Imprensa neoliberal tenta disciplinar toda esquerda para apoiar nazistas da Ucrânia

Na última terça-feira, dia 15 de março, em um texto intitulado “Por que parte da esquerda apoia a guerra de Putin”, a Deutsche Welle (DW), imprensa vinculada ao governo da Alemanha, tenta sabotar a dissidência e oposição à política militarista de Washington.

Conforme o conflito entre Rússia e Estados Unidos se escala, se exacerbam as contradições, que geram dissidências e oposições à narrativa propagandística norte-americana. Por exemplo, quando vemos que os nazistas ucranianos usam bombas de racimo e fósforo branco contra a população de civil no Donbaas, a propaganda que tenta vende-los de “defensores dos direitos humanos” explode (até literalmente) e expõem a farsa da operação para o próprio público norte-americano. Da mesma forma, quando são revelados a existência de laboratórios de armas biológicas sob controle dos Estados Unidos na fronteira, expõem que os agressores de fato são os EUA, que empurraram a Ucrânia para um guerra que eles jamais poderiam ganhar.

Não existe meios de imprensa independentes na chamada “grande mídia ocidental”, porque todos esses canais internacionais foram criados no pós-guerra com dinheiro dos Estados Unidos, refletindo o ditado popular que diz: “quem paga a banda escolhe a música”. Esses canais são controlados por meia dúzia de empresas norte-americanas, tais como: Warner, CBS, Comcast, Vox, CNN, Disney e outras, que simplesmente ditam a pauta jornalística e eles reproduzem.

Todos esses canais falam a mesma coisa ao mesmo tempo, evidenciando que é uma operação de propaganda. É impossível falar de independência com tamanha sincronia e quando todos chegam as mesmas conclusões. Além disso, é permitido apenas uma visão, estabelecendo a censura contra os meios de comunicação russos.

Desde o início da Operação Especial da Rússia em território ucraniano, iniciada no dia 24 de fevereiro, que podemos contar nos dedos de uma mão o número as organizações de esquerda no Brasil que declararam apoio ao presidente russo, Vladmir Putin. A força da propaganda norte-americana na Colônia Brasileira é tão grande que arrastou na avalanche de histeria boa parte das organizações de esquerda. Mesmo assim, a DW tenta censurar a imprensa de esquerda que vem defendendo a Rússia.

No geral, a posição da esquerda brasileira acompanhou a política da socialdemocracia europeia e do Partido Democrata dos EUA. Ou apoiaram os Estados Unidos ou declararam neutralidade, sintetizada na adesão à pauta da “paz mundial”. Assim, condenando de forma velada a Rússia por se defender e exigindo que ela reivindique as leis internacionais, que os EUA são os primeiros à violar. Lembrando que, toda a crise na Ucrânia foi resultado dos acordo descumpridos pelos EUA no final da União Soviética. Dessa forma, a esquerda continua insistindo na inutilidade institucional e quando alguém reage está ‘errado’ para a visão dela.

A nota da DW escolheu como alvo dos seus ataques o presidente Evo Morales, golpeado pelos EUA em 2019. Evo tem sustentado a necessidade de defenderem o fim da NATO, pois a aliança representa uma ameaça constante a soberania nacional dos países e a própria existência da humanidade, com a ameaça permanente de criar um holocausto nuclear.

A nota tenta ironizar o presidente Evo, pois ele jogou para os Estados Unidos toda responsabilidade pela crise na Ucrânia. Não adianta a DW tentar ironizar, porque os EUA são de fato os únicos responsáveis pela crise. Foram eles que deram o golpe de Estado de 2014, elemento que a DW nem ao menos menciona na sua “analise política”, mostrando o grau de cinismo dessa gente.

Com o golpe, os EUA desestabilizaram a Ucrânia e com o conflito estão desestabilizando todo o leste europeu. Ao mesmo, os EUA impulsionaram um programa neoliberal que afundou a indústria de foguetes e naval, que a Ucrânia se orgulhava. Todas essas medidas levaram a guerra civil, cujo os responsáveis são os Estados Unidos, que sempre estão criando ingerências nos assuntos internos dos países.

Como no Brasil, na Ucrânia também há os seus negacionistas do Golpe de Estado. A única coisa que há em comum entre Brasil e Ucrânia, é que esses dois países foram vítimas do processo de golpes continentais iniciados pelos Estados Unidos no pós-crise de 2008.

Quando a DW tenta associar os golpes continentais à “teoria da conspiração”, eles além de negar a realidade, estão tentando criminalizar todos aqueles que denunciam o golpe de Estado (abrindo a caminho para narrativa da Lei da fake news).

No seu ataque ao Partido dos Trabalhadores, a imprensa alemã citou a nota do PT no Senado, onde havia mencionado a expansão continuada da NATO nas fronteiras russas como causadora do conflito. O autoritarismo da imprensa neoliberal é tão grande que eles não aceitam nem a posição moderada do PT.

A DW aderiu ao negacionismo, porque já fazem mais de 15 anos que os Russos vem fazendo reclamações da expansão continuada da NATO na sua zona de segurança nacional. Reclamações conhecidas pelos próprios lideres da União Européia, como é o caso do Borrell. Por sua vez, os Estados Unidos consideram normal a existência da Doutrina Monroe, onde impõem aos países da América Latina seu domínio, mas não permitem que a Rússia tenha uma zona neutra ao seu redor.

Acompanhamos desde o início dessa crise toda a arrogância e desdém dos EUA e Europa quando a Rússia exigia negociar acordos para sua segurança. Inclusive, em início de fevereiro, Moscou havia enviado memorando para Washington com preocupações de segurança. A resposta do Governo Biden foi desrespeitosa, não diplomática e vulgar, como caracterizou Putin.

É fato que a expansão continuada da NATO significa o fim da Rússia. Na impossibilidade de entrar em guerra direta com a Rússia, os EUA queriam transformar a Ucrânia em uma base de desestabilização do país e fazer a mesma coisa que fizeram no Brasil com o golpe na Dilma. Putin corretamente tomou a iniciativa para evitar chegar à este ponto. Pois nós brasileiros estamos vivendo na pele, através do desemprego, da pandemia e do crescimento da miséria os efeitos da política intervencionista dos EUA na nossa nação.

O jogo aqui é simples, a imprensa tenta fazer uma inversão de papéis. No início da Operação, Putin explicou com detalhes as razões pelas quais a operação estava sendo iniciada. Quem explica uma ação não é agressor, sempre quem explica está se defendendo. Por exemplo, nunca vimos uma explicação dos EUA antes de bombardear o Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Iémen, Somália e etc. Sempre antes dessas guerras houveram propaganda, mentiras e desinformação. Vamos lembrar quando Colin Powell foi para ONU sacudir um frasco contendo amostra das supostas armas de destruição em massa que o Iraque possuía, e que anos mais tarde os norte-americanos confessaram que nunca existiram.

Já no final da nota, a DW entra na parte mais perigosa da propaganda. Ela chamou um “especialista” da Fundação Getúlio Vargas, Oliver Stuenkel, que através de uma pesquisa rápida, mostra que ele é autor de diversos textos defendendo a agenda econômica do Temer e do Bolsonaro, assim como elogiando Lava-Jato e Sergio Moro.

Ele começa dizendo que: “a esquerda deveria se reconhecer na Ucrânia e apoia-la”, porque segundo ele, é um país localizado ao lado de uma superpotência. É um argumento tão idiotizado, que é para ficar pasmo que no meio de toda essa crise econômica que o Brasil vive, existam pessoas privilegiadas que enriquecem fazendo análises tão esdrúxulas. Se usarmos a lógica dele, o mundo deveria apoiar Cuba, porque é uma pequena ilha ao lado de uma superpotência opressora. Mas sem dúvida, ele no maior cinismo do mundo, vai dizer que no caso de Cuba esse argumento não se aplica, porque lá tem o problema da democracia, direitos humanos e entre outros. Isso se não falar “Vai Pra Cuba!”.

Além do mais, quem deu o cetro de rei da esquerda para essa gente da imprensa policiar o que pode ou não fazer? Ai acaba sendo uma pergunta retórica, porque quem deu essa autoridade foi a própria direção da esquerda, que defende Frente Ampla e faz o trabalho de reciclagem do esgoto neoliberal.

Assim, esses neoliberais da imprensa se julgam na autoridade de dizer o que as organizações políticas de esquerda devem ou não fazer. Essa mesma gente neoliberal que apoiou a Lava-Jato e o golpe de 2016, que resultou em todo o desastre econômico no Brasil e da pandemia, com quase 700 mil compatriotas mortos, não tem moral de dizer absolutamente nada. Devem apenas seguir o caminho do bueiro que eles jamais deveriam ter saído.

A Rússia pode ser uma super potência, isso por um lado até justifica que haja uma zona de segurança neutra ao seu redor, mas o imperialismo tem nome: se chama Estados Unidos da América. Ninguém vê a Rússia por ai dando golpe de Estado e nem promovendo guerras no mundo todo. Desde o fim da Segunda Guerra, os EUA participaram diretamente de 37 guerras. Sem contar que os Estados Unidos impuseram o neoliberalismo para o mundo, resultando em mortes, desemprego, violência, doenças e fome. Então, sabendo dessa situação, o melhor que a DW faz é assumir que a NATO não vai apoiar a Ucrânia e parar de atrapalhar a análise política com bobagens sobre uma “resistência” que só existe na propaganda.

Outra parte grotesca do texto é que, o analista neoliberal dedicou uma parte para chamar de “teoria da conspiração” o fato dos Estados Unidos ter um plano global de poder e derrubar governo, dizendo que é uma teoria alimentada pela mídia russa e Telesur. Vemos ai o interesse de cesurar a Telesur também, como fizeram com a RT e Sputnik. Não foi a mídia russa que criou o conceito de “mudança de regime” e nem de “estratégia das tensões”, mas sim os norte-americanos. Ou esse “especialista” da DW é uma vítima açoitada pela propaganda norte-americana e não conhece nada de geopolítica ou é um cínico para ignorar todos os documentos, declarações e fatos históricos. Na dúvida entre duas coisas, sempre são as duas opções.

Nem tudo a propaganda pode mudar, como por exemplo, a essência de um nazista, que nada mais é um bandido que usa a política. Recentemente, um jornalista ucraniano, na mídia Estatal controlada pelo Regime de Kiev, pediu publicamente o extermínio das crianças russas, invocando a doutrina nazista da “solução final” idealizada por Adolf Eichmann. Assim como, Vatali Kim, governador da província de Kikoláyer, sul da Ucrânia, propôs fuzilar qualquer ucraniano simpatizante da Rússia, em um vídeo que foi publicado por ele no último domingo (13). O governador disse que estão fazendo uma lista de traidores e que logo poderam ser fuzilados. Esse é o perfil dos nazistas que a DW apoia.

Recairá sobre os Estados Unidos e União Europeia a responsabilidade por qualquer genocídio que o regime de Kiev tente intensificar nos próximos dias. E a DW, que tenta ser uma espécie de bedel da esquerda, é cumplice de carnificina nazista.

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