Para burocracia do PT o golpe acabou. O povo está sozinho para se defender

Na quarta-feira, dia 29 de dezembro, o vice presidente do Partido dos Trabalhadores, Washington Quaquá, foi o centro de mais uma rodada de polêmicas. A esquerda vem sendo especialista em travar debates desprovidos de qualquer lógica, mas travar luta real contra o golpe de Estado de 2016 já se provou inábil.

Segundo a reportagem do portal Metrópoles, quando perguntado por que a ex-presidente Dilma Rousseff não compareceu ao jantar com o Geraldo Alckmin, Quaquá afirmou que: “Existe um pedaço pequeno do PT que ainda fica nesse negócio de golpe.”. As declarações do dirigente do PT seguiram, lançando um bombardeio de loucuras para confundir os ineptos e roubar o tempo dos inteligentes. Até ai nenhuma novidade, porque Quaquá apenas teve a audácia de expressar publicamente o que a burocracia do PT pensa. 

Com a finalidade de justificar a aliança com os neoliberais, o Vice-Presidente do PT afirmou que o governo Dilma foi derrubado por uma questão técnica. Ignorou o fato que o Imperialismo norte-americano que deu o golpe para forçar a aplicação da Doutrina Monroe, roubar a propriedade nacional e instalar uma Ditadura. Quaquá, ao colocar em questão a legitimidade da Presidenta Dilma, incorre no crime de traição do país e de sua Comandante Em Chefe, que é a única figura política verdadeiramente respaldada pelo voto popular em eleições livres, diferente das duas eleições fraudadas de 2016, 2018 e 2020, que foram completamente controladas e fraudadas pelos militares. 

Agora fica claro porque nunca houve nenhuma resistência verdadeira do PT para defender o governo Dilma. Houve um acordo entre a burocracia e os golpistas. A burocracia desmobiliza a luta da classe trabalhadora, em troca de continuar com seus privilégios. A direção do PT além de trair os trabalhadores, faz de tudo para não ter uma rebelião dentro do Brasil.

Na realidade, o golpe foi contra o Brasil. A burocracia apenas ocupa cargos de governo para tomar golpe em nome do povo e desarma o mesmo para não resistir. A burocracia não foi afetada pelo golpe, ela manteve seus empregos políticos, seus privilégios e o fundo partidário. Foi o povo que viu sua vida piorar durante esses últimos 5 anos e o Brasil perder sua soberania.

O golpe é apenas uma narrativa na boca da burocracia, porque ela não expressa política real. Essa narrativa muda conforme a conivência dos interesses políticos. Não há lógica na política vigarista da burocracia. Eles querem convencer o povo que é preciso uma aliança com os golpistas para voltar ao governo, que foi derrubado para impor o programa neoliberal e antinacional. A burocracia não expressa em momento algum a possibilidade de enfrentar a política do golpe de Estado. A covardia é tão grande, que nem ao mesmo colocam em debate a anulação das medidas dos governos Temer e Bolsonaro.

Existe um descolamento entre os interesses da base petista e das direções. Na base, virar a página do golpe não é aceito; ignorar as reformas do Temer e Bolsonaro não é aceito; a destruição da Petrobras, Embraer e entre outras, não é aceito. Porém, a burocracia revestiu a política de aceitação ao golpe de Estado com o papel da candidatura Lula. Na cabeça deles, para tornar Lula viável eleitoralmente, temos que nos unir com os golpistas que não tem voto e dar os votos do PT para seguir a política dos golpistas. E assim, a candidatura Lula se torna mais uma via de continuidade do golpe.

O PT está em vias de ser implodido por dentro, através da infiltração de elementos direitistas com a federação partidária, que irá colocar uma camisa de forças no PT e minar o resto de vinculação com as massas trabalhadoras que ainda existe. Tudo isso, sob o aval de figuras abjetas e de traidores da pátria, como o Vice-Presidente do PT.

A militância petista nunca foi encarada como um fator de decisão interna dentro do PT, ela é apenas usada como elemento de propaganda para dar um virtual apoio “popular” a política golpista da burocracia. Quaquá é durante mais de uma década é o dirigente máximo do PT no Rio de Janeiro. Nesse tempo todo, o PT/RJ se consolidou como um partido apático nas lutas sociais do Brasil, constituiu uma máquina burocrática dominada por caciques políticos que impedem a organização das bases do partido, o debate político e a formulação de um programa para tirar o estado da crise. É indiscutivelmente um dos piores PT do Brasil e apenas esse fato já seria suficiente para deixar qualquer dirigente estadual, independente da corrente interna, calado. Mas não é apenas isso, é nesse estado, o Rio de janeiro, que a Lava-Jato do Sérgio Moro/FBI destruiu milhões de empregos, assolou o povo fluminense com miséria, milícias, criminalidade e entre outros milhares de problemas. Os burocratas são tão covardes que não denunciam a Lava-Jato e a candidatura do FBI, Sérgio Moro. 

Mesmo com todo desastre no estado, o PT do Rio abandonou a sua militância a sua própria sorte e foi incapaz de elaborar quaisquer políticas para proteger os petistas durante a pandemia. Nas eleições 2020, petistas foram contaminados e morreram fazendo campanha para o partido, candidatos e militantes de base foram ameaçados pela milícia, outros perderam seus empregos, ficaram endividados ou tiveram problemas psicológicos. Mesmo assim, a direção cruzou os braços e fez vista grossa para os problemas.

Nesse tempo todo, o povo está desamparado. A esquerda que diz ser a defensora dos interesses do povo, não luta. E quando ocorre alguma greve ou mobilização, ela entra para dispersar, confundir e atrapalhar a luta popular. A militância petista deve acordar para os problemas internos e criar as condições para uma revolta dentro do partido e na sociedade. A palavra de ordem deve ser rebelião nacional contra o golpe de Estado!

Nenhum acordo com os golpistas e seus colaboradores!

Punição para os traidores da pátria!

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