Ucrania: EUA vs Rússia ou na verdade uma guerra contra a China

Estados Unidos e sua aliança militar fantoche, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, em sua sigla em inglês) vem nas últimas semanas inundando de toneladas de armamentos de guerra à Ucrânia.

Isso ocorre após Antony Blinken, Secretário de Estado do governo Joe Biden, afirmar que o governo Biden não vai aceitar o pedido do governo de Vladimir Putin para barrar a entrada da Ucrânia na NATO. Rússia havia entregue aos Estados Unidos uma série de preocupações relacionadas a sua segurança nacional e que foram ignoradas por Washington.

A desculpa para essa militarização da Ucrânia é que Washington e a União Europeia acusam Moscou de se preparar pra uma suposta “invasão”. Uma narrativa presente nos meios de comunicação desde o inicio dessa crise, em 2014, e que de lá para cá nunca se concretizou. Entretanto, se analisar o armamento entregue pela NATO à Ucrânia, o primeiro que se pensa é: ou se trata de uma encenação da NATO ou a Ucrânia é apenas uma bucha de canhão, ou então um pouco de ambas opções.

Entre as armas entregadas à Kiev se encontram os antitanques FGM-148 JAVELIN (de fabricação norte-americana da década de 1970), que tem um alcance de 700 m, e os NLAW (Next Generation Light Anti-tank Weapon), também de fabricação dos EUA da década de 2000, que tem um alcance efetivo de pouco mais de um km, ou seja, são armamentos que só são eficazes em conflitos em curta distância. Armas que não são presente, mas que Ucrânia está se endividando para pagar.

Entretanto, qualquer pessoa que começou ontem a estudar os temas militares, sabe que as Forças Armadas da Federação Russa não recorreriam ao conflito em curta distancia como primeira opção, muito menos quando se trata de um conflito envolvendo um país vizinho. E sem dúvida, o Pentágono sabe muito melhor. Isso porque, a Rússia conta com uma abundante artilharia e foguetes de longo alcance, capazes de despedaçar os armamentos da Ucrânia, sem nem ao menos se aproximar dela. Por exemplo, o Smerch voa até uma distancia de 90 km, o Iskander M à 500 km e o Kalibr até 2000 km.

Já na Força Aérea, Ucrânia tão pouco pode dar algum equilíbrio tático. Ucrânia conta com 98 caças de ataque e 34 helicópteros, enquanto Rússia tem cerca de 2 mil caças de ataque e 544 helicópteros. Ou seja, essa tão anunciada ajuda da NATO ao governo ucraniano de Zelensky parece mais uma encenação de uma peça de teatro.

Essa encenação reforça a possibilidades para toda essa pressão é que estamos diante de uma performance, em um momento que estão acontecendo negociações entre Rússia e Estados Unidos sobre garantias de segurança.

Outra possibilidade para tanta insistência de Washington em desestabilizar o leste europeu está relacionado ao tema energético. As importações de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos bateram recorde, desde o inicio dessa crise. A crise energética na Europa, afetada pela escassez de recursos energéticos, junto com as idas e vindas do projeto da Alemanha e Rússia no gasoduto Nord Stream 2, obrigou a União Europeia a importar mais gás natural dos Estados Unidos. Em 2018, os europeus importavam 2 milhões de toneladas e agora e em finais de 2021, chegou à 8 milhões de toneladas. Abrindo assim a dependência energética da Europa aos Estados Unidos.

Assim, em dezembro de 2021, os Estados Unidos se tornaram o maior exportador mundial de GNL. Jon Biden, jogou no lixo sua agenda ecológica e reforçou os investimentos para a produção de gás, dada a crescente demanda europeia (porque a defesa de meio ambiente só e útil quando é para atacar a soberania brasileira na Amazônia). A União Europeia está tão disposta a pagar por qualquer gás, que não seja russo, que vão comprar gás até da Austrália. Obviamente pagando muito mais caro que os preços propostos pela Rússia.

Tudo isso não seria possível sem a instabilidade na Europa. Aliás da independência energética europeia, os EUA necessita fortalecer sua independência militar, através da NATO. Durante o governo Donald Trump, a relação dos EUA com os outros países dentro da NATO foi abalada, isso porque Trump é alinhado aos generais do Pentágono que acreditam que os EUA investem demasiados recursos no organismo, contrariando a máquina burocrática do Estado que quer dominar tudo à todo momento, muito mais influente no governo Biden.

O que podemos estar vendo, não é o que aparenta ser: Ou seja, uma disputa dos Estados Unidos e Rússia pela Ucrânia, mas sim uma antessala de uma disputa ainda maior, uma guerra entre Estados Unidos e China.

Criando um conflito armado, que envolva Moscou e Kiev, os Estados Unidos não só fortaleceriam a dependência militar sobre à União Europeia, Washington poderia criar uma explosão social na Rússia, que já é bastante instável dada a crise social e econômica que se arrasta no país, e possibilitar um golpe de Estado para por no governo um aliado dos Estados Unidos.

Dessa maneira, a China ficaria ainda mais rodeada por aliados dos Estados Unidos, que poderiam aumentar o bloqueio comercial e bélico contra Pequim. Pela via marítima esse bloqueia já começou, com as crescente militarização da marinha Japonesa e sul-coreana. E se criassem uma Rússia debilitada ou submissa, como existia nos anos de 1990 com Boris Iéltsin, também poderiam sufocar a China por via terrestre.

No jogo de tentar conter a China, para casa Branca, a Ucrânia não seria nada mais que um peão para ser sacrificado. Desde 2014, Ucrânia está submetida a uma incessante histeria de propaganda vinda dos Estados Unidos, que busca criar uma desculpa para empurrar o país para um conflito armado com a Rússia. Se por um lado as armas entregues pela NATO não são suficientes para conter as Forças Armadas da Rússia, por outro poderia criar o álibi que os Estados Unidos tanto buscam. Essas armas poderiam criar um conflito entre milicianos armados pela CIA, inclusive organizações neonazistas, e os independentistas da região e Donbás, nas províncias de Donestsk e Lugansk, arrastando a Rússia para o conflito.

Isso geraria a perspectiva de endividar a Rússia em um conflito armado, que vai desestabilizar seu governo, suas Forças Armadas e suas finanças e suas ligações sociais, com um povo muito veiculado pela historia e cultura à Ucrânia. Até mesmo sem o estopim armado, essa tensão já tem reflexo nas economias da Ucrânia e Rússia, Desde final de 2021, as moedas dos dois países vem se desvalorizando dia após dia.

Significativamente, muitos membros da NATO, em especial a Alemanha, não compartilham com os interesses dos EUA em aumentar a escalada de conflito. Croácia chegou a afirmar que, se ocorrer um conflito na Ucrânia, não só vai tirar os soldados croatas da região, como também o país da NATO. Alemanha bloqueou comboio de armas que Estônia pretendia enviar para Ucrânia e também barrou o Reino Unido de usar seu espaço aéreo para esse mesmo fim. Até Boris Johnson, Primeiro Ministro britânico, disse que não há ninguém na NATO disposto a enviar tropas para Ucrânia. Entretanto, isso não significa uma ruptura do Reino Unido com a NATO, ao contrário, tem estreitado cada vez mais laços, especialmente com a marinha britânica com presença constante no Mar do Sul da China.

De fato há uma divisão entre os países membros da NATO, que já se expressa nos conflitos entre um bloco dos EUA, Reino Unido, Japão e Austrália e um outro bloco imperialista da União Europeia. Basta lembrar como o embaixador dos EUA na Alemanha, Richard Crenell, em 2019, ameaçou o governo alemão em relação à continuação no Nord Stream 2. Ou como, pelas costas do governo Emmanuel Macron, os EUA romperam o acordo francês com a Austrália sobre cooperação técnico-militar. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Austrália formaram uma aliança sem sequer notificar o resto da NATO.

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