Derrota na Argentina mostra o fracasso da política conivente com o imperialismo

Nas primárias para eleger candidatos às eleições legislativas ocorridas no dia 12 de setembro, a coligação governista Frente de Todos obteve menos de 31% dos votos a nível nacional, enquanto a coligação de direita Juntos, do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), ganhou 40% dos votos. Os peronistas perderam em 17, das 23 províncias argentinas, incluindo na Capital, Buenos Aires. A votação é destinada para os candidatos dos partidos com vistas às eleições parlamentares de 14 de novembro, quando serão renovadas metade da Câmara dos Deputados e um terço das do Senado. 

O presidente, Alberto Fernandes, anunciou, um dia depois que sua vice-presidente, Cristina Fernández de Kirchner, publicou uma carta na quinta-feira (16 de setembro) qual o responsabilizava pela derrota eleitoral nas primárias da Frente de Todos e exigia mudanças no Gabinete de Ministros. Após uma semana de tensão no partido no poder como resultado do revés eleitoral, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou novos ministérios. Também aprovou acordo coletivo entre trabalhadores e empresários para crescer o salário mínimo de acordo com a inflação.

A Argentina atravessa uma crise econômica, em grande parte herdada do governo Macri, que se reflete em altas taxas de pobreza (42%), desemprego (12%), inflação (50% ao ano) e uma dívida de 44 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

América Latina registrou 1.479.835 falecidos e 44.715.456 contagiados pelo novo coronavírus. A pandemia foi acompanhada pelo crise econômica, desemprego e crescimento da pobreza frutos da onda de golpes de Estado promovidos pelos EUA inaugurada com a derrubada do Presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide. Segundo a OIT, em 2020, foram mais de 27 milhões de desempregados na América Latina e Caribe. Esse cenário é resultado dos golpes de Estado que promoveram intensos ataques aos direitos da população e a soberania dos países.

O avanço dos ataques das politicas neoliberais e antinacionais geraram uma séries de rebeliões populares na região. As rebeliões populares ocorridas no Chile, Colômbia, Equador e outros países da região forçaram que os golpistas e o imperialismo revissem a política de avanço rápido contra os direitos e a soberania dos povos. Recuaram em alguns aspectos, enquanto procuram ganhar tempo para seguir seus ataques, por exemplo, permitiram a libertação do presidente Lula, contiveram ameaça de golpe na Bolivia e Peru para impedir a posse do presidente Luis Arce e Pedro Castillo, chamaram constituinte no Chile e entre outros. A vitória de Alberto Fernandes na Argentina, em 2019, já sinalizava essa nova fase do golpe de Estado continental.

Em 2013, inicia-se um processo de golpe de Estado na Argentina que visava fraudar as eleições presidenciais marcadas para 2015. O mesmo processo tentaram promover aqui no Brasil contra a Dilma, quando uma campanha de midiática, judiciaria e policial através da Lava-Jato visava fraudar o processo eleitoral para beneficiar o candidato do golpe, Aécio Neves (PSDB), o Bolsonaro da época. O legado do governo Macri foi catastrófico para o povo Argentino, crecimento da pobreza, desemprego, caristia e endividamento do país até 2100.

O povo argentino elegeu Alberto Fernandes para revisar essa política neolineral. O governo começou lutando com cautela justificável dadas as limitações herdadas do governo Macrista. México e Argentina se converteram num referencial regional na defesa do progressismo, especialmente porque ambos os governos intervieram para dar exílio ao presidente golpeado da Bolívia, Evo Morales.

Entretanto, onde o calo mais aperta, o governo Argentino cedeu. Durante os momentos mais difíceis do ataque continuado do governo norte-americano contra a Venezuela, Alberto fez coro com a propaganda de calúnias contra o Presidente Nicolás Maduro… Suas declarações ambíguas em relação ao governo venezuelano sempre vinham em momentos cruciais, justamente quando se aprofundava a agressão. Depois, fazia a típica “enrolação” igual aos políticos brasileiros, ele aparecia dizendo que “não queria dizer o que dizia”, mas que “queria dizer o contrário do que não dizia”. Aquela típica retórica do charlatão ou do maluco.

Os povos da América Latina não se escondem. Desde a década de 2000, os povos querem líderes que seja capaz de defender a soberania com coragem. Os povos da região já promoveram inúmeras rebeliões mostrando que são valentes. O povo argentino não é diferente e soube com coragem derrotar o governo golpista de Macri, defender o povo da Bolívia, Cubano e Venezuelano em ameaças de guerra.

Internamente, o que deveria ter sido um governo popular tem sido um governo progressista, daqueles que fazem quase zero medidas, com duas ou três leis de mídia que nem chegam perto do sistema que oprime seus povos.

E o fato é que se um governo popular não avança num programa nacionalista ele será sabotado, e a oligarquia está fazendo isso há séculos. Se o governo popular não intervir, os ricos o atacarão com todos os seus meios. Se o governo popular se torna cauteloso e manso com os inimigos do povo, perderá o apoio popular. Então não há outra coisa senão lutar sem dissimulação, de frente, com clareza e coragem. Sem tentar ser simpático a opinião publicada pelos jornais burgueses, ou legal, ou cauteloso para não acordar o monstro da oligarquia. Porque esse monstro não dorme e, se hesitar, ele sempre avançar sobre as resiliências.

A derrota do governo peronista pode ser revertida, porém é o atestado de fracasso da política moderada. Aqui no Brasil, líderes de esquerda, de olho nas eleições de 2022, querem recriar a experiência de 2002, como a situação geopolítica e interna fosse igual. Essa política embriagada levará sem sombra de dúvida a derrotas.

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