Povo morre por COVID, enquanto os militares seguem traficando drogas pelo mundo

Brasil tem 620 mil compatriotas mortos pelo descalabro intencional da crise sanitária, com os militares das Forças Armadas à frente do governo. Por exemplo, apesar de ter deixado alas inteiras de hospitais em Manaus se sufocarem sem oxigênio, os militares tem a audácia de dizer que não tem nada a ver com a crise.

Enquanto isso, o negócio dos militares no trafico internacional de drogas vai de vento em popa. No início do ano de 2020, Rodrigues foi condenado a seis anos de prisão, confessou o crime à polícia espanhola e teria dito que “aproveitou a condição de militar”. O sargento contou ainda que deixaria a droga em um centro comercial de Sevilha.

Apesar de ter sido sentenciado na Espanha, o processo contra o sargento segue a passos lentos no Brasil. O último andamento relevante no processo foi registrado em agosto do ano passado. Na fase de inquérito, a Justiça Militar ouviu pelo menos 37 pessoas.

O que se sabe até agora

  • O sargento da FAB Manoel Silva Rodrigues foi preso transportando 39 quilos de cocaína em Sevilha, na Espanha;
  • Rodrigues foi sentenciado pela Justiça espanhola a seis anos de prisão em fevereiro do ano passado;
  • O processo contra Rodrigues na Justiça brasileira não tem andamentos significativos há seis meses;
  • Ele confessou o crime e admitiu ter se aproveitado da condição de militar;
  • Jorge da Cruz Silva é outro militar da FAB investigado por participar do esquema;
  • Jorge foi afastado do gabinete da vice-governadoria do DF após operação da Polícia Federal.

O que falta saber

  • Quem está à frente do esquema?
  • A droga era levada a outros países?
  • Como o Chefe do GSI, Heleno, não sabia que drogas estavam no avião da inteligência?
  • Qual origem do entorpecente?
  • A participação de mais militares é investigada?
  • Como o militar traficante fez mais de 30 viagens em aviões das Forças Armada e os oficiais não sabiam de nada?
  • Quais informações foram colhidas pela investigação espanhola (que ainda não foram repassadas ao Brasil?

Investigação

Na última terça-feira (2), a Polícia Federal deflagrou a operação Quinta Coluna, um desdobramento da investigação contra o esquema de tráfico internacional de drogas. Ao todo, os agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão e duas medidas cautelares que impedem a saída de investigados do Distrito Federal.

Entre os alvos, estava a mulher de Manoel Silva Rodrigues, preso na Espanha, Wilkelane Nonato. De acordo com os investigadores, após a prisão do sargento, ela desapareceu com R$ 40 mil e um celular que o sargento usava para se comunicar com o grupo criminoso. Os policiais também pediram a prisão dela, entretanto, a Justiça brasileira negou.

A defesa do sargento informa que ele já cumpre pena pelo crime e que colabora com as investigações. Os advogados de Wilkelane dizem que ela não tem participação no esquema e que está sendo incluída nas investigações apenas por ser esposa do militar.

Sargento da Aeronáutica brasileira Manoel Silva Rodrigues, que foi detido na terça-feira (25) no aeroporto de Sevilha, na Espanha — Foto: Redes sociais/ Reprodução TV Globo

Sargento da Aeronáutica brasileira Manoel Silva Rodrigues, que foi detido na terça-feira (25) no aeroporto de Sevilha, na Espanha — Foto: Redes sociais/ Reprodução TV Globo

Além de Wilkelane, outro sargento da FAB, Jorge Luiz da Cruz Silva, também teve o pedido de prisão negado. O militar, que era funcionário do gabinete da vice-governadoria do DF, é investigado por contratar “mulas” para o esquema.

Por meio da quebra de sigilos telefônicos, os investigadores identificaram que os sargentos se encontraram e trocaram mensagens às vésperas de duas viagens de Rodrigues, e que Jorge trocou de celular logo após a prisão do colega. A reportagem tenta contato com a defesa do suspeito.

O que dizem as autoridades

Comando da Aeronáutica informou que reforçou as normas de segurança nos voos e que atua firmemente para coibir irregularidades. Além disso, o órgão diz que repudia condutas que não representem os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo da corporação.

Para a Força Aérea Brasileira, as informações sobre os militares e punições são resguardadas pela Lei Geral de Proteção de Dados e não podem ser divulgadas. Além disso, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), diz que não houve participação de militares do gabinete no gerenciamento do voo em questão, e que não se manifesta sobre investigações da Justiça Militar.

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