Sem refundar as Forças Armadas, a tutela militar e os golpes vão continuar – coluna

Por Gabriel Araújo

Durante essa última semana diversos organismos de imprensa, tanto dos capitalistas, quanto da chamada imprensa progressistas, saíram divulgando a informação de que os militares não almejam dar um novo golpe caso o Presidente Lula seja eleito para um terceiro mandato. Esse tipo de informação, que tá mais para uma desinformação advinda do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), tem um claro objetivo de deixar a esquerda e o povo de guarda baixa, para as claras manobras políticas que estão sendo orquestradas por todo o aparato golpista para evitar um governo nacionalista.

Nada em política é por acaso. E notando a simultaneidade desse tipo de notícia, em diversos órgãos de imprensa, já podemos tirar daí que existe toda uma campanha colocada em marcha para causar confusão nos elementos mais atrasados da esquerda e estimular a ala mais oportunista à conciliar com o regime golpista. Qual o intuito de divulgar algo nesse sentido, sem nenhuma conexão com a realidade, sem dar nomes às fontes, sem nenhuma prova, como foi o caso da matéria do Diário do Centro do Mundo (DCM) intitulada “Forças Armadas não querem guerra contra Lula”? Qual o sentido de ser avalista dos militares que deram o golpe em Dilma e prenderam Lula?

Os militares capachos de Washington e seu programa neoliberal, tem sofrido um enorme desgaste por conta da crise econômica que tem levado milhões à mais completa miséria e do alto grau de repressão contra o povo para levar à cabo essa política de fome sem que haja um processo de rebelião contra essa situação. Nesse sentido, da mesma maneira que o esgoto do regime político como PSDB, PMDB, DEM, PSD, PSB, Rede, Solidariedade, está tentando se reciclar, diante do desastre do programa do golpe, os militares também estão seguindo no mesmo sentido. Essa medida já podia ser observada com a saída de alguns milicos do governo do miliciano, e adentrando em candidaturas tão golpistas quanto a do miliciano, como é o caso de João Dória (PSDB-SP) e de Sérgio Moro (Podemos-PR). E também pode ser evidenciada com o controle da própria chamada “nova esquerda”, através do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), que tem como Diretores o ex. Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General Sérgio Etchegoyen, e onde figuras do PSOL, como Guilherme Boulos e Juliano Medeiros, fazem parte do quadro de pessoal do referido instituto.

O golpe de Estado, a sustentabilidade do governo Temer, a fraude eleitoral de 2018, entre outras manobras escabrosas de sustentação da política golpista, não seriam possíveis sem o apoio e a atuação direta e descarada, dos militares traficantes de cocaína. Parte da esquerda, parece que tem usado muito dessa cocaína traficada pelos militares, e caíram no esquecimento de que foi através do General Eduardo Villas Boas, que Lula foi mantido preso e que o Supremo Tribunal Federal (STF) foi chantageado a dar aval para o parlamento derrubar a Presidenta Dilma. 

São esses milicos que tem dado aval para que as Forças Armadas venham fazer treinamentos militares rotineiramente no território nacional, eles que entregaram a Embraer e a Base de Alcântara.

Atualmente, os milicos inseriram o ex. Ministro da Defesa de Bolsonaro, General Fernando Azevedo e Silva, para a Direção Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse general, também foi o assessor do então Presidente do STF, Dias Toffoli, durante as eleições fraudadas de 2018, para assegurar que a suprema corte e o TSE, fraudassem as eleições e mantivessem Lula preso.

Desde a criação da Escola Superior de Guerra (ESG) em 1949, houve uma intensa luta política para reorganizar as Forças Armadas para que a mesma ficasse completamente submetida aos interesses dos Estados Unidos da América e se torna-se um braço armado contra os interesses do povo brasileiro. Toda a ala nacionalista que existia nas Forças Armadas Brasileiras, foi assassinada ou expurgada, ficando apenas aqueles militares capachos, alinhados com o entreguismo e a política neoliberal. Nesse sentido, propagar a desinformação de que os militares não estão dispostos a dar mais um golpe para dar prosseguimento na entrega do patrimônio nacional para os norte-americanos, é a mais completa capitulação diante do golpe e merece ser severamente combatido por toda a esquerda nacionalista.

Caso o Partido dos Trabalhadores e a esquerda de uma maneira geral, queiram governar o país novamente, terão de entrar em rota de enfrentamento a estrutura das Forças Armadas que ai está. Do contrário, teremos um governo completamente enfraquecido e tutelado pelos militares, ficando a mercê dos golpes de Estado, que sempre estão colocados na mesa no Alto Comando das Forças Armadas.

Sendo assim, é preciso colocar na ordem do dia um programa de Refundação das Forças Armadas pautado nos seguintes pilares:

– Reformar a lei da anistia e punir os militares torturadores, e traidores da pátria;

– Refundar as forças armadas, com uma doutrina militar nacionalista, que defenda os interesses nacionais;

– Retomar o programa nuclear brasileiro, com o aumento de geração de energia nuclear, bem como a indústria bélica nuclear com nossos submarinos nucleares que deixaram de ser produzidos por conta da Operação Lava-Jato;

– Nacionalizar e estatizar toda a indústria bélica sob o controle dos trabalhadores;

– Expulsão e prisão para todos os militares que fizeram parte do golpe de 2016;

– Constituição de uma doutrina militar que estabeleça uma união cívico-militar, onde o povo seja o elemento protagonista na defesa nacional por meio de comitês de autodefesa nas fábricas, locais de trabalho, locais de estudo, bairros populares, assentamentos, acampamentos, ocupações, territórios indígenas e quilombolas, etc.;

– Expulsão da Mossad, CIA, do FBI e das Forças Armadas Norte-Americanas do país;

– Retirada da 4ª Frota Norte-Americana do Atlântico Sul;

– Retomada da Embraer com aumento dos investimentos e sob o controle operário;

– Retomar a Base de Alcântara e expulsão dos norte-americanos;

– Retomada da Comissão Nacional da Verdade, e das Comissões Estaduais da Verdade, que abarquem o genocídio da pandemia e da política neoliberal; abertura de todos os arquivos da ditadura de 1964;

– Fim do Gabinete de Segurança Institucional;

– Revogação do art. 142;

– Expropriação da fortuna dos militares;

– Fim de todos os privilégios para militares; soldo nivelado ao de um operário médio;

– Proibição da formação de militares no exterior;

– Fim da lei de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). 

Sabia que a partir de 16 centavos ao dia você ajuda a imprensa popular e investiga a se manter? Acesse www.apoia.se/vozoperariarj para saber mais.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s