Cazaquistão: os estranhos “comunistas” que apoiam Revoluções Coloridas da CIA.

Cazaquistão é um desses países que quase nunca se fala nos grandes meios de comunicação Ocidental. Entretanto, muitos não conseguem sequer localizar o país no mapa. Nos últimos dias, surgiu uma série de “especialistas” em Cazaquistão nas redes sociais, obviamente acompanhando a opinião ditada pelos grandes meios de comunicação, que por sua vez, são porta-vozes da política de Washington dentro da cadeia alimentar da vassalagem imperial.

Entre esses palpiteiros úteis para imperialismo se encontra o Partido Comunista Brasileiro, PCB, fundado em 1992 a partir do racha com o PPS, hoje Cidadania. O PCB que sempre se orgulhou pela solidariedade internacional à luta anti-imperialista vem adotando cada vez mais posições pro-imperialistas, em especial pela influencia da juventude pós-moderna que assaltou a direção daquele partido e transformou a sigla em um estuário para defender qualquer porcaria vendida pelas ONGs do imperialismo. Exemplo disso foi o silêncio diante dos ataques à Nicarágua Sandinista.

Em 2011, não queriam defender a Líbia, se não fosse por alguns militantes que hoje constroem o jornal Voz Operária, o PCB jamais teria participado das manifestações contrárias à visita de Obama. Porque desde aquela época, o PCB demostrava sua admiração as revoluções coloridas da CIA.

Na primeira semana do ano, a 9ª nação com maior extensão territorial do planeta, se viu sacudida por protestos massivos, e em poucos dias, Cazaquistão estava mergulhado em um espiral de violência que poderia ter resultado em uma guerra Civil como ocorrida na Ucrânia em 2013.

Cazaquistão tem apenas 30 anos de existência independente. Região de povos nômades durante séculos, foi anexado ao Império Russo em metade do século XVIII no final das Guerras Napoleônicas. E após um breve período independente, se tornou uma das Repúblicas que constituíram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, até sua desintegração em 1991.

Durante quase 30 anos, o país foi governado por Nursultán Nazarbáyev, entre 1990 à 2019, que ocupava altos cargos no governo Soviético, após a independência, para acelerar as reformas rumo a uma economia neoliberal.

Baseado na riqueza do petróleo e mineral do país, e a indústria extrativa herdada dos tempos da URSS, o país viveu quase duas décadas de crescimento econômico ininterruptos. Em 2019, após 28 anos no cargo e após 5 eleições presidenciais, Nazarbáyev renunciou depois que ocorreram série de manifestações contrarias ao seu governo. Nas eleições daquele ano, foi ganhador o atual presidente, Kassym-Jomart Tokáyev, que continuou com as políticas do governo anterior.

Assim como várias outras nações ex-soviéticas, Cazaquistão é um conglomerado nacional, cultural e religioso, onde quase 70% da população é muçulmana e 23% cristã, sobretudo católica ortodoxa. Além do cazaco, o país fala cotidianamente o russo, tal ponto que é considerada a língua oficial para política e negócios. Além disso, 1 em cada 5 habitantes do país são etnicamente russos.

Cazaquistão não é um país pobre, em contexto geopolítico regional, pode se considerar um país razoavelmente rico e em vias de desenvolvimento. Em termos absolutos, seu PIB (Produto Interno Bruto) supera de potências petroleiras como Catar ou membros da União Europeia como Hungria, estando em U$ 191 bilhões (dados do FMI). Seu PIB per capita é de U$ 10.145, sendo maior que do México (U$ 9.967), Argentina (U$ 9.929) e Brasil (U$ 7.741). Já o índice de desenvolvimento humano do Cazaquistão, 0, 825 está em um nível similar de Chile ( 0,851) ou Uruguai (0,817). E o coeficiente Gini, que mede a desigualdade de um país, está em 27.500 e é comparável à Holanda (28.500) e Finlândia (27.400).

Dando esse contexto, iniciamos o ano de 2022, com noticias relacionadas ao Cazaquistão. Em 02 de janeiro, iniciaram-se manifestações em Janaozén, cidade próxima ao Mar Cáspio, um local onde as revoltas não são nenhuma novidade. Em 1989, Cazacos e Chechenos protagonizaram nessa cidade enfrentamentos, e em 2011, policiais reprimiram violentamente uma greve, deixando dezenas de feridos e mortos.

Na ocasião recente, o estopim para as manifestações na cidade de Janaozén foi o anúncio do aumento do gás liquefeito, subindo de U$ 0,13 pra U$ 0,28. Apesar do presidente Tokáyev anunciar a demissão de seu gabinete de governo e regressar ao preço antigo do gás liquefeito e congelar-lo, em poucos dias as manifestações se expandiram por quase todo o país.

A violência indiscriminada gerou a morte de dezenas de manifestantes e policiais. Inclusive com a atuação de organizações terroristas levadas para o país pelo serviço secreto Israelense, turco e norte-americano. Em 05 de fevereiro, a mídia ocidental divulgava que a situação no Cazaquistão estava próximo de uma guerra civil. Nesse mesmo dia, o governo anunciou a mobilização de tropas pacificadoras da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, por conta da atividade terrorista no país.

O OTSC é um organismo integrado por Armênia, Bielorrusia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Rússia e é uma aliança de assistência militar mútua. E as tropas ficaram responsáveis por dar segurança as instalações sensíveis ao governo, tais como usinas e aeroportos, enquanto as tropas de segurança local ficaram responsáveis pela contenção da atividade terrorista. Em poucos dias, a situação foi se acalmando pouco a pouco no país, e recentemente o governo anunciou a saída das tropas do OTSC.

Os EUA, orientou ao Cazaquistão que não deveria aceitar a ajuda militar russa nos marcos do OTSC. O Secretário de Estado dos Estados Unidos, , iniciou uma propaganda antirussa dizendo que: “Uma lição da história recente é que, uma vez que os russos entram em sua casa, e muito dificil conseguir que eles vão embora”.

Isso soa como uma piada, quando essa orientação parte dos Estados Unidos, um país que tem cerca de 742 bases militares fora dos Estados Unidos. A maioria resquício da Segunda Guerra Mundial, como 118 na Alemanha, 119 no Japão, 44 na Itália, e o restante espalhadas em outros 80 países. Entre eles, países que exigem a retirada das bases norte-americanas, tais como Cuba e Síria. Os Estados Unidos concentram 85% das bases estrangeiras do mundo, seguidos pelo Reino Unido, membro da OTAN, com 145 bases fora do seu território. Enquanto Rússia possui 12 bases e China apenas 8.

Apesar da mídia ocidental tentar pintar o Cazaquistão como “país satélite da Rússia”, uma rápida pesquisa pode apontar justamente o contrário. Em 2017, o Cazaquistão iniciou um processo de abandono do alfabeto russo. Além disso, começou no país uma campanha de constrangimento contra a população de língua russa. Inclusive com práticas russofóbicas.

Tanto Estados Unidos como União Europeia sempre ávidos qualifica de “democrática” e “pacífica” manifestações em Cuba, Venezuela, Rússia ou China, enquanto se calam diante da violência policial contra manifestações populares em países aliados de Washington, tais como Chile, Palestina ou Colômbia. Correram para apoiar as manifestações no Cazaquistão.

Apesar de terem ocorrido manifestações massivas e pacíficas em todo o país, o fato e que todas cessaram quando o governo recuou no aumento dos combustíveis. Então as manifestações que continuaram promoveram inúmeros atos de sabotagem a infraestrutura Estatal. 13 policiais mortos durante as manifestações, dois foram decapitados. A decapitação de suas vítimas é um traço típico da atuação das milícias à serviço da Mossad e CIA no Oriente Médio e Ásia Central.

Dentro desse aspecto, Ásia Central é um celeiro do yihadismo, ou seja, a extrema-direita que utilizam o islamismo para lutar pelo poder, que espera ganhar influência regional após a vitória do Talibã no Afeganistão. Pelo menos 600 militantes do Estado Islâmico são do Cazaquistão.

Diante dos conflitos entre as oligarquias pelo poder e do descontetamento social, a entrada de terroristas islãmicos não deixou outra opção para o Executivo de Tokáyev, a não ser buscar o apoio do país que estava tentando se afastar, a Rússia.

Um país especialmente interessado na situação do Cazaquistão para não mergulha-lo no caos, não somente pelo fato de 4 milhões de russos viverem no país e nem porque ali esta a base aeroespacial de Baikonur, de onde saem as missões da agencia espacial russa. Além disso, Russia compartilha uma fronteira de quase 7 mil km com seu vizinho. A segunda maior fronteira do mundo, duas vezes maior que a fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Um cazaquistão convertido em uma nova Líbia, seria uma péssima noticia para os próprios cazacos, mas também para outros países da Região. Como especial entre Rússia e China que tem o país como um aliado importante.

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