Política: uma questão de força – Coluna de Gabriel Araújo

Por Gabriel Araújo

A esquerda brasileira nos últimos anos vive de lamentações. É um chororô sem fim. Ora mendigando alguma política pública para governos da própria esquerda, ora faz isso com os governos de direita. Sempre caluniam o povo brasileiro, dizendo que o mesmo não possui consciência política, quando a história nacional revela exatamente o contrário, que temos sim o povo revolucionário, rebelde e resoluto à ser livre.

Esse processo de terceirizar para o outro, aquilo que a esquerda deveria ela mesma fazer, se tornou a regra. Por exemplo: ao invés da esquerda convocar os trabalhadores para intervir em determinada situação política, a mesma transfere para o parlamento ou para um tribunal, entupidos de mercenários comprados pela burguesia, a tarefa de agir em favor do povo. Algo que é impossível.

Isso se dá por conta da própria incompreensão e falta de consciência política dessa esquerda, que acha que política é uma questão consensual ou de mendigar as migalhas que caem do prato da burguesia. Esse tipo de atitude é a mais completa tolice e tem levado o proletariado brasileiro à sucessivas derrotas.

De uma vez por todas, os elementos mais conscientes da esquerda, tem de se contrapor à esse tipo de postura com espirito de vira-latas, e mostrar para o povo trabalhador, que a única coisa que vai efetivar seus interesses e sanar suas necessidades, é um processo de organização do descontentamento que existe em toda a classe trabalhadora, canalizando o mesmo para impor uma derrota ao neoliberalismo e ao fascismo, através da força das amplas massas mobilizadas contra o golpe, em uma verdadeira rebelião nacional. Esse é o único tipo de linguagem que aqueles que se encontram à frente do Estado Capitalista entendem, essa é a única pedagogia que a burguesia consegue compreender. 

Apelos à consciência moral, toda essa pataquara, não comovem absolutamente ninguém. Tanto é que o povo tem sido esmagado pela política neoliberal de destruição do país, milhares estão passando fome nesse exato momento e em plena pandemia, e a burguesia pouco se importa, posicionando-se em bloco, contra a possibilidade de revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos.

Nesse sentido, qualquer avanço institucional e no campo de constituição do poder popular, apenas poderá ser advindo de um processo de ampla mobilização daqueles que tem sido esmagados diuturnamente pela política entreguista e genocida do golpe. Do contrário, nem mesmo a eleição do mais radical revolucionário, será capaz de sustentar as medidas necessárias para melhorar a vida do povo pobre. Porque tudo isso é um problema concreto e não ideológico. Logo, apenas o povo trabalhador, com a organização e mobilização, de sua rebeldia, poderá dar resposta à altura, das atuais demandas históricas que o país tanto necessita.

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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