EUA reconhecem Maduro como Presidente da Venezuela e jogam Guaidó no lixo

No dia 07 de março, o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu uma delegação de alto nível dos Estados Unidos que visita Caracas neste último fim de semana. Foi o primeiro contato entre ambos os países, desde que Washington cortou relações diplomáticas com Caracas com o reconhecimento do autoproclamado Guaidó e a tentativa frustrada de golpe de Estado.

Mais cedo ou mais tarde, Washington devia reconhecer sua estratégia falida de desestabilização e negociar com o governo real da Venezuela. A reunião, que foi acompanhada por toda imprensa norte-americana e confirmada pela porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, tem grande importância simbólica já que o governo Joe Biden até então se recusavam a estabelecer qualquer tipo de contato com o governo venezuelano. No início do governo Joe Biden, Antony Blinken, Secretário de Estado dos EUA, chamou Maduro de ditador sanguinário e reconheceu Guaidó como presidente autoproclamado, em sabatina no Capitólio.

O senador Marco Rubio, atacou o governo Joe Biden e qualificou a oferta de “levantar sanções em troca de petróleo” no atual contexto geopolítico como uma ofensa aos que “lutam” pela liberdade na Venezuela. Ele qualificou o governo Biden como fraco e suscetível à pressões.

Independentemente dos motivos que levaram o governo Biden a solicitar a reunião com o Executivo venezuelano, o grande perdedor é, sem dúvida, o “projeto Guaidó”, que é justamente uma marca registrada da arrogância imperial norte-americana.

A visita, inédita em um quadro de hostilidades e desconexão diplomática, foi uma espécie de “esforço” para romper a relação russo-venezuelana, já que, segundo o New York Times, o governo de Nicolás Maduro “poderia começar a ver Putin como um aliado cada vez mais fraco.” Porém, como confirmaram as próprias autoridades norte-americanas o objetivo foi o comércio de petróleo.

Mas a arrogância do governo Biden fica mais evidente se colocarmos a lupa nos atores (segundo o Washington Post) que teriam visitado o Palácio de Miraflores. Entre eles estão: Roger Cartens, ex-tenente-coronel das Forças Especiais do Exército dos EUA que participou da invasão do Panamá em 1989; Juan González, diretor do Conselho de Segurança Nacional, que recentemente declarou que as “sanções” contra a Rússia foram projetadas para atingir Cuba, Nicarágua e Venezuela; James Story, do Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos em Bogotá, operador político dos principais golpistas venezuelanos.

Em 2019, quando o governo de Donald Trump apertou o bloqueio financeiro contra a Venezuela na forma de um embargo de energia, roubando dinheiro do Citgo, empresa da PDVSA nos Estados Unidos, e do Estado venezuelano para transferi-los para as mãos de bandidos do grupo do Guaidó, os produtos da PDVSA deixaram de ter lugar no mercado norte-americano; As empresas russas tomaram esse espaço negado à República Bolivariana.

Agora que o governo de Joe Biden decidiu desencadear uma guerra econômico-financeira em larga escala contra a Federação Russa, que já vinha sendo promovida com certo teor desde 2014, os interesses energéticos dos Estados Unidos correm perigo com a alta inflação doméstica ao mesmo tempo que as eleições legislativas estão marcadas para novembro próximo.

A Venezuela não está disposta a cometer suicídio estratégico e político renegando a cooperação com a Rússia, tendo os mesmos agressores do outro lado da rua e compartilhando interesses que nada têm a ver com ideologia e tudo a ver com sobrevivência da Venezuela e Rússia. A ofensiva multilateral dos Estados Unidos contra os dois países fortaleceu os laços de solidariedade e o apoio mútuo entre Rússia e Venezuela.

Venezuela resistiu até agora as sanções dos EUA, e nada indica que agora vão fazer o jogo sujo do governo Biden. Inclusive resistiram no pior momento da pandemia, quando os Estados Unidos roubaram recursos da Venezuela e impedia a compra de mascaras, medicamentos, vacinas e respiradores. A loucura imperial é tão grande que chegaram a bloquear medicamento para o tratamento de câncer de crianças venezuelanas. Nesse sentido, a ajuda da Rússia foi extremamente fundamental e o povo Venezuelano sabe disso.

Para os militares covardes e traidores do Brasil, que acham que os Estados Unidos é aliado, esse é mais um exemplo que os Estados Unidos vão descarta-los quando eles acharem apropriado. Porque mais uma vez, os EUA mostram que não tem aliados, somente tem interesses. Afinal, essa postura dos EUA é até logica, se o militar golpista é capaz de trair o próprio país, porque os Estados Unidos iriam confiar nele? Por isso, eles se fazem de amigos, mas guardam profundo desprezo.

Já os irresponsáveis e neoliberais da imprensa brasileira, que fizeram uma campanha histérica contra a Venezuela em 2019, deu uma cobertura ridícula da reunião entre EUA e Venezuela. Irresponsáveis também é a esquerda identitária, no estilo Marcelo Freixo, Chico Alencar, Luciana Genro e outros, que defendiam a renúncia do Maduro e a posse do Guaidó, e agora simplesmente desapareceram. Mostrando a covardia e a falta de escrúpulos dessa esquerda que não tem a coragem de assumir um erro.

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