Rússia deve ser apoiada por todos aqueles que querem a independência do Brasil dos EUA

A Operação Militar Especial para a defesa da soberania da Federação Russa, lançada no último dia 24 de fevereiro, na sequência de 15 anos de reivindicações de segurança russa negligenciadas pelos Estados Unidos, implica na mudança do cenário geopolítico, cujo efeito imediato afronta a dominação imperialista norte-americana do pós-Guerra e o Consenso de Washington, que passa desde a disputa do comércio de energia, da defesa do nacionalismo, da ingerência à soberania nacional pela ONU e/ou NATO, da tutela dos Estados pelo Vaticano e até a derrubada da farsa do “Livre Mercado”, que expulsou a Rússia, após 30 anos de tentativas de fazer parte do mesmo.

Em primeiro lugar, a Rússia está se defendendo das constantes ameaças da NATO, que através de um regime títere de Washington, conduzido ao poder via golpe de Estado, está militarizando a fronteira, nazificando o Regime e massacrando a população russa no Donbass à mais de 8 anos.

A Operação Especial Militar Russa empreendeu uma ação cirúrgica, destinada a desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia. Segundo dados do Ministério da Defesa da Rússia, divulgados no dia 28 de fevereiro, 1.146 objetivos de infraestrutura militar ucraniana foram destruídos. Incluindo 31 postos de controles e de comunicação, 81 complexos de defesa antiaérea S-300, Buk M-1, assim como 75 radares.

Além disso, foram destruídos 311 tanques e outros veículos blindados de combate, 42 aviões e helicópteros, 51 sistema de lançamento de foguetes múltiplos, 147 peças de artilharia e morteiros e 263 unidades técnicas automobilística militar. Toneladas de equipamentos da NATO caíram nas mãos das tropas russas e dos aliados das Repúblicas Populares do Donbass. O Departamento de Defesa Russo também informou que, nas últimas 24 horas, 110 soldados ucranianos depuseram armas e se renderam voluntariamente. Disse que, foi informado que as Forças Militares das Repúblicas de Donetsk avançaram 16 km, libertando quase 20 povoados das forças de ocupação da Ucrânia. Nesse mesmo período, foi anunciado que a Rússia tem o controle do espaço aéreo da Ucrânia.

Essa operação tem características do “shock and awe”, realizado pelos Estados Unidos contra o Iraque, há 20 anos atrás, mas ao contrário dos norte-americanos: a operação atual não busca conquistar, mas defender a soberania nacional russa. A liderança político-militar em Kiev nem teve tempo de declarar guerra. Na primeira hora de combate, a artilharia de Donetsk y Lugansk neutralizaram o Quartel General ucraniano, quebrando a cadeia de comando, tropas desmoralizadas começaram a desertar. Os ataques que seguiram levou a derrota total da Ucrânia, em menos de uma hora.

A partir deste ponto, pode-se deduzir o impacto e o significado estratégico da Operação Especial russa, que reverteu o acúmulo militar impulsionado pela NATO na Ucrânia. Afastou a ameaça do país entrar na NATO e dinamitou os fascistas do poder. A operação, em suma, tem sido um reflexo da superioridade militar da Rússia e como seus avanços tecnológicos não conseguem ter concorrentes.

Por outro lado, as mídias da Europa e Estados Unidos ecoam a propaganda de guerra do Pentágono. Assim como na guerra do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e/ou da Síria, a imprensa mente descaradamente e censura qualquer opinião divergente. Na Europa e Austrália, os sinais das mídias russas foram cortados. Desnudando a censura e a falta de liberdade de imprensa na Europa, EUA e América Latina.

Esses hipócritas chamam milícias nazistas, grupos jihadistas salafistas e mercenários de “resistência ucraniana”. Enquanto isso, a população civil, incluindo idosos e crianças, são obrigados a lutar, porque a Ditadura de Kiev impôs a Lei Marcial. O presidente palhaço da Ucrania, Zelenski – o Guaidó ucraniano, fomenta a histeria norte-americana e empurra a população para o suicídio coletivo. Supervisores militares dos EUA buscam criar episódios de bandeira falsa e colocam a população como escudo. O fato é que “resistência ucraniana” é apenas uma peça de ficção criada pelos Estados Unidos, e eles sabem muito bem disso.

Os Russos dominam o cenário militar não só no Mar Negro como também no Mediterrâneo Oriental. Por exemplo, na base militar russa na Síria, há agora quatro bombardeiros estratégicos navais TU-22M3, cada um capaz de transportar três mísseis supersônico S-32 com alcance de mais de 1.000 km. Também há os Mig-31K, equipados com os mísseis hipersônicos Khinzal. Esses equipamentos são suficiente para afundar qualquer grupo naval dos EUA, incluindo seus obsoletos e caros porta-aviões. Nenhum Sistema Aegis da marinha norte-americana é capaz de lidar com os misseis russos. Em termos geopolíticos, pela primeira vez, desde a criação da NATO, a aliança enfrenta uma restrição objetiva de suas capacidades de agressão em escala global. Nem na época da URSS vimos episódio similar, e isso foi reconhecido pela própria representação diplomática dos EUA no conselho de Segurança da ONU.

No aspecto econômico, a escala de “sanções” criminosas dos Estados Unidos, Reino Unido e União Européia contra a Russa fez com que os preços do petróleo e do gás começassem a subir. Hoje, dia 28/02, está em mais de U$ 95 o barril. No entanto, até agora, o gás russo através da Ucrânia continua sendo bombeado normalmente para a Europa, de acordo com a Gazprom (Empresa de gás da Rússia).

A Rússia é o principal fornecedor de energia para a União Europeia. Os 27 países da UE dependem de 41% do gás russo. Deles, 13 países dependem de mais de 95% do gás russo. São os próprios europeus que veem as suas contas de energia serem elevadas, enquanto seus lideres políticos se ajoelham perante a política criminosa de Washington.

Não é só a energia que ficará mais cara para os europeus, a Rússia também é considerada o celeiro da Europa. Por exemplo, o país é responsável por 18% do trigo do mundo. A Rússia também é importante no setor de fertilizantes, e o conflito fez o preço do produto explodir, chegando à 180%, em um único dia, segundo a Forbes. Os fertilizantes russos são fundamentais na cadeia alimentar da Europa e com impacto nos preços mundiais dos alimentos. É possível que os países da América Latina vejam o preço dos alimentos subir ainda mais nos próximos meses, dado o crescimento das exportações para sustentar o padrão de consumo europeu. Nesse conflito, instigado pelos EUA, o único que sai ganhando é o próprio Estados Unidos.

Agora, embora a medida para desvincular a Rússia do sistema SWIFT ainda não esteja contemplada (por enquanto), a China e a Rússia já haviam criado sistemas semelhantes ao SWIFT para contornar as “sanções”. Nos últimos anos, a Rússia criou o SPFS (Sistema de Transferência de Mensagens Financeiras), seu próprio SWIFT. Em 2019, vários bancos russos aderiram ao China International Payments System (CIPS), análogo ao sistema internacional SWIFT criado pela China.

No entanto, o anúncio das sanções tem arestas. “Alguns bancos russos” serão afetados e, em tese, as operações de câmbio de petróleo e gás, os principais motores da economia russa, que respondem por 53% de suas exportações, não ficarão comprometidas.

Os atrasos nas operações financeiras já estão gerando o aumento dos preços. Esse preço vai diretamente para os custos das indústrias e da eletricidade, questão particularmente sensível na Europa.

Embora o governo de Joe Biden tenha apontado que a estratégia de asfixia seria evitar que o uso das reservas nacionais russas fosse drenado nos mercados financeiros ocidentais. Entretanto, apenas cerca de 16% das moedas da Rússia são atualmente mantidas em dólar, abaixo dos 40% de cinco anos atrás. Cerca de 13% é agora detido em renminbi chinês.

Nesse sentido, a guerra comercial, financeira e econômica em curso provoca fraturas e um repensar estratégico do quadro econômico mundial, onde os Estados Unidos avançam ilegalmente para impor custos e entraves aos que se relacionam com a Rússia. No entanto, diante da afirmação dos interesses nacionais em diversos países em termos de integração comercial e financeira, oferece um caminho de resistência, não só para a Rússia, mas para os países que também estão sujeitos à guerra econômica de “sanções”.

A guerra na Ucrania matou o “espírito mentiroso do livre mercado”. Essa retórica norte-americana que sugere um mundo plenamente integrado, sob a égide do neoliberalismo, onde as fronteiras e a autonomia econômica seriam gradualmente dissolvidas pela imposição de um esquema de relações econômicas globais com irrestrita mobilidade de capital, liberdade de investimento e vantagens comerciais, foi para a lata do lixo da história.

Da mesma forma, que a encruzilhada dos Estados Unidos na hora de “bombardear” a economia russa, tem o dilema de que ao fazê-lo e cortar seus laços, o Washington acaba forçando os russos a criarem novas alternativas, se industrializar cada fez mais e fortalecendo o espírito e a autoconfiança nacionalista do povo da Rússia.

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