A CIA e o Golpe Militar de 2016 – Parte 2

Por Gabriel Araújo

Este artigo é a continuidade e a suplementação dos argumentos e de fatos apresentados em artigo publicado na semana passada com o mesmo título (A CIA e o Golpe Militar de 2016). O objetivo é apresentar outros fatos para preencher as lacunas deixadas naquela documentação.

Quando o governo golpista do informante da CIA, Michel Temer (PMDB), assumiu o poder político do país, após o golpe que destituiu a Presidenta Legitima, Dilma Roussef, havia uma determinada fachada de que tal governo era civil e não era tão fascista quanto a ditadura militar de 1964 e como denunciávamos em época. Foi no governo Temer que um militar foi escolhido para comandar o Ministério da Defesa, o General Joaquim Silva e Luna. Algo nunca ocorrido na história dessa pasta.

Temer colocou uma cúpula militar entorno de si, composta General Eduardo Villas Boas (ex. Comandante do Exército, atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional e do Sistema Único de Segurança Pública do governo Bolsonaro), Almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira (ex. Comandante da Marinha) e Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato (ex.comandante da Força Aérea Brasileira). Além do interventor do Estado do Rio de Janeiro, General Walter Souza Braga Neto; o então Secretário Nacional de Segurança Pública e ex. Ministro da Secretaria de Governo do Bolsonaro, Carlos Alberto Santos Cruz; o ex.Presidente da Funai dos governos Temer e Bolsonaro, General Franklimberg Ribeiro Freitas; o ex. Chefe de Gabinete da Casa Civil, ex. Secretário Executivo Adjunto do GSI e atual Secretário Executivo da Secretaria Geral, Roberto Severo Ramos; e o estratégico General Sérgio Etchegoyen, que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). 

Vemos que diversos dos citados acima fizeram parte dos dois governos golpistas, confirmando a tese de Temer, que Bolsonaro é a continuação de seu governo. Bolsonaro não somente deu continuidade, como aprofundou o programa de destruição nacional iniciado por Temer e a alocação de militares em cargos civis, ultrapassando mais de 2500 militares no governo.

Etchegoyen, que foi o chefe da inteligência e da repressão durante o governo Temer, teve uma reunião no dia 09 de junho de 2017 com o representante da CIA no Brasil, Duyane Norman. O encontro ocorreu no próprio GSI. O caso teve repercussão internacional, por ser incomum a revelação da identidade desses agentes, que geralmente atuam por debaixo da superfície política e repressiva. No período em que ocorreu esse encontro, a classe trabalhadora havia realizado a maior greve geral da história e sucessivas batalhas contra a devastação política, econômica, cultural e diplomática, do governo temeroso. 

Posteriormente a esta reunião, para se manter no poder conforme foi constatado por esta tribuna e pelo Pragmatismo Político em época, Temer articulou e acelerou a tramitação da MP 759 que facilita o processo de venda de terras no Brasil para o capital financeiro internacional. As Garantias da Lei e da Ordem (GLO) tornaram-se rotineiras em inúmeros Estados da Federação, causando um imenso banho de sangue no país.

Duyane Norman atua desde 1992 no Brasil defendendo os interesses da CIA no nosso país. Ele também teve um encontro com o Diretor Geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, em julho de 2016, pouco tempo depois de Temer assumir. Certamente, Norman estava acertando as tratativas para a prisão do ex.Presidente Lula e demais presos políticos pela Operação Lava-Jato. Outro agente do Estado Norte-Americano que esteve presente na reunião com Daiello, foi Joseph Direnzo, que é funcionário do Departamento de Segurança dos EUA.

No tocante ao Ministro da Justiça e Segurança Pública e Chefe da Operação Lava-Jato, Sergio Moro, no momento em que esteve com o cargo no governo Bolsonaro abalado pelo escândalo da Vaza-Jato, ele tratou de partir para os EUA sem informar sua agenda oficial, algo que foi feito somente após a viagem. Na realidade, Moro foi receber orientações da CIA e do FBI, entre outros organismos de repressão, para saber como agir ante a situação de abalo do governo, de pressão popular pela liberdade do Presidente Lula e contra todas as medidas tomadas pelo governo desde que haviam assumido.

Anteriormente, Moro e Bolsonaro, na primeira ida das figuras mais destacadas do governo brasileiro aos EUA, foram alinhar seu planejamento político junto a Secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, ao Diretor do FBI, Christopher A. Wray, com a Diretora da CIA, Gina Haspel e o Diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats. Após essa visita, ficou acordada a entrega da Base de Alcântara no Maranhão e da Embraer, além da troca de biometrias de investigados pela justiça dos dois países. Isso é o que veio a ser divulgado pela imprensa burguesa, imaginem o que não foi.

Os níveis de capachismo de ambos os governos golpistas foi tremendo, nunca visto antes na história do país. Nem mesmo a ditadura militar de 1964 foi tão lambe botas do governo norte-americano. Existem ainda aqueles que acreditam no dogma de que o fascismo é essencialmente nacionalista, algo incompatível com os governos Temer e Bolsonaro. É necessário compreender a essência de tudo isso, que se encontra no caráter de classe. 

Ambos os governos ascenderam ao poder político através do estimulo do imperialismo às organizações fascistas que vinham se fortalecendo durante diversos anos com o financiamento do capital internacional. Isso só foi possível com a rotineira submissão da burguesia nacional aos interesses do imperialismo, com essa primeira se juntando a pequena burguesia e ao lumpemproletariado na adoção dos métodos de guerra civil contra a população para fazer acontecer as sucessivas quebras de recordes de lucros dos monopólios bancários. Os únicos que estão rindo a toa com toda essa devastação do país.

Sendo assim, não existe possibilidade alguma de conciliação para derrotar o fascismo no Brasil, afinal toda a burguesia nacional de conjunto, é a materialização da verdadeira faceta do fascismo. Portanto, apenas uma organização nacional e centralizada, dos extratos dos trabalhadores que querem edificar uma luta com métodos adequados para o momento atual, com total independência de classe, poderá derrotar o fascismo que foi criado pela CIA para se apoderar das riquezas de nosso país e prosseguir com nosso endividamento perpetuo.  

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