Quem defende a paz e a soberania nacional dos países, é obrigado a defender o fim da NATO

Após o anúncio do governo da Federação Russa de iniciar a Operação Militar Especial, nos marcos dos Acordos de Cooperação Mútua Militar firmados com as Repúblicas Populares do Donbass, muitas organizações políticas do campo progressista pelo mundo e no Brasil se posicionaram à favor de uma saída diplomática e pelo fim da intervenção militar russa.

Porém, analisando o posicionamento político dessas organizações, fica evidente que a maioria, se não a totalidade dessas entidades, esqueceram de denunciar o papel que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, em inglês) joga para desestabilizar e agredir países soberanos pelo mundo. Ignoraram de forma cínica o golpe de Estado na Ucrânia de 2014 e o genocídio contra a população de Donbass impetrado pelo regime fascista de Kiev. 

Passados mais de 30 anos desde o fim da União Soviética, o álibi utilizado pela organização que era “conter o avanço do comunismo”, não existe mais. Porém, esse não foi nenhum problema para seguirem sua expansão. A NATO reciclou o seu discurso e não deixou de fazer “big bang militar”, ou seja, a expansão constante e sem limites de instalações de bases militares.   

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), reproduz a posição das organizações sociais-democratas da Europa, que falam de respeito das “leis internacionais” e de “paz imediata”. Posição que não é só compartida pela socialdemocracia europeia, mas também pelo próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos, que exigem o “fim imediato das hostilidades de forma unilateral”, apenas para os russos, na mais pura demagogia, quando por outro lado a NATO sob comando dos norte-americanos, entope o Leste Europeu com seus armamentos, assediando as fronteiras com a Rússia.

Na base desse discurso do PT está o “respeito a institucionalidade internacional”. Mas como se pode falar de respeito leis internacionais, se a NATO vem desde muitas décadas descumprindo todos os acordos internacionais e são os maiores violadores das leis? Os EUA se comportam como um líder de uma quadrilha e os países da Europa são seus cúmplices, cometendo diversos crimes de lesa humanidade. Para defender o direito internacional e a paz é preciso antes de tudo defender o fim da NATO.

Nesses últimos 30 anos, a NATO dissolveu a Iugoslávia com bombardeios. Em seu lugar surgiram 7 novos países alinhados aos EUA, que de prontidão foram reconhecidos pela ONU. Processo esse que foi chamado de “Balcanização”. Depois da Sérvia vieram a invasão do Afeganistão, do Iraque, que era acusado pelos EUA de possuir “armas de destruição em massa” e que logo depois foi desmentida. A guerra na Líbia, Síria e Somália foram outros cenários onde não houve nenhuma exigência para aplicar o direito internacional e nem o princípio de não agressão dos Estados Soberanos, pelo Ocidente.

O conflito na Ucrânia foi a oportunidade para NATO recuperar seus lucros, que haviam perdido durante a crise de 2008 e a pandemia. Na Europa, os países da organização vinham reduzindo ano após ano o orçamento militar em defesa, porém nos últimos anos foram obrigados aumentar em 2% da sua receita para aplicar no fundo da NATO. Hoje, 70% dos gastos militares internacionais são da aliança.

Hoje, Lula fala de “mesa de negociações”, porém serão os fascistas do Regime de Kiev que a esquerda internacional quer transformar em interlocutores? Os Estados Unidos são os grandes responsáveis por destruir qualquer posição política racional na Ucrânia, que nesse momento poderia sentar e negociar a paz com a Rússia. O golpe de Estado de 2014 de Washington contra a Ucrânia e a aplicação brutal do programa neoliberal, colocaram no poder radicais ultradireitistas que perseguiram e eliminaram a possibilidade de existência de qualquer posição política racional. Todos aqueles que se opunham as políticas de Kiev, logo eram acusados de “colaboradores da Rússia” e banidos de seus empregos e da política. Muitos políticos e jornalistas opositores foram assassinados a sangue frio pelas milícias fascistas apoiadas pelos EUA. Como esquecer dos 46 sindicalistas queimados vivos dentro da sede do sindicato em Odesa?

O presidente Lula novamente troca a política pelo marketing e publicidade. Ele apenas fala o que agradas as pessoas e não exerce o seu papel de liderança política, que deveria buscar a reflexão dos brasileiros para os problemas reais. É irritante afirmar o obvio, mas ninguém, a não ser os magnatas da indústria armamentista norte-americana e europeia, que querem guerra. A Rússia está buscando à décadas garantias para sua segurança com o Ocidente. Putin não tem nada de radical, ele é um político até muito moderado, pois vamos lembrar que ele se absteve da agressão da NATO contra a Líbia. 

Ademais, Lula não pode ser considerado um Estadista, porque ele prova o uso da “paz e diálogo sem limites”, mesmo que em determinados momentos a defesa nacional exija aplicar o poder de persuasão militar contra os inimigos externos (EUA). O principio da paz não é um mantra dogmático que se aplica em todas as situações. Não queremos um “Papa de esquerda”, queremos um presidente com coragem para defender o Brasil.

Brasil não é Estados Unidos ou Europa onde as Forças Armadas servem unicamente para destruir a soberania de outros países, para o Brasil ter Forças Armadas verdadeiramente nacionalistas é uma questão chave para termos soberania. Mesmo sabendo que desde 1964 o nosso Exército é controlado pelos EUA. Um estadista precisa ter dimensão do poder e ter coragem para defender seu país. E não só ceder e ceder, como faz Lula.

Ele diz que “ninguém pode concordar com a guerra”, mas isso é outra falsa polêmica, porque foram os EUA que declararam guerra à Rússia e o pacifismo é suicídio. E convenhamos, nas guerras modernas não existe isso de enviar um memorando declarando guerra oficialmente. Colocar armamento pesado na fronteira e ameaçar a Ucrânia de se rearmar nuclearmente é agressão suficiente. Na verdade, esse pacifismo é uma farsa, é apenas retorico, porque quando presidente, Lula não pestanejou em enviar o Exército Brasileiro para o Haiti e para o Congo, e até mesmo para ocupar favelas no Rio de Janeiro.

A tarefa dos comunistas, nessa situação de alto grau de histeria na esquerda, deve ser o de explicar de maneira clara e firme, qual é a posição mais acertada para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e pela consolidação das reivindicações nacionais. O exemplo do conflito na Ucrânia, onde esta nação serviu de Estado Satélite (colônia) do imperialismo para atacar um outro país de capitalismo atrasado, é bastante pedagógico para a evolução da consciência do proletariado brasileiro, na luta pela consolidação da soberania nacional do Brasil. Em nossa experiência recente na América-Latina, vimos as tensões provocadas pelo imperialismo norte-americano, em suas provocações, tentativas de invasões e assédios à fronteira da Venezuela, valendo-se de governos capachos como os do Brasil, Chile, Colômbia e Equador.

Antes de ter um país, não há possibilidade de haver socialismo. Por isso, a questão nacional, é a o elemento fundamental do caminho para o socialismo no Brasil e nos países de capitalismo atrasado dominados pelo imperialismo. E para se ter consolidação nacional nos países de capitalismo atrasado e o estabelecimento da paz mundial, é preciso acabar com a NATO e sua máquina de guerra.

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