O que se sabe do programa de armas biológicas dos Estados Unidos na Ucrânia?

No dia 06 de março, o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashénkov, informou que os Estados Unidos vêm realizando trabalhos para potencializar as propriedades patogênicas de doenças com o governo ucraniano. Ele acrescentou que patógenos perigosos, que eram evidências de um programa de desenvolvimento de armas biológicas financiado pelo Pentágono, foram destruídos às pressas nesses laboratórios. Mostrando assim que os Estados Unidos estão violando a Convenção sobre Armas Biológica.

A denuncia foi reforçada pelo estudo publicado pelo chefe da divisão biológica e química das Forças Armadas da Federação Russa, general Igor Kirillov, que informou a existência de uma rede com mais de 30 laboratórios biológicos divididos em países da extinta União Soviética, incluindo Ucrânia.

Rússia informa que a atividade dos laboratórios biológicos na Ucrânia, especificamente, causou um aumento de casos de rubéola, difteria, tuberculose, sarampo, cólera, botulismo, poliomielite, hepatite A e gripe.

Em abril de 2021, Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, disse que laboratórios dos EUA estavam abrindo “com uma estranha coincidência” perto das fronteiras da Rússia e da China, e que surtos de doenças não típicas dessas regiões foram detectados nas áreas adjacentes.

No dia 10 de março, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, negou as acusações da Rússia. Na histeria da propaganda, Psaki afirmou que “Moscou “que tem um histórico longo e bem documentado de uso de armas químicas”, porém os EUA acusam a Rússia de realizar uma prática feita por eles em diversos momentos na história. Vale lembrar que foi justamente os Estados Unidos o país que mais usou armas biológicas no mundo, como por exemplo, o agente laranja na Guerra do Vietnã.

No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu a Washington que revelasse informações sobre o que eles chamaram de “atividades ilegais na Ucrânia”. Maria Zakharova, secretária do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, disse que a Rússia tem documentos mostrando que o Ministério da Saúde ucraniano ordenou a destruição de amostras de peste, cólera, antraz e outros patógenos antes de 24 de fevereiro, quando as forças russas entraram na Ucrânia.

Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores da China, disse que “os EUA têm 336 laboratórios em 30 países sob seu controle, incluindo 26 apenas na Ucrânia”. China pediu que aos EUA explicassem as atividades militares biológicas e se sujeitem a verificação multilateral e pela ONU.

Por sua vez, a Rússia solicitou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que ocorreu no último dia 11 de março, para debater a situação dos laboratórios de armas biológicas dos Estados Unidos na Ucrânia. Vasily Nebenszya, embaixador da Rússia na ONU, afirmou que seu governo tem provas que os Estados Unidos conseguiram ampliar a letalidade e o contágio em 50% de diversas doenças pesquisadas nos laboratórios.

Rússia denunciou que os EUA, pretendem criar um episódio de false flag na Ucrânia com armas biológicas. Lembrando que não é a primeira vez que os EUA cometem esse tipo de crime. Em 2018, os EUA acusaram a Síria de usar armas biológicas contra civis em um ataque em Douma, porém, dez meses depois, a própria BBC fez um documentário mostrando que o ataque era falso.

A jornalista búlgara, Dilyana Gaytandzhieva, revelou uma série de documentos que a embaixada dos EUA na Ucrânia excluiu de seu site. Trata-se do financiamento de 11 laboratórios biológicos daquele país por meio da Defense Threat Reduction Agency (DTRA) do Pentágono, programa militar que constitui informação sensível.

Em 2015, de acordo com tratado firmado entre o Pentágono e o Ministério da Saúde da Ucrânia, os EUA proíbem que o governo ucraniano divulgue informações confidenciais sobre o programa biológico e exige que ele transfira os patógenos perigosos para pesquisa biológica do Pentágono. Dessa forma, os laboratórios em território ucraniano estavam sobre total ingerência dos EUA.

O contrato expressa que os Estados Unidos não seriam responsabilizados ​​e nem tomariam medidas de indenização, por danos à propriedade ou pela morte ou lesão de qualquer pessoa nana Ucrânia, ocorrendo como consequência de as atividades realizadas no programa biológico.

A empresa Southern Research Institute (SRI) dos Estados Unidos, são responsáveis por administra os laboratórios militares da Ucrânia. Essa empresa é a principal contratante do Pentágono no âmbito do Programa de Armas Biológicas dos Estados Unidos desenvolvidos logo após a Segunda Guerra Mundial. Foi também responsável pelo programa do antraz, desenvolvido pelo do Pentágono em 2001, no qual era liderado por Ken Alibek, cientista especialista em guerra biológica que vive nos Estados Unidos desde 1992.

Ken Alibek, cientista cazaquistanês e diretor do SRI

Em 2014, no mesmo ano do golpe de Estado na Ucrânia, a Rússia foi afetada por surto de cólera, com alta semelhança genética com cepas relatadas na Ucrânia desde 2011, conforme relatado por um estudo genético do Instituto Russo de Investigação Contra a Cólera em 2014. A polícia russa até lançou uma investigação sobre “infecção pelo vírus da imunodeficiência humana e outras doenças incuráveis”, como a cólera transmitida pela água potável contaminada.

Em janeiro de 2016, cerca de 20 soldados ucranianos morreram do vírus da gripe H1N1 em apenas dois dias e outros 200 foram hospitalizados em Kharkiv. Em março de 2016, haviam 364 mortes em toda a Ucrânia (81,3% causadas pela gripe A H1N1), de acordo com a inteligência da República Popular da Donetsk, o laboratório biológico americano em Kharkiv vazou o vírus mortal.

Em 2016, um surto de botulismo, uma doença de intoxicação provocado pela bactéria Clostridium botulinum, com 115 casos foram registrados e 12 mortes na Ucrânia. Em 2017, as autoridades confirmaram outros 90 novos casos com 8 mortes, para a qual a polícia abriu uma investigação. Os laboratórios do Pentágono na Ucrânia estavam entre os principais suspeitos, já que a toxina botulínica é um dos agentes bioterroristas que já foram produzidos em uma instalação de armas biológicas do Pentágono nos Estados Unidos, como evidenciado por um documento da CIA de 2012.

No verão de 2017, 60 pessoas foram internadas no hospital em Zaporizhia com hepatite, 19 crianças de um orfanato foram hospitalizadas em junho daquele mesmo ano na região de Odessa e em novembro outros 29 casos foram relatados em Carcóvia.

Em janeiro de 2018, 37 pessoas foram hospitalizadas em Mykolaiv, com a infecção altamente suspeita se espalhando rapidamente em poucos meses pelo sudeste da Ucrânia, onde está localizada a maioria dos biolaboratórios do Pentágono.

No dia 08 de março, em Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos sobre a operação militar russa na Ucrânia, a subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, Victoria Nuland, reconheceu a existência de laboratórios biológicos cujo conteúdo Washington gostaria de esconder de Moscou, afirmando: “… estamos trabalhando com os ucranianos em como eles podem impedir que qualquer um desses materiais de pesquisa caia nas mãos das forças russas.”.

Não é a primeira vez na história que os Estados Unidos usam suas colônias para desenvolver armas biológicas. Em 1975, a Direção de Inteligência Nacional (DINA), serviço secreto da Ditadura de Augusto Pinochet, iniciou o programa de armas biológicas, com auxilio dos Estados Unidos. Inclusive realizaram experimentos contra a população Mapuche e membros da oposição.

Em 1976, Michael Townley, agende da CIA no Chile, desembarcou em Washington com a missão de assassinar o ex-ministro do governo Salvador Allende (golpeado em 1973), Orlando Letelier, utilizando gás sarín produzido nos laboratórios norte-americanos no Chile. O plano era envenenar o ex-ministro com uma toalha infectada com sarín, porém, o plano não seguiu e a CIA em conjunto com a DINA optaram por explodir o carro de Letelier em pleno coração da capital dos Estados Unidos.

Investigações judiciais no Chile e nos Estados Unidos indicam que a partir de 1978, laboratórios militares no Chile, sob comando dos EUA, continuaram a desenvolver patógenos perigosos. Um projeto que ganhou novo vigor quando, em 1981, iniciou-se a construção de um novo laboratório químico na Escola de Inteligência do Exército do Chile. O programa continuou operando até o final da Ditadura de Pinochet.

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Um comentário

  1. Muito bomtrabalho.

    Em dom., 13 de mar. de 2022 às 00:01, Voz Operária escreveu:

    > Voz Operária posted: ” No dia 06 de março, o porta-voz do Ministério da > Defesa russo, Igor Konashénkov, informou que os Estados Unidos vêm > realizando trabalhos para potencializar as propriedades patogênicas de > doenças com o governo ucraniano. Ele acrescentou que patógenos peri” >

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