Operação Militar Especial da Rússia na Ucrânia e a posição anti-imperialista – Coluna

Por Gabriel Araújo

Desde o dia 24 de fevereiro de 2022, a conjuntura política internacional tem obrigado diversos elementos políticos em todo planeta (de direita e de esquerda) das classes sociais existentes à divulgar seu posicionamento diante da Operação Militar Especial realizada pela Rússia contra a Ucrânia e o imperialismo norte-americano. Essa questão, por sua magnitude, tem sido muito importante para verificar o grau de contraposição ao imperialismo desses elementos políticos.

A Ucrânia nos últimos oito anos tem um regime político ditatorial onde os elementos nazistas são figuras fundamentais para a sustentação desse tal regime. Esse quadro político, se deu e consolidou, claramente, por uma intervenção do imperialismo norte-americano, através de um golpe de Estado que derrubou o Presidente Viktor Ianukovytch. Desde então, são oito anos de ataques, bombardeios, perseguições, prisões e assédios à fronteira russa. Além da expansão das Tropas da OTAN na Europa rumando para às fronteiras russas e possibilidade da Ucrânia adentrar nesse clube militar do imperialismo.

O objetivo desse golpe de Estado e do estabelecimento dessa ditadura fascista, que se deu no mesmo período do início golpe no Brasil, foi justamente consolidar um regime político fantoche que servisse de correia de transmissão dos interesses do imperialismo no país do leste europeu, no campo político, econômico e militar. 

O golpe na Ucrânia e seu caráter fascista, ganhou uma proporção de regime de força, muito mais às claras do que no Brasil. Porém, por obedecer à uma cadeia de comando da mesma hierarquia, existem muitas semelhanças evidentes. 

Para refrescar a memória e fornecer um caso como mediação para a interpretação: a tentativa de invasão militar na Venezuela que ocorreu em 2019, que teve como bucha de canhão outros Estados que adotam uma postura de satélites da política do Departamento de Estados dos EUA, como Colômbia, Chile, Equador e Brasil, sob a desculpa fajuta de ajuda humanitária, nos colocou em uma situação aproximada para ver de perto como os EUA usam regimes fantoches para desestabilizar e provocar conflitos bélicos longe de suas fronteiras, porém para única e exclusivamente, impor a concretização de seus interesse e portanto de sua política.

Em época, inclusive, estava levantada possibilidade da entrada do Brasil para a OTAN (mesmo sendo um tratado militar de nações do Atlântico Norte e que só abre brecha para entrada de Estados europeus), tanto é que, posteriormente, Donald Trump designou nosso país como aliado extra-OTAN. Essa denominação serve para designar países considerados aliados estratégicos militarmente para os EUA e a OTAN, onde estes últimos podem despejar seus equipamentos bélicos e deixar uma gorda dívida para quem os compra.

Nesse sentido, temos duas experiências recentes, que evidenciam a manobra do imperialismo norte-americano para se valer de Estados Hospedeiros enquanto correia de transmissão de sua política, para destruir a soberania nacional de países que travam uma luta anti-imperialista. O caso da Ucrânia, foi onde a taça transbordou, provocada pelos sucessivos assédios da OTAN e dos EUA, contra a Rússia, deixando esta última sem outra saída, senão à Operação Militar Especial para frear a sanha por guerra do imperialismo.

A Rússia, apesar de se destacar no terreno militar, é um país de capitalismo atrasado e que não possui uma política expansionista, como muitos querem dizer, fazendo coro com o discurso oficial dos EUA e da União Europeia. O orçamento militar russo e sua presença militar em outros territórios com bases militares, é algo irrisório perto dos gastos e das bases militares da OTAN e do imperialismo em todo o planeta. Apenas isso já bastaria para saber qual deve ser a posição de alguém que reivindique o anti-imperialismo e a paz.

A ofensiva da OTAN e do imperialismo de uma maneira geral, no terreno militar, com o aumento de seus orçamentos de defesa e com suas guerras uma atrás da outra, são demonstrações claras de que o neoliberalismo é um modelo de organização produtiva e de exploração, que só se sustenta por meio de uma política de força contra os países de capitalismo atrasado. E é isso que está em questão em relação à este conflito, e não algum aspecto moral, que busca identificar em fragmentos da questão, o seu eixo central, causando uma profunda confusão e perca de tempo, servindo para desviar o foco do fundamental.

Nesse sentido, apoiar a Rússia nesse momento onde sua soberania vem sendo atacada por um Estado que serve de correia de transmissão da política do imperialismo norte-americano, é a posição acertada e a única posição anti-imperialista. Sem exigir o fim da OTAN e de sua política de destruição da soberania dos países, não existe luta pela paz de maneira concreta.

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