Suposto “imperialismo russo” nunca existiu . Rússia é anti-imperialista e contra um governo global – Parte 1

A operação especial militar da Rússia em território ucraniano, anunciada no dia 24 de fevereiro, pelo presidente Vladimir Putin, evidenciou o poder da propaganda norte-americana no mundo. Essa propaganda encontra mais oposição dentro dos Estados Unidos, do que fora. Também provou que grande parcela da esquerda mundial é controlada do Partido Democrata dos Estados Unidos.

A chamada esquerda comunista, herdeira dos velhos partidos soviéticos, mostrou com essa crise algo que já era identificado anteriormente, desde as chamadas “Revoluções Coloridas (entre 2010 à 2016), ela está sob o manejo operativo do Departamento de Estado dos Estado Unidos. Por ignorância ou por infiltração, não importa, Partido Comunista da Grécia (KKE), da Alemanha (DKP), Itália (PCI), Espanha (PCE), França (PCF), Turco (HDP), Venezuela e até mesmo o PC da Rússia, adotaram uma posição “miss universo” pela Paz Mundial e denunciaram o que eles chamaram de “guerra imperialista” ou até mesmo a sandice de falar de “imperialismo russo”. Posição que não tem diferença alguma dos partidos sociaisdemocratas, da nova esquerda identitária ou dos partidos verdes. O objetivo dos PCs é fazer um discurso moderado e centrista pela “paz”, para no fim das contas agradas seus aliados da socialdemocracia, e assim comer as migalhas deixadas pelos pelegos que ocupam cargos políticos e nos aparelhos burocráticos.

Raras foram as exceções nesse meio dos PCs que desvirtuaram da propaganda norte-americana, que muito mais influenciadas por posições de Estado, adotaram posições favoráveis à Rússia, como foi o caso do PC de Cuba, PC Chinês e PC da Índia.

A acusação da Rússia ser um país imperialista não se sustenta, nem usando o marxismo, como abordou a Revista parceira da Voz Operária, Ciência dos Trabalhadores, em recente texto sobre a questão, e nem com os dados históricos do passado e muito menos do presente. A Rússia sempre foi um conglomerado ético, cultural, religioso de diversos povos, que se aglutinavam em torno da proteção do Estado centralizado Russo para autodefesa. Os povos que compunham o antigo Império Russo e posteriormente a URSS, jamais tiveram uma cultura nacional independente, tendo sido uma criação moderna, fruto do Consenso de Washington, o surgimento de Estados como Cazaquistão, Ucrânia, Bielorrússia e entre outros.

É revisionismo histórico quando historiadores ocidentais falam de “imperialismo russo”, como a Rússia tivesse se expandindo e oprimindo todos os povos ao seu redor. Essa história não é da Rússia, mas sim dos Estados Unidos, que na sua expansão ao Oeste, anexou terras dos colonos francês, exterminou os povos indígenas e roubou territórios do México. Seu expansionismo nunca parou e agora ocupa até o espaço.

O imperialismo é um fenômeno histórico que compreende duas fases, fruto do colapso dos antigos reinos católicos e remonta a crise do poder de Roma no final da Idade Média. Com a primeira fase colonial (entre os séculos XVI e XVIII), Roma reorganizou os Regimes Monárquicos e derrubou as monarquias que não eram alinhadas a sua estratégia de poder. Colocando muitas vezes a maçonaria para influenciar as revoluções e converte-las nas sínteses buscadas por Roma. Durante a segunda fase desse processo, o colonialismo moderno (entre o século XIX e meados do XX), na sua fase imperialista, houve um remanejamento dessa estratégia. Com a Primeira Guerra e Segunda Guerra, todo esse esquema desmoronou e foi reorganizado no pós-guerra.

A partir dai, os EUA se tornam os herdeiros de todos os impérios coloniais e ativam sua inteligência militar, policial e civil para organizar os blocos de poder. Na segunda metade do século XX, a pretexto de combater o comunismo (que na realidade nunca foi uma ameaça), os EUA iniciaram um processo de invadir diversos países e promover golpes de Estado: Golpes em toda América Latina, Guerras na África e Ásia.

A Rússia é exatamente o resultado do manejo da crise do poder de Roma, que busca dominar o mundo com um governo único e com uma única religião. Para entender isso, precisamos remontar as origens da formação da Rússia. Por volta dos séculos IX e X, os povos vikings estabeleceram rotas comerciais com o Império Bizantino. Seus barcos versáteis, navegavam pelo Mar Báltico, eram desmontados e transportados por terra até o rio Dniéper e até chegar ao Mar Negro. Nessa época, se desenvolveu uma importante rota comercial, o que levaram os Vikings a fundar postos comerciais, que mais tarde originaram nas primeira cidades, tais como Novgorod e Kiev. Isso gera no início do século X, a fundação da Rússia de Kiev, nação que seria o berço da Rússia moderna.

Em meados do século X, uma rebelião tomou conta do Império Bizantino, grande sócio comercial da Rússia de Kiev, que por sua vez enviou tropas para auxiliar o Imperador no sufocamento da insurreição. Em troca, o príncipe russo fortalece os laços com Constantinopla e se converte ao cristianismo, através do casamento com a família real. Dessa forma, o cristianismo bizantino se converte na religião oficial do Estado da Rússia de Kiev.

Justamente nessa época, o Papa de Roma, São Nicolau I, usurpou o poder supremo para ensinar o cristianismo e governar. Se autoproclamando representante de Deus na terra. A expansão do poder de Roma provocou uma crise dentro do catolicismo, o que levou o Patriarca de Constantinopla e o Papa de Roma a se expurgarem mutuamente, porém foi no meado do século XI que marcou a divisão das duas Igrejas Ocidental e Oriental. Dessa forma, a religião ortodoxa se reforça como a identidade nacional russa. Em resposta, Roma fomenta que os eslavos polacos se convertam ao catolicismo, criando o Ducanato da Polônia e aumentando a divisão com os eslavos russos.

A política de Roma se torna cada vez mais beligerante para esmagar os cristãos ortodoxos. Em 1198, o Papa Inocêncio III, lança a Quarta Cruzada, que pelo sul, originalmente visavam atacar Jerusalém, mas que ao chegar na Grécia, muda de rota e se dirige à Constantinopla. A cidade é sitiada e pilhada pelos católicos, o que força o Patriarca de Constantinopla a se mudar para Kiev. Porém, o Império Bizantino se divide e os Russos perdem seu principal aliado militar e comercial.

A ofensiva católica não para por ai, ao mesmo tempo, pelo norte, o papa lança as Cruzadas Bálticas, que visava converter os povos do mar báltico ao cristianismo e atacar os russos pelo norte. A Ordem Teutónica, vinda da Fortaleza de Acre (hoje costa de Israel), ocupam a região báltica e promove uma série de campanhas no interior da Rússia. Entretanto, nesse contexto, a Europa é surpreendida pela chegada dos mongóis. Pelo leste, iniciasse a invasão dos tártaros, um tribo vassalo dos mongóis, que logo ocupam as estepes russas. A existência da Rússia foi ameaçada pela primeira vez. Kiev, capital do Reino, foi incendiada e o Patriarca teve que se mudar para Novgorod, com o país sendo assediado por todos os lados, polacos católicos pelo oeste, cavaleiros teutônicos pelo norte e tártaros pelo leste. Porém, esse momento difícil reforça a unidade dos povos da região da Rússia para defender sua terra, seu modo de vida e a sua religião. Fortalecendo desse modo uma identidade nacional russa.

Assim, em 1242, apenas dois anos após o assedio de Kiev pelos Tártaros, o príncipe Alexander Nevsky, se converteu em herói da Rússia e Santo para Igreja Ortodoxa, após derrotar os cavaleiros teutônicos, na chamada Batalha do Gelo. Episódio que em 1938, se tornou filme pelo cineasta soviético Serguéi Eisenstein.

Com o declínio da Ordem Teutônica nos bálticos, ordem que influenciou a criação da Prússia séculos mais tarde e seus descendentes faziam parte da aristocracia prussiana, emerge o Reino da Lituânia, cujo o rei era pagão, mas que se converte ao catolicismo por via do casamento com a herdeira do reino da Polônia. Assim, o Vaticano consegue criar uma super potência católica na região para afrontar a Rússia. Logo, o Papa coloca em marcha seus antigos planos contra a Rússia, invade os antigos territórios da Rus de Kiev, marcando a divisão entre norte e sul da Rússia.

Em 1480, após a expulsão dos tártaros, leva a formação do Grande Principado de Moscou. O Vaticano segue sua guerra religiosa e orienta o Rei Polaco-Lituano a conversão dos ortodoxos pela força, o que gera uma rebelião generalizada. Kiev é sitiada, levando o Patriarca a se transladar para a jovem Moscovia, que é chamada de terceira Roma. Os ataques do Vaticano contra a população ortodoxa é o estopim para eclodir uma rebelião popular na região, arrastando o Reino de Moscou na guerra para proteger sua população russa e ortodoxa.

Depois delongas décadas de guerras entre o Reino Polaco-Lituano, finalmente a população ortodoxa expulsa as autoridades católicas e os judeus, acusados de explorar via impostos os russos. Nessa época, sobe ao trono Ivã IV Vasilyevich, chamado de Ivã, o Terrível, que ganha o título de czar (que provêm do latim caesar). Ele foi responsável por consolidar os limites territoriais da Rússia Europeia, conquistando os Califados Mulçumanos próximos ao Rio Volga no sul e criando um Estado autocrático centralizado, com uma burocracia e um exército profissional. Com a morte de Ivã, inicia uma guerra civil e uma nova invasão Polaca-Lituana e que agora também conta com a ameaça do Reino da Suécia. Décadas depois, os russos consegue expulsar os estrangeiros e levar um Romanov ao trono, levando estabilidade política para Rússia. Lembrando que nessa mesma época, na Europa estava em marcha o renascentismo, que questionava a autoridade do Papa, assim, os Russos tiveram um pouco mais de margem de manobra para conseguir afrontar a presença do poder de Roma no leste europeu e consolidar seu Estado.

Portanto, é importante conhecer a história da Rússia, para entender que os bielorrussos e ucranianos possuem 1300 anos de história com os russos. Eles são exatamente o mesmo povo, sendo a criação desses Estados recente, apenas 30 anos, uma invenção moderna. 30 anos, em termos históricos é realmente ontem. A presença russa nesses territórios se deu sempre na tentativa daqueles próprios povos se defenderem, em especial, dos constantes assédios de Roma, que tenta até hoje destruir a Igreja Ortodoxa Russa e criar um governo único global. Não é por acaso o envolvimento do Vaticano no golpe de 2014 na Ucrânia, inclusive com benzendo armas do Batalhão Azov. A ligação de Roma com Nazistas não é de hoje, e o Papa está envolvido profundamente com nazismo. O recente apoio do Papa Francisco, que aqui no Brasil tem gente que insiste em chama-lo de aliado, ao regime de Kiev mostra que Roma ainda vê a Rússia como ameaça. Inclusive o Vaticano está por trás da divisão entre a Igreja de Kiev e de Moscou e a perseguição aos ortodoxos na Ucrânia.

Por fim, para esse texto não se tornar um livro de história gigante, abordarei em um próximo texto o período histórico do colonialismo e a fase imperialista, mostrando com os fatos históricos que a Rússia jamais ocupou uma posição imperialista no mundo, pelo contrário, é anti-imperialista e uma barreira para criação do Império Global, que o Vaticano está buscando formar à mais de um milênio, usando diversos Estados ao logo da história.

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