ENEM 2021 – O MAIS ELITIZADO DESDE 2009

Coluna de Thiago Jesus

Segundo dados da própria Semesp – Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo – foi constatado que o ENEM 2021 é o mais elitizado desde 2009, deixando de fora cerca de 77,4% dos estudantes cuja renda familiar é de 3 salários mínimos. Colocando em números, foram mais de 2.8 milhões de inscritos a menos no exame em relação ao ano anterior.

Também houve queda de 20,8% entre os alunos com “inscrição gratuita”, aqueles que concluíram o terceiro ano do ensino médio em escola pública ou são bolsistas integrais em escola privada, o que resultou em mais 239.577 de inscritos a menos.

Ademais, o menor número de inscrições é composto pelo fator raça. Nesta edição, apenas 11,7% dos inscritos são pretos, menor proporção desde 2009.

Em contrapartida, houve um aumento de alunos pagantes da taxa de inscrição do ENEM em 39,2%. Ou seja, houve um aumento de 387.977 inscritos entre os alunos mais ricos, que podem pagar a taxa de inscrição, e uma diminuição que somou 3.061.698 entre os alunos mais pobres, que não têm condições de fazer frente a essa despesa.

A presidente da Semesp, Lúcia Teixeira, emitiu uma nota sobre o triste ocorrido dizendo: “São alunos que contam com a graduação como forma de melhoria na sua qualidade de vida, e esse impedimento poderá levar muitos deles até mesmo a desistir completamente de cursar o ensino superior, impactando na já baixa taxa de escolarização líquida do país”.

Acontece que esse impacto negativo nas inscrições do ENEM 2021 é resultado da política de Milton Ribeiro, pastor presbiteriano e atual Ministro da educação de Jair Bolsonaro.

Milton Ribeiro é conhecido por suas declarações polêmicas na gerência de sua pasta, tal como em sua entrevista à TV Brasil, onde afirmou que as universidades deveriam ser um espaço para poucos, e por defender a exclusão de crianças deficientes no ensino com a justificativa de que “crianças com deficiência atrapalham os colegas de classe”. 

Toda essa política racista e preconceituosa tem como objetivo deixar os mais pobres e necessitados de fora de seu desenvolvimento profissionalizante, e devolver o Brasil ao tempo da escravidão. E mesmo que o direito à educação esteja disposto na própria Constituição em seus artigos 6 e 205, o governo genocida de Bolsonaro não mede esforços para reduzir o país a pó.

Veja o teor dos artigos constitucionais citados acima:

Art 6º – “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” 

Art. 205 – “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

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