Santos Cruz: o general de Washington que articula a campanha Moro/FBI

O general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria Geral do governo Bolsonaro e membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), hoje é a figura publica militar que impulsiona a campanha de Sergio Moro/FBI à Presidência da República. Ambos, Santos Cruz e Moro eram até ontem membros do governo do miliciano. Agora, tentam se projetar como oposição ao governo. A tática dos militares é simples, se for para existir oposição que seja uma oposição controlada pelos militares. Todos concordam com a vassalagem aos Estados Unidos e o programa neoliberal, provando que não há nenhuma disputa entre eles.

Desde que saiu do governo em uma operação de marketing para proteger a imagem do Exército do desastre que é o governo dos militares eleito na fraude eleitoral de 2018. Santos Cruz se dedica a fazer comentários histéricos contra Bolsonaro. Chegou ao cinismo de declarar que ele foi “iludido” por Bolsonaro, como fosse possível um militar de mais de 60 anos, ser “iludido” por alguém. Tal declaração ou é um atestado de incompetência ou de mentiroso patológico.

General Santos Cruz diz que Bolsonaro é uma ameaça a “democracia” e as “instituições”, mesmo estando apoiando Sergio Moro, um dos vigaristas que mais atacaram as leis da república. O “democrata” Santos Cruz, é um ardente defensor do golpe militar de 1964 que estabeleceu a Ditadura Militar.

Quando ocupava o cargo de ministro do governo Bolsonaro, Santos Cruz divulgou um vídeo nos canais de imprensa do governo onde comemorava o golpe de 1964 e negava a existência da Ditadura. Santos Cruz chegou a ser convocado ao Senado para explicar a apologia do seu governo ao golpe militar de 1964 e assumiu a responsabilidade pelo fato.

Posteriormente foi a imprensa reforçar a apologia ao golpe. Negou que a Ditadura Militar instaurado em 1964 tenha sido um golpe de Estado. Também defendeu e relativizou a Ditadura militar, dizendo que “apenas existiram aspectos ditatoriais”. Nem ao menos chegou a citar que aspectos foram esses. Para ele deve ser uma maneira de “democratizar” os crimes de Estado ao defender os sequestros, torturas e assassinatos de presos políticos, dentre as inúmeras atrocidades, estão os vôos noturnos, que os militares jogavam os perseguidos políticos no mar, ou então torturar crianças e estuprar mulheres como fizeram os criminosos do golpe de 64.

Durante a Comissão Nacional da Verdade, que apurou os crimes cometidos pelo golpe de 1964, Santos Cruz atacou a iniciativa e se alinhou com os membros do grupo Terrorismo Nunca Mais (TERNUMA), “um fã clube da tortura”, inclusive dando palestras e se relacionando com os membros desse grupo. Santos Cruz que sempre arremete contra o fanatismo dos outros, é um fanático defensor da Ditadura Militar de 64.

Santos Cruz também é a favor da censura. A pretexto de combater a militância bolsonarista na internet, o general defende um marco regulatório que estabeleça a censura na rede. Essa proposta também foi defendida por Sergio Moro na época que sua organização criminosa estava sendo desmoralizada pelas denuncias do The Intercept.

Mesmo com todo esse histórico, em setembro de 2021, membros estúpidos da burocracia petista tentaram salvar a imagem de Santos Cruz. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro se reuniu com o general golpista em um evento para “defender a democracia”. Tarso já fez diversos elogios e condecorou o general. Na esperança de através de afagos e sorrisos alinhar o general golpista ao programa da esquerda de voltar ao governo, como esses militares trocassem as malas de dinheiro e os aviões cheios de cocaínas de Washington por afagos do ex-governador.

O papel criminoso do general não se limita as suas declarações de apologia ao golpe de 1964. O general Santos Cruz ocupou o comando das Forças da ONU no Haiti (entre 2007/2009) e no Congo (entre 2013 e 2016). No Haiti, encobriu o a acusação de massacre em 2005, contra seu aliado, general Augusto Heleno. Após anos no Haiti sem resolver nenhum problema do país, ao contrário, no momento que a população daquele país acusava as tropas brasileiras de crimes e de levar a epidemia de cólera 2009/2010, Santos Cruz se disse injustiçado ao acusarem a missão da ONU, lideradas por ele, por agravar a crise no país caribenho.

Já na República Democrática do Congo, segundo relatório da Própria ONU, a missão liderada por Santos Cruz sofreu críticas e advertências. A ONU questionava a falta de registro, a falta de estudos sobre os impactos no território e a morte de civis durante as operações militares. A ONU também destacou a falta de patrulhamento, especialmente durante a noite, elevando o numero de assassinatos, violência física, estrupo e sequestros. Também foi criticado por não informar as autoridades civis do país sobre as operações e não comunicar os impactos da operação.

A tutela militar nunca acabou. Constantemente, os militares ameaçam dar golpes de Estado e intimidar toda a sociedade. Quando deram o golpe de 2016, os militares abriram caminho para entregar as mesmas empresas que a Lava-Jato ajudou a destruir. Assim, a parceria de Santos Cruz com Sergio Moro sintetiza a organização criminosa entre os procuradores e juízes da Lava-Jato com os generais do Alto-Comando das Forças Armadas.

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