Golpe de 1964: quando os EUA iniciaram a guerra contra o Brasil

Ontem, 31 de março, o Ministro da Defesa, general Braga Netto, publicou o manifesto “Ordem do Dia”, assinada pelos comandantes das três Forças Armadas. O teor da nota era uma saudação ao golpe de Estado de 1964. Esses militares estão constantemente causando terrorismo Estatal, ameaçando a sociedade do risco de golpe e se impondo como “valentes” contra a população civil desarmada, ao mesmo tempo que são umas verdadeiras “cadelinhas” submissas aos Estados Unidos.

Na realidade, o golpe de 1964 levou ao poder essa quadrilha maçônica de militares covardes e traidores unicamente para manejar o poder na colônia brasileira para os Estados Unidos, em troca, Washington colocou eles como os “senhores da colina”. No auge da sua arrogância e prepotência esses militares não percebem que eles somente voltaram ao governo porque deram um golpe de Estado, não possuindo nenhuma legitimidade e nem autoridade para falar nada. Até porque, eles são todos ilegais e o que eles falam não importa.

Estamos em guerra contra os Estados Unidos. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, que os Estados Unidos vem conspirando para impedir que o Brasil se torne uma nação de fato. Isso porque, dentro da estratégia norte-americana de construção de um governo global, é conflitante o surgimento de novas pátrias. Desde então, os EUA estão formando os militares brasileiros nas suas fábricas de militares vassalos: Fort Benning, NYMA e entre outras, para dar golpes de Estado e promover terrorismo Estatal.

Com o término da Segunda Guerra Mundial, os EUA se tornaram os herdeiros de todos os antigos impérios coloniais do planeta, assim eles reorganizam o mundo em blocos de poder. Aqui na América Latina, os antigos regimes militares se tornam Estados Policiais, dentro da doutrina de Segurança Nacional, onde determina que agora o inimigo é interno, ou seja, nós povo, iniciada no governo do presidente norte-americano Eisenhower. Antigos nazistas exilados foram enviados para a América do Sul para organizar as forças de repressão, no processo que é chamado de IV Reich. Por exemplo, o chefe de campos de concentração nazistas na Polônia, Franz Stangl da SS, era informante da Ditadura e Diretor das fábricas do Volkswagen em São Bernardo. Outros nazistas treinaram policiais e militares brasileiros em táticas de tortura, assim como deram assistência para planejar a configuração das policias. Ao mesmo tempo que implica o enforçamento da Doutrina Monroe.

Datas importantes do intervencionismo norte-americano contra o Brasil são: 1945 – derrubada de Getúlio, 1954, suicídio de Getúlio, 1956 impedimento da posse de JK, 1961, impedimento da posse de Jango, 1964 golpe Militar, 21 anos de Ditadura, 25 anos de neoliberalismo e em 2016 o golpe Militar com a Ditadura do GSI. Esses momentos históricos sintetizam que nosso país está constantemente sob ataque norte-americano. Nesse ano de 2022, ano do bicentenário da independência do Brasil do império lusitano, nossa nação não conseguiu conquistar a sua verdadeira independência e nem romper com os status de colônia.

Assim como no golpe de 2016, os Estados Unidos estão implicados no golpe de Estado de 1964. A nota do General Braga Netto, o mesmo que fez a intervenção militar no Rio de Janeiro e que durante seu governo as milícias cresceram e se expandiram, ele comete revisionismo histórico ao afirmar que o golpe de 1964 era fruto de um anseio popular. Mentiroso!

É documentado, pela própria CIA inclusive, que Lyndon Gordon, transformou a Embaixada dos EUA no Brasil no centro operativo do golpe de Estado. Em um dos seus reportes à Washington, embaixador dizia: “Goulart discursou defendendo o nacionalismo verde-amarelo. Leonel Brizola desapropriou duas companhias norte-americanas, a ITT e a Foreing Power Company. Tais ações são uma ameaça aos interesses econômicos dos EUA e são consideradas totalmente inaceitáveis.”. Logo a propaganda que o golpe foi dado para combater a ameaça “comunista” que nunca existiu é uma falácia, porque os próprios EUA confirmam que eram os seus interesses geopolíticos que estavam em jogo.

Se hoje o Brasil tem a China como seu principal sócio comercial, há 61 anos atrás, ainda na visita de Jango à China para tratar e ampliar o comércio bilateral entre os dois países, os EUA agitaram a classe política para impedir a volta do Presidente. Jango, só sobreviveu ao golpe porque no Rio Grande do Sul pegou-se em armas e o governador Brizola estava dispostos à travar a guerra civil para defender o governo nacionalista no Brasil. Após essa visita à China, os EUA se empenharam para manter o mais importante país da América Latina subordinado à eles.

Os EUA criaram os IPES, institutos de pesquisas de faixada, que eram financiados por dinheiro da CIA e servia para propagandear o golpe e criar instabilidade política. Ao mesmo tempo o grupo Warner injetou dinheiro para criar a Rede Globo, Estadão, Folha e todos esses esgoto golpistas que vemos hoje para alimentar o golpe contra o governo de Jango. Como hoje, naquela época a pauta principal dos golpistas era a luta contra a “corrupção”.

Em 1962, o Congresso Nacional do Brasil, criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, para investigar denuncias de financiamento estrangeiro à parlamentares brasileiros, a comissão era presidida pelo então deputado do PTB, Rubens Paiva, que posteriormente seria torturado e assassinado pela Ditadura. Provavelmente porque ele tinha informação de militares e políticos financiados pelos EUA. Nessa investigação se revelou que o Instituto Brasileiro de Ação Democrática – IBAD, outro instituto de faixada dos EUA, havia comprado 250 Deputados Federais, 8 governadores e mais de 600 deputados estaduais. O objetivo era criar instabilidade politica e obstruir as ações do governo Jango no Congresso. O dinheiro que vinha do Banco do Canadá, passava por um intermediário no Brasil e era distribuído aos políticos brasileiros.

O manual do golpe de 1964 foi o mesmo do golpe de 2016, o governo norte-americano comprou os militares, financiou a oposição, boicotou a economia e ativou a Quarta Frota, estabelecendo inclusive um plano de invasão do Brasil para apoiar o golpe, caso fosse necessário, conhecida como Operação Brother Sam. Era evidente a participação dos EUA no golpe, mas durante décadas eles negaram, taxando as denuncias de “teoria da conspiração”, o mesmo que os golpistas de 2016 fazem hoje. Agora, fazem poucos anos que os EUA liberaram documentos revelando sua participação no golpe de 1964, mostrando que o apoio popular ao golpe, esses militares golpistas dizem que tinham era falso.

Os 21 anos de ditadura militar decepou a cabeça nacionalista do Brasil, matou a ciência, perseguiu a cultura, destruiu o espírito critico e empreendedor do povo brasileiro, transformando o Brasil nessa jamanta sem cabeça que conhecemos hoje. A Constituinte de 1988 garantiu, com apoio da esquerda, a anistia á todos bandidos, traidores, torturadores e assassinos dentro das Nossas Forças Armadas, garantiu a continuidade de toda Estrutura policial criada na Ditadura, assim como a estrutura de imprensa que serve aos interesses dos EUA. Não mudou em nada a situação no país, reciclando as instituições apodrecidas herdadas da Ditadura que permanecem até então, não é atoa que essas coisas estão sempre atacando a população e ameaçando golpe.

A esquerda insiste ao exaltar uma democracia no Brasil que não existe. Democracia, que não é algo necessariamente bom, sem consenso popular não existe. Não se tem consenso popular sem informação. Porque toda informação é controlada pelos meios de imprensa criados pelos Estados Unidos. Além disso, para evitar o consenso contrário aos interesses dos EUA, não se têm uma República democrática, até mesmo a República constitucionalista de 1988 eles não aceitaram, porque as leis estabelecidas na época criavam dificuldades para ampliação do programa neoliberal.

Por tanto, a comemoração dos militares ao golpe de 1964 é um ato criminoso, a esquerda está disposta a reivindicar uma democracia que não existe, a imprensa é cínica porque não fala do seu papel no golpe de 2016 e nem de 1964 e os Estados Unidos fingem que não tem nada com isso. Para aqueles que querem realmente defender o nacionalismo verde-amarelo é preciso educar sobre essa temática, apontar o papel de inimigo exercido pelos EUA e denunciar o papel dos agentes do imperialismo no Brasil.

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