Para derrotar o golpe é preciso de uma força popular revolucionária e patriótica

Está se fechando mais um ciclo de golpes de Estado e devastação neoliberal. Assim como nas décadas de 70 e 80 do século passado, quando os povos da América Latina lutavam para derrubar as ditaduras da doutrina de Segurança Nacional feitas em Washington. Hoje o movimento popular do continente volta a discutir qual é a sua orientação política e ideológica.

Embora agora a situação seja completamente diferente, levando em conta a dialética da situação política, já que é irracional querer replicar realidades do passado no presente, mais uma vez as forças populares se deparam com soluções de cunho paliativa, propostas que não chegam sequer ao patamar de reformistas de tão moderadas que elas são.

Por exemplo, a esquerda desapareceu com a proposta da democratização dos meios de comunicação, mesmo depois de tudo que passamos pela campanha midiática da Globo, Estadão e etc para o golpe de 2016. E pior, colocam a mídia como aliada porque ela se diz contra Bolsonaro.

Não só no Brasil, mas no mundo a esquerda serve para dar uma “aparência humana” ao neoliberalismo. Por um lado lideranças de esquerda apoiam aliança com políticos neoliberais justificando pelo “mau menor” ou então dizem que: “é a política possível e que é preciso ter correlação de forças no Parlamento”. Porém, mesmo quando se tem maioria no Parlamento, dizem que preciso ter apoio na sociedade, além de ser uma avaliação completamente equivocada, ela também é pautada em pesquisas artificiais de institutos da imprensa imperialista. Sempre dão uma desculpa para fazer da política um meio de vida para a burocracia e desmobilizar o povo.

A esquerda institucional e a “esquerda imperialista” escondem a incapacidade dos setores políticos mais avançados da sociedade de superar as dificuldades que levam à construção de uma alternativa popular, nacionalista e revolucionária. Seja pela covardia ou então pelo autoritarismo que busca chegar ao governo a qualquer custo.

Ninguém pode dizer que isso ocorre por causa do abandono dos povos em sua luta política. Porque são muitos exemplos de rebeliões populares onde a esquerda ficou na retaguarda, ou então entrou no processo para arrevessar a rebelião dos povos. É muito fácil culpar o povo quando na realidade foram a burocracia de esquerda e a repressão Estatal que paralisaram os processos. É até notório o que aconteceu nos últimos anos na América Latina, quando as organizações de esquerda, uma vez que obtiveram o governo, priorizaram alianças com a burguesia e o imperialismo, deslocando os setores populares para um papel marginal como simples objeto de políticas públicas.

No caso do golpe de 2016 no Brasil, essa situação foi mais do que evidente. Depois que os governos do Partido dos Trabalhadores não rompeu com a agenda neoliberal se distanciando do movimento popular, ninguém saiu para defender o governo do PT, nem mesmo o próprio PT se defendeu. Ficaram na negativa do “Não vai ter Golpe”, uma versão marqueteira do “Não Vai Ter Copa”, e depois enquanto Dilma ainda estava sentada na cadeira de presidente, foram para o “Fora Temer”. Para não dizer o papel criminoso realizado pela Frente Povo Sem Medo, frente de brinquedo do agente do imperialismo Guilherme Boulos, que foi dizer “a saída (do governo Dilma) era pela esquerda e fora ajuste fiscal da Dilma”, fazendo um jogo de palavras para mascarar o “Fora Dilma”, quando era evidente que seria a direita que ia assumir o governo e ia aplicar um ajuste fiscal muito mais brutal, como de fato aconteceu.

Durante a década de 1980, vimos um movimento similar. Na época, quando estava pautada a derrubada da Ditadura, a esquerda aderiu à “Diretas Já” dentro da conformação da Constituinte que dava anistia aos crimes dos militares traidores da pátria, quando era possível criar um tribunal nacional para investigar, punir e esclarecer à toda sociedade Brasileira aquele período da nossa história.

Assim, na transição das ditaduras para os sistemas republicano de cunho neoliberal, na maioria dos quais a doutrina da segurança nacional continuava presente em grande parte, se não em sua totalidade, como instrumento de dominação e controle do poder pelas oligarquias, os setores reformistas saíram vitoriosos, iniciando processos de perseguição a sindicatos, imprensa livre, organizações sociais e partidos políticos, sob o pressuposto da necessidade de defender o status negociado, aceitando e estabelecido do que vem sendo chamado de “Estado de Direito” , que é um privilégio de um setor minoritário da sociedade.

Em grande medida, isso foi possível graças à cooptação de líderes outrora populares, de esquerda e revolucionários que sucumbiram aos encantos do social-neoliberalismo Europeu e do Vaticano, que os transformaram em seus aríetes para a destruição de tudo o que cheirasse a revolução e socialismo.

Vale dizer que em meio a essa situação complicada e difícil, Cuba se manteve firme, defendendo seu processo revolucionário e conseguindo, sendo um farol que irradiava luz para aqueles que lutavam por revolução em toda a América Latina, inclusive para esquerda cativa ao imperialismo que na Europa e na América Latina se aproveitaram descaradamente da solidariedade à Cuba.

A implementação de governos neoliberais exacerbou os conflitos na sociedade cada vez que o capitalismo não foi capaz de resolver as necessidades mais básicas dos povos. O “caracazo” de na Venezuela, a Guerra da Água na Bolívia e o Levante Zapatista no México – três países que não estavam sob a pressão dos militares no governo – foram uma expressão clara de que o neoliberalismo não poderia estar associado apenas ao domínio direto das Forças Armadas no poder, mas a todo o arcabouço jurídico e político que a sociedade capitalista comporta. Nessas condições, Hugo Chávez surgiu como expressão de resistência popular e patriótica do povo e de setores militares. Processo que iniciou a chegada de diversos governos populares na América Latina.

A agenda social dos governos progressistas, em maior ou menor grau, esses governos obtiveram e que juntos permitiram à região avançar em processos de integração que garantiram sua presença e protagonismo no mundo, despertaram – mais uma vez – a preocupação da Casa Branca que, mobilizando as oligarquias regionais, as Formas Armadas e as Instituições apodrecidas herdadas das Ditaduras de Segurança Nacional dos EUA e conseguiram deter temporariamente o processo iniciado nos últimos anos do século passado .

Mas o neoliberalismo que retornou ao poder pelas mãos de Macri, Áñez, Temer, Bolsonaro, Lenin Moreno, Piñera e outros personagens semelhantes não foi sólida, pois se baseia no aval e apoio dos Estados Unidos na arena internacional e no apoio dado pela gestão da mídia para construir falsas verdades de um lado, além do apoio dos militares, de outro. No que diz respeito ao aprendizado dos povos, sua consciência e sua superior (embora ainda insuficiente) capacidade organizativa, o retorno ao momento do fluxo foi muito mais curto do que o tempo entre a queda de Allende em combate em 1973 e a vitória eleitoral de Chávez em 1998.

Mas não nos enganemos, é tolerável para os EUA governos progressistas que não rompam com as medidas de espoliação da soberania nacional adotadas durante a onde de golpes de Estado. Até porque, a meta dos EUA de atrasas o desenvolvimento industrial da região já foi realizado. De cada golpe que os EUA dá, os países da região pedem 20 anos, uma geração inteira para se recuperar, até vir uma nova fase de golpes.

Nos últimos anos, uma expressão disso foi a vitória eleitoral de Andrés Manuel López Obrador no México, a volta dos peronistas ao governo na Argentina e do MAS na Bolívia, as vitórias de candidatos progressistas no Peru, Honduras e Santa Lúcia, ao mesmo tempo em que Barbados rompeu com a subordinação pós-colonial da Grã-Bretanha, transformando-se em república e nomeando Sandra Mason como sua primeira presidente. Na mesma lógica, pode-se acrescentar que Lula no Brasil e Petro na Colômbia, candidatos progressistas da oposição, lideram as pesquisas antes das eleições que serão realizadas este ano nos dois países.

Vale dizer que tudo isso foi possível devido à resistência à dominação imperial dos povos de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Se esses países tivessem caído, a avalanche imperial teria passado impiedosamente sobre a América Latina e o Caribe.

Isso decorre do artigo escrito por Andrés Oppenheimer, porta-voz dos gusanos residentes nos Estados Unidos, publicado no The Miami Herald, sob o título: “Gabriel Boric liderará uma nova esquerda latino-americana?” O autor cita Heraldo Muñoz, o ministro das Relações Exteriores do governo de Michelle Bachelet, que afirmou que Boric “referiu-se ao regime venezuelano como uma ditadura e criticou a fraude eleitoral na Nicarágua ” , acrescentando que: “Ele tem convicções bastante sólidas em termos de democracia e direitos humanos.”.

O discurso que visa criar uma “nova esquerda” longe de Cuba, Nicarágua e Venezuela vem ganhando força, mesmo em setores “progressistas” da região. De autores de orientação “socialista” como Emir Sader, que escreveu artigo no qual aponta uma esquerda latino-americana longe de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Nesse esforço surgiu a “Internacional Progressista”, que agrupam figuras como Fernando Haddad do Brasil, Bernie Sanders do Partido Democrata dos EUA e Yanis Varoufakis representante da esquerda Europeia, por exemplo. O “imperialismo de esquerda” apoiada nos Estados Unidos, aspiram a devolver os países da América Latina no caminho da “democracia” e da justiça social paliativa, a fim de tornar o império mais eficiente em sua intenção de subjugar o mundo, em seu governo único global.

A Internacional Progressista teve sua contraparte na América Latina e no Caribe no “Grupo Puebla”. Suspeitamente, em nenhum dos dois casos participam cubanos, venezuelanos ou nicaraguenses.

O futuro libertador dos povos não está no progressismo. Está e continuará a estar na revolução. O caminho da vitória as alianças táticas devem ser feitas para unir forças populares e nacionalistas, mas elas só terão esse caráter se forem assumidas a partir da hegemonia e do poder. Qualquer aliança construída a partir da fraqueza ou subordinação leva à subordinação dos interesses populares a outros, de setores ou grupos minoritários.

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