Bolsonaro entrega futebol brasileiro nas mãos do imperialismo – coluna

Por Gabriel Araújo

Não deu nem tempo de comemorar nossa segunda medalha olímpica no esporte mais popular do mundo, para que o imperialismo e seus lacaios locais, movessem as peças para atacar mais uma vez a soberania nacional e por conseguinte, a cultura e o principal orgulho do país.

O parlamento golpista junto com o executivo fascista, aprovaram e sancionaram, respectivamente, o PL 5516/2019, que permite transformar os clubes de futebol em uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF), o chamado Marco Legal do Clube Empresa. 

Esse modelo de funcionamento dos clubes de futebol visa abri-lo para venda de ações nas bolsas de valores e emissão de debentures (emitir títulos de dividas), como uma empresa capitalista, em detrimento do modelo atual de associação civil sem fins lucrativos. Em linhas gerais, esse PL abre o caminho para que os clubes sejam completamente controlado pelos capitalistas e não pelos principais interessados nos clubes, que são os torcedores e principalmente, os torcedores organizados.

Tal modificação na estrutura de funcionamento dos clubes de futebol deve ser observada da seguinte maneira em relação a dinâmica do poder político dentro dessas instituições desportivas:

1 – Essa medida se efetiva logo após as boas campanhas da seleção brasileira na Copa América (Vice-Campeão) e nos Jogos Olímpicos (Medalha de Ouro); apesar de se tratar de uma medida que se restringe aos clubes de futebol, é obvio que campanhas bem sucedidas da Seleção Brasileira, se refletem num fortalecimento do futebol nacional e do continente latino-americano, e por conseguinte seus clubes. Algo que o monopólios ocidentais do mundo da bola não veem com bons olhos;

2 – O processo de crise capitalista no âmbito econômico e financeiro, tem provocado uma ofensiva do imperialismo para efetuar uma intensificação no processo de acumulação capitalista, em diversas dimensões da vida social e da produção econômica. Se essa questão tem se dado em relação aos direitos previdenciários, direitos trabalhistas, aumento da concentração de terras por estrangeiros, abocanhamento das empresas estatais estratégicas e abertura de setores quase inteiros para o capital estrangeiro, o saque do orçamento estatal com o pagamento da criminosa dívida pública, etc. Ela não seria diferente com o futebol nacional que atrai bilhões para este país de capitalismo atrasado. Por isso o parlamento e o executivo burgueses, aprovaram essa lei bizarra que entrega para os grandes monopólios internacionais o controle político e econômico dos clubes de futebol do país;

3 – Esse processo levará à uma crise na estrutura política em que predominam politicamente o domínio dos cartolas;

4 – Como a empresa estará voltada para atender os interesses imediatos dos acionistas majoritários e não dos torcedores e/ou associados. Nesse sentido, os torcedores ficarão mais isolados ainda das definições dos rumos dos times, assim como estarão prejudicados quando houver aumentos nos preços dos ingressos, nos preços do transportes, horários de transmissão, etc. É obvio que um torcedor que é operário ou camponês, não terá condição alguma de se tornar majoritário e concorrer com algum grande capitalista;

5 – A modificação das estruturas dos clubes, que são enormes patrimônios econômicos e culturais da nação, passando para o processo de clube empresa, em uma possível fuga de capitais e uma política de desinvestimento, podem levar o clube à falência e posteriormente leva-lo à extinção. Permitir que esse patrimônio nacional seja colocado em circunstancias de vulnerabilidade às oscilações do mercado capitalista de uma maneira maior do que já se encontra, será um ato criminoso contra a economia e a cultura nacional;

6 – Essa medida ocorre na particularidade brasileira por conta da elevação do grau de consciência política por parte dos torcedores organizados e suas direções, principalmente em relação ao surgimento de centenas de torcidas antifascistas e de esquerda, que tem se colocado contra o golpe, o fascismo e o projeto do Clube Empresa. A agitação política nessa ala da sociedade ligou um alerta nos cartolas e nos grandes capitalistas, que a toque de caixa, abriram mais ainda o mercado da bola no país para a intervenção estrangeira, com receio de que as massas trabalhadoras e torcedora se insurgisse contra o atual formato do futebol nacional e passassem a obter maior influência nos rumos do desporto.

Observando essas constatações, as torcidas organizados e a grande massa de demais torcedores conscientes, devem se insurgir contra esse processo de saque de nosso patrimônio econômico e cultural, que tanto orgulho já nos trouxe. Se há uma reforma na estrutura política e econômica no âmbito dos clubes de futebol, é uma alteração que coloque o povo no controle do esporte mais popular do planeta. E realizar tal mudança democrática, só pode se materializar, se as torcidas organizadas passarem a controlar política e economicamente, os clubes e federações de futebol.

Abaixo o futebol moderno!

Não ao Clube Empresa!

Por um futebol controlado pelos trabalhadores!

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