à 1992, que foi capaz de impulsionar uma série de reformas para instaurar a soberania nacional.

Em 1978, a CIA auxiliada pelos militares paquistaneses, pelo serviço secreto britânico e financiada pela monarquia saudita, armou os grupos Mujahideen (nome dado pelo ocidente para os fundamentalistas de extrema-direita islâmica) contra a ocupação soviética e o governo nacionalista Afegão.

A Operação Ciclone iniciou com o treinamento dos Mujahideen para empreender ações de terrorismo. Os alvos eram os centros urbanos afegão redutos de apoio do governo socialista e as bases militares soviéticas.

No final da década de 1970, que se inicia a linha de financiamento diretamente de Washington para fomentar a extrema direita islâmica. Em primeiro momento com material bélico do resquício da II Guerra Mundial. Em seguida, com armas, veículos de transportes e blindados supriam 400.000 mil terroristas. Estes vindos em sua maioria dos Emirados da península Arábica. Conforme as sucessivas derrotas, os EUA deferiram apoio aberto e forneceram armas de ponta. Inclusive o então presidente Jimmy Carter firmou um decreto autorizando o financiamento dos terroristas. Pela primeira vez, empreenderam num campo de batalha um míssil terra-ar que foi capaz de quebrar a superioridade aérea dos soviéticos e garantir assim que os terroristas detivessem o controle das linhas de abastecimento vindas do Paquistão e sendo capazes de dominar 80% do território afegão.

Ao passo, os americanos formaram uma rede de imprensa no Afeganistão. Emissoras de rádios, tv e jornais estiveram empenhadas para promover e justificar a influência e os poderes da casa branca na região. Enquanto isso, Hollywood propagandeava para o Ocidente o imaginário da barbárie soviética contra os refugiados Mujahideen.

No governo Ronald Reagan, o financiamento das milícias Mujahideens se tornaram um dos principais eixos da política externa estadunidense. O financiamento norte americano se inicia com as sanções de toda ordem para asfixar o governo afegão. Enquanto injetam recursos volumosos para a infraestrutura no país, sobretudo para construção de estradas que servem para escoar a produção de ópio e armamento que garante o controle da Ásia Central. Nesse período os EUA criam o imaginário do “Saudita empreendedor” (Osama bin Laden), um multimilionário que investiu sua riqueza no Afeganistão para guerrear contra os soviéticos.

O resultado disso, foi garantir militarmente e equipar desproporcionalmente grupos terroristas pró americano que após a retirada da união soviética do território afegão. A consequência foi que eclodiu a guerra civil que levou a queda da República em 1992, e culminou com a fundação do Talibã como o partido que administra o regime colonial herdado da intervenção americana. Apartir de então, o Afeganistão tornasse um centro operativo para a política de balcanização de outros países, fomentando grupos de extrema-direita islâmica que aturam na guerra da Chechênia (1994/96) e na Guerra da Iugoslávia na década de 1990, por exemplo.

Os custos da guerra Afeganistão (2001-21)

Para contextualizar, anteriormente os EUA havia fomentado o Talibã para impedir que surgi-se o Estado Afegão. Na medida que o as vocações nacionais ficam latentes e o partido Talibã que foi colocado no poder pelos EUA para administrar o regime colonial torna-se obsoleto para impedir que hajam avanços nacionalistas, colaborando naquilo que juraram combater. Esse caso é um modo padrão desenvolvido pela CIA, que em diversos momentos da história retiraram ditadores que colocam-nos no poder e posteriormente derrubam-nos para iniciar um novo ciclo da exploração colonial.

Enquanto isso, a crise do direito internacional se deteriora, e ganha um ponto chave quando os EUA rasgam a carta da ONU e fazem um malabarismo usando o direito de “autodefesa das nações” para invadir o Afeganistão. A guerra do Afeganistão que inicia em outubro de 2001 vai até agosto de 2021: teve o custou de 6 mil soldados norte americanos mortos , 7 mil construtores mortos, 57 mil soldados aliados mortos, 110 mil soldados do Talibã e aliados mortos, e 217 mil civis mortos, totalizando 390 mil pessoas atingidas diretamente pela guerra, e mais 870 mil civis atingidos indiretamente pela guerra. Conflito que resultou em 1 milhão e 189 mil mortos. O tesouro americano declarou que a receita empregada na Guerra foi na ordem de 2,1 trilhões de dólares.

Documentos do Afeganistão filtrados pela CIA

Em 2009, após pressão exercida pelo movimento de acesso a informação dos EUA, a CIA vazou cerca de 90 mil relatórios militares dos EUA no Afeganistão.  Os documentos revelaram a barbárie da ocupação norte-americana com as operações secretas e mortes de civis afegãos.

No início da guerra, os EUA criaram o primeiro campo de prisioneiros na Baía de Guantánamo, em Cuba, onde tropas norte americanas mantinham presos sem nenhum direito e sob tortura. Com o passar da guerra, o número de centros de detenção e tortura se multiplicaram no Afeganistão e países vizinhos, onde qualquer suspeito de colaborar com os Talibãs eram detidos sem qualquer julgamento. Havia a “entrega extraordinária” de suspeitos a “locais negros” em países vizinhos, locais sob controle dos Estados Unidos, como o campo de pouso de Bagram aos arredores de Cabul. Um desses centros de tortura, localizado na Tailândia era coordenado pela Diretora da CIA Gina Haspel, que se reuniu como governo golpista do Brasil em 2019.

Os documentos indicam que unidades das forças especiais da OTAN prenderam e executaram lideres talibãs sem julgamento. Foram realizados casos de “falsos positivos”, ou seja, civis que foram assassinados para simular o combate aos insurgentes no Afeganistão.

Os relatórios também esclarecem casos de violência cotidiana que a população civil afegã submetida sob a ocupação norte-americana. São casos de vítimas civis devido a ataques aéreos, um grande número de incidentes de soldados estadunidenses abrindo fogo contra motoristas ou motociclistas desarmados, relatando registros de 144 desses incidentes desse tipo.

Todos os documentos registram as ações militares que ao arrepio da lei comprovam que os EUA praticaram crimes de guerra. Apenas por não serem cidadãos norteamericanos qualquer pessoa capturada nas áreas de conflito eram suspeitas de integrar o talibã a ponto de vigorar o excludente de ilicitude em todo o território afegão. Mesmo diante desses fatos, a ONU não tomou até o momento nenhuma iniciativa para apurar os crimes de guerra cometidos pelos Americanos.

A retirada EUA – uma pirotecnia para armam até os dentes os Talibãs

Os EUA se retiram dos Afeganistão e deixam o país mergulhado em guerra civil. Em 20 anos, Washington havia dito que teria treinado e equipado 300 mil homens do Exército Afegão. Os EUA vangloria ser o seu patrono. Por si, essa declaração é uma farsa, um Exército nacional fundado por uma nação ocupante.

Em sua retirada, os EUA criaram um cenário pré-fabricado para confundir a opinião publica mundialmente. Os EUA passaram 20 anos controlando a economia e militar um país colonizado. E por isso, tem perfeito controle sobre as estruturas de poder que eles mesmo criaram e que agora eles dizem deixar para o inimigo. Se alguém tem duvida do controle norte-americano sobre as estruturas de poder, basta analisar outros exemplos de países invadidos, tais como Iraque, Líbia e até o Panamá, que teve uma ocupação militar relativamente curta e que preservam as estruturas de governo impostas pelos EUA na época.

Na véspera da retirada norte-americana, Biden declarava que o exército de 300 mil homens do afeganistão, armados e equipados pelo inimigo estadunidense jamais iria ser derrubado por um exército de 75 mil talibãs. Entretanto, em duas semanas, sem encontrar praticamente nenhuma resistência, o Talibã, que supostamente é o inimigo, teve sua disposição os armamentos deixados pela OTAN. Não é admissível cogitar que os EUA não tem logística para pensar uma evacuação. Obviamente os EUA estão armando as milícias com o objetivo de fazer do Afeganistão uma enclave para desestabilizar o Irã.

Um relatório da rede catariana Al-Jazeera revelou que o avanço do Talebã no Afeganistão decorre de um acordo tripartite, firmado no Catar, entre os EUA e o mesmo grupo armado. O avanço do Talebã, em paralelo com a retirada das forças americanas do Afeganistão, na verdade sinaliza a volta do Talebã ao poder, com a ajuda secreta dos EUA.

Aeronaves da empresa brasileira Embraer nas mãos do Talibã

O exército afegão tinha um esquadrão de 26 aviões modelo A-29 super tucanos que chegaram no país através de um acordo entre a Embraer. A aeronaves foram fabricadas na linha de montagem da empresaa Sierra Nevada Corporation nos Estados Unidos.

O modelo A-29 super tucano de fabricação brasileira da Embraer é uma aeronave leve, ideal para missões contra alvos pequenos e móveis.

O primeiro lote, composto com 20 aeronaves começaram a operar em 2016 e no ano seguinte foram entregues outras 6 unidades. O valor total da negociação foi de US $ 578 milhões equivalente a 3,12 bilhões de reais.

O ópio e a heroína são fontes de riqueza do Afeganistão

Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas da ONU em 2020, o Afeganistão figura como o maior produtor de ópio do mundo – 84% do total. Estima-se que são 294,350 mil hectares para o cultivo da papoula no Mundo. Em 2020 foram produzidos 7.410 toneladas, a economia geral de opiáceos (refino e distribuição) é estimado em US$ 6,6 bilhões.

Mesmo com a pandemia de Covid-19, o cultivo de papoula aumentou 24% em comparação com o ano passado, segundo relatório divulgado em maio.

O Afeganistão é o mais importante comércio de ópio do Mundo. ONU

Para o Diplomata canadense e professor da universidade da Califórnia Peder Dale Scott, a invasão dos EUA no Afeganistão, em 2001, está associada antes de mais nada a guerra pelo controle do tráfico de ópio. Em 2001, o governo talibã haviam erradicado o cultivo de ópio. Na época a produção de drogas passou de 4.600 toneladas para somente 185 toneladas. Após a ocupação, a OTAN favoreceu o cultivo, o dinheiro do narcotráfico controlou os governos de Karzai e Ghani, por sua vez esse dinheiro se encontra em contras bancarias nos Estados Unidos.

A produção de drogas disparou porque os EUA haviam recrutado traficantes como apoiadores do novo regime. O nome do próprio irmão do ex-presidente Karzai, Ahmed Wali Karzai (um colaborador ativo da CIA) aparece na lista entre os acusados ​​de tráfico de drogas. O cultivo de ópio representa 53% do PIB daquele país e 93% do trafico de heroína a nível mundial.

Em 2006, um relatório do Banco Mundial afirmou que os 30 maiores traficantes do Afeganistão se encontram com base no sul do país, reduto dos apoiadores do ex-governo colonial. Por sua vez, o Talibã conta com o comércio de ópio afegão como uma de suas principais fontes de renda. Outra fonte lucrativa e competitiva é a da extração ilegal de minério de ferro, mármore, cobre, ouro e zinco, que movimenta anualmente US$ 460 milhões.

Não foi a primeira nem a ultima vez que os Estados Unidos usou o tráfico de drogas para suas guerras de colonização. Na guerra do Afeganistão de 1979 à 1988 e a posterior guerra civil que durou até 1992, a CIA criou uma aliança entre os traficantes do opio afegãos par combater os soviéticos.

O financiamento das operações da CIA através do tráfico de drogas já aconteceu anteriormente na Birmânia, Laos e Tailândia entre o final dos anos 1940 e 1970. Esses países também se tornaram atores importantes no comércio de drogas graças ao apoio norte-americano na criação do triângulo dourado do ópio, um primeiro momento para financiar o Kuomintang durante a Guerra Civil Chinesa e posteriormente a guerra contra o Vietnã.

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