EDITORIAL – NÃO HÁ SAÍDA DO GOLPE PELAS ELEIÇÕES 2022

Independente de quem vença a eleição, a política do golpe de Estado continua. Para derrotar a política de compactuar com o golpe de 2016, é indeclinável romper a inércia dos movimentos sociais e sindicais e fomentar uma rebelião popular e nacionalista.

Cenário Geopolítico do Golpe Continental dos Estados Unidos na América Latina para iniciar o debate eleitoral 2022:

A política nacional não gira em torno de si mesma, especialmente em um país colonizado como é o caso do Brasil. Por esse fato, é fundamental iniciar o debate analisando elementos básicos da geopolítica mundial.

Desde a crise econômica de 2008, que ainda não foi resolvida, os Estados Unidos intensificaram a política de guerras pelo mundo: espalharam sanções contra vários países, promoveram guerras e deram golpes de Estado. Por toda América Latina, com exceção de Cuba, Venezuela e Nicarágua, países cujos governos controlam as Forças Armadas, os Estados Unidos derrubaram os governos. O objetivo é impor a Doutrina Monroe e fortalecer regimes ditatoriais sob a Doutrina de Segurança Nacional, que através da estrutura policial, militar e paramilitar sustentam a política neoliberal-entreguista em marcha.

Após uma década de aplicação do projeto neoliberal-entreguista, o resultado foram revoltas populares que sacudiram o Chile, Colômbia, Haiti, Equador, Bolívia, Honduras e entre outros. Processo similar ao que aconteceu na década de 1990, quando em diversos países, populações revoltadas se levantaram contra as políticas neoliberais, como por exemplo o Caracazo na Venezuela e a Guerra da Água na Bolívia, que despedaçaram os políticos neoliberais e resultaram na primeira fase de governos progressistas na Região. Porém, hoje a situação é muito pior do que era 20 anos atrás.

Após a rebelião no Chile, os Estados Unidos dividiram sua estratégia de guerra contra o nacionalismo de todos os países em duas tática: A primeira é a repressão e a guerra: promovem sanções, assassinatos de presidentes, ameaças de guerra e incursões mercenárias dirigida Cuba, Venezuela e Nicarágua, países que estão na linha de frente da luta antiimperialista na América Latina. Já nos países onde os golpes triunfaram, se fortaleceu a construção de Estados policiais, com leis punitivistas que a cada dia avança contra as liberdades democráticas da população e criminalizam a pobreza. A segunda tática é a cooptação. Nesse sentido, entra em ação a velha esquerda institucional ou a esquerda pós-moderna, que é chamada de nova esquerda, mas é financiada diretamente pelo imperialismo. Ao mesmo tempo que se reabilita para o poder uma esquerda dócil, que não fala de nacionalismo e soberania, para prosseguir a agenda do Golpe de Estado Continental.

Esquerda é a contentora da revolta popular e esconde a ditadura militar:

Desde a eleição de Pedro Fernandes e Cristina Kirchner na Argentina, sinalizou a volta da Esquerda institucional aos governos da região, porém, a conjuntura dos anos 2000 não tem nada a ver com a atual, tornando impossível a aplicação da agenda social defendida pela esquerda. Para o imperialismo é aceitável o retorno de uma esquerda que não paute a restituição do patrimônio roubado pelos EUA durante seu golpe.

A agenda política da esquerda não promove o debate pelo poder político, ou seja, propõem uma série de políticas sociais paliativas que não se sustentam, porque não enfrentam em nenhum aspecto do poder que os Estados Unidos exercem nos meios de mídia, Financeiros, Empresariais e especialmente Militares. Para a esquerda institucional e a pós-moderna, o debate militar sequer existe. Da mesma forma que no passado, políticas paliativas podem ser destruídas facilmente por um novo golpe de Estado. E assim entramos em um círculo de golpes e apaziguamento, onde a situação nacional fica cada vez pior.

Por isso, o imperialismo está impulsionando a esquerda contra a extrema-direita que eles mesmo criaram. O discurso contra o establishment da Extrema-direita atraiu parcela da população que está cada dia mais desacreditada com as instituições apodrecidas. A esquerda, por outro lado, busca estabilizar essas instituições, reciclando o lixo político que sustenta essas instituições e mantém a farsa democrática, enquanto encobrem a ditadura sob o poder dos militares à serviço de Washington.

A esquerda que chamava o STF até ontem de um inimigo do povo, porque prendeu o Lula, hoje é defendido como bastião da luta democrática. O STF nunca foi nem minimamente uma opção republicana. Sempre foi um espaço de articulação da oligarquia para dominação da do povo brasileiro.

As Traições da Esquerda durante a Pandemia:

O Brasil não ficou de fora das revoltas populares que sacudiram os países vizinhos. Porém aqui, por enquanto, a política de apazigua a rebelião da população e de confundir o cenário político impulsionado pela esquerda foi vitorioso.

Desde 2016, pudemos acompanhar uma crescente revolta popular: Manifestações dos Estudantes em 2016, inúmeras greves, em especial dos Petroleiros e dos entregadores por aplicativo, várias manifestações, inclusive tirando a direita fascista das ruas na base da violência, como foi o caso dos protestos das torcidas organizadas. Todas essas manifestações tiveram algo em comum: foram destruídas a partir do momento em que a esquerda se infiltrou nas mesmas.

A esquerda confundiu o debate político, sequestrou as manifestações e fizeram negociações rebaixadas ou simplesmente dissolveram as mesmas, quando seu interesse político, ou seja, impulsionar determinadas figuras oportunistas para concorrer a empregos políticos nas eleições, foram alcanbçados.

O problema começa quando a esquerda se diz representantes do povo e a síntese da “revolta popular” (apesar deles não usarem o termo revolta, eles se colocam como catalisadores dos descontentamentos da população). Como é possível se revoltar se a esquerda está a todo momento confundindo, desorganizando e deseducando a população? Em sincronia com os ataques que os governos golpistas fazem contra o patrimônio e o direito da população, a esquerda surge com seus parlamentares e meios de imprensa intoxicando o debate político com análises embriagadas, debates intermináveis de temas irrelevantes que fazem a discussão girar em círculos e tacando fumaça nos olhos da população. Enquanto isso, a direita golpista ganha tempo e cresce sua força sobre os erros cometidos pela esquerda.

Em 2020, quando veio a pandemia, criou o melhor cenário para a burocracia da esquerda. A burocracia suspendeu todas as atividades políticas, em nome de um suposto consenso com os especialistas em saúde publica”. Entraram na campanha do “fique em casa” e apostaram que os governos golpistas, sejam nos estados ou na esfera federal, fizessem política contra a pandemia. Porém, qual é o sentido de exigir daqueles que foram colocados no poder para nos matar que nos salve?

A economia destruída pelo neoliberalismo do Brasil impediu que o lockdown se aplicasse e a política do fique em casa só serviu para proteger uma parcela privilegiada de classe média. Não só o governo golpista não fez nada, como transformou o vírus como aliado na sua tarefa de matar a população. Assim, a esquerda ao entrar na politica do “fique em casa”, quando o unico caminho era se rebelar contra o governo golpista e inclusive mudar a situação da propria pandemia, foi cumplice do genocídio.

Enquanto isso, nas bases a militância foi se organizando para dar apoio àqueles outros companheiros que precisavam de ajuda, porém logo, até mesmo as campanhas de solidariedade entre a militância foram cooptadas e destruídas pela burocracia de esquerda.

Depois a esquerda se engajou na campanha do Auxílio, carro chefe da campanha eleitoral do miliciano, uma política que não só não resolveu nenhum problema da falta de renda das famílias, até porque isso só se resolverá com política industrial, como ajudou a apaziguar a revolta da população e dar apoio ao governo. Defenderam o Auxilio, enquanto o programa neoliberal joga milhões na miséria. Defenderam o fique em casa, quando a economia neoliberal destruiu o emprego e criou empregos precários, que requerem presença e aumentando o contágio.

A pandemia deu a desculpa perfeita para os golpistas aprofundarem a precarização do trabalho e o desemprego que já era uma regra muito antes do coronavírus. Na educação, com as aulas virtuais, muitas empresas chegaram a dar o calote no trabalho alheio. Foram muitos exemplos de vídeo aulas de professores que morreram e que estavam tendo seu trabalho reciclado sem nenhum tipo de pagamento. O COREN e os sindicatos na área da saúde falharam na proteção dos trabalhadores no covid, causando milhares de mortes de trabalhadores na área da saúde.

Após tudo isso, vieram as eleições, e sem nenhum tipo de autocrítica, a esquerda mandou sua militância mais precarizada para as ruas se contaminar atrás de votos. Para eles é um privilégio da classe média disputar eleição, mentir e gerenciar o golpe de Estado conjuntamente com os golpistas dentro do Parlamento.

Acabadas as eleições, a política da esquerda foi promover “bandeiraços” do “Fora Bolsonaro”. Essas manifestações marqueteiras são tão artificiais que desapareceram na mesma velocidade que criaram. Em primeiro lugar porque o “forismo”, não resolve nenhum problema e até ajuda a mascarar a ditadura que existe hoje.

Logo depois, a campanha da esquerda se tornou ainda mais ridícula, entrando na palavra de ordem: “fique em casa e espere Lula ser eleito em 2022 para nos salvar”.

As eleições 2022 – Independente de quem ganhe o Brasil continua com golpe:

Apostar todas as fichas numa eleição sob um golpe de Estado já é um erro em si, mas é também uma tática estúpida porque simplesmente você pode não ganhar. A análise das candidaturas e das eleições será feita em outro momento, mas cabe aqui dar um panorama geral do processo e apontar seus principais problemas.

Nas eleições 2022, pela primeira vez, o FBI vai lançar uma candidatura, com a possibilidade de vencer. A candidatura de Moro deve ser denunciada constantemente, pois ela é a maior ameça que existe contra nossa soberania. Além disso, as denuncias contra a candidatura Moro/FBI podem ajudar a população entender as ligações entre os golpistas e os donos do golpe, os EUA. Desgastando a operação dos norte-americanos contra o Brasil.

Na prisão, Lula prometia fazer caravanas por todo o país para mobilizar a população contra o golpe. Porém, depois de solto não foi em nenhuma manifestação, desde então e a única coisa que fez foi se reunir com FHC, Macron e agora com o Alckmin.

Está aí essa esquerda elaborando política errada desde 2016, erro após erro sem fazer nenhum balanço e agora querem levar o povo ao matadouro das eleições de 2022. A esquerda usa o exemplo da Bolívia, para dizer que é possível uma retomada de um governo popular, porém não falam que na Bolívia o povo ficou um ano combatendo o golpe de Estado, inclusive de forma armada, o que gerou a vitória do MAS.

Agora a esquerda está reciclando o lixo do PSDB. No primeiro movimento, tentaram fazer a “Frente Ampla” com os tucanos, agora promovem reunião e jantares com o PSDB, partido que mais atacou a soberania nacional e mais ligado ao imperialismo dentro do Brasil, sendo muito mais danoso do que o governo do miliciano.

A reconstrução do terceiro mundo não será por uma via neoliberal, sem o debate nacional numa insurreição popular e anticolonial. Não conseguiremos criar essa reconstrução a partir do poder, ou seja, sustentar o processo de mudança, sem revolta popular.

Quem espera “ser feliz de novo” em 2022, pode esquecer, porque a eleição de 2022 é a continuidade do golpe, e qualquer candidatura que não paute a anulação das medidas do golpe é para reciclar o golpe. Não há saída pela via institucional.

O papel do Voz Operária nesse momento e criar as sementes revolucionarias no país, que vão destruir a intervenção imperialista dos Estados Unidos no Brasil.

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