ABAIXO A DITADURA DE ONTEM E DE HOJE!

Por Gabriel Araújo

De uma forma geral, o conjunto da esquerda após a redemocratização, levantava a palavra de ordem de “Ditadura Nunca Mais!”. Para esse determinado período político e histórico, essa palavra de ordem até fazia algum sentido para o conjunto de forças políticas democráticas e populares, e seus objetivos. Mesmo que diversos dispositivos e agentes da ditadura sendo incorporados pelo novo regime político.

Mas no atual momento, essa palavra de ordem, apenas causa uma enorme confusão, em relação a compreensão da situação atual e especificamente no entendimento do que temos de regime político hoje em dia.

Nos dias de hoje, os ataques sistemáticos, ao direito de greve, de manifestação, a liberdade de expressão, a liberdade sindical e o asfixiamento financeiro dessas organizações, as demissões por motivações políticas, as invasões e depredações das sedes de partidos de esquerda e das organizações populares, os despejos que tem ocorrido sistematicamente, o uso da Lei Antiterrorismo, da Lei de Segurança Nacional e da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), não nos deixam dúvidas de que o regime político brasileiro é uma verdadeira ditadura fascista contra a classe trabalhadora e suas organizações.

Esse conjunto de medidas, já nos bastaria para compreender que atualmente nos encontramos em uma ditadura. Porém, a presença do aparato militar (que é totalmente subserviente ao imperialismo norte-americano) em posições de políticas e de controle, em todas as dimensões do aparelho de Estado, escancara o caráter ditatorial do regime político. São mais de 6 mil militares, desde à presença no controle da FUNAI e da Petrobrás, até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no primeiro escalão dos ministérios e no parlamento.

Diferente daqueles que compreendem esse fenômeno como algo subjetivo e abstrato, fruto das tais fake news, meramente em um plano ideológico, como se o marketing pudesse se sobrepor à política; A realidade evidencia que o que há, na verdade, é uma imposição de força política por parte do imperialismo, alocando seus gorilas para a implementação de um verdadeiro regime político de força.

A esquerda, muito apegada à formalidades, só consegue enxergar a lógica formal, abandonando por completo do marxismo e a lógica dialética. Para esses, os fascistas e os golpistas, precisam tatuar na testa que são isso, e não comprovar na prática que o são, com sua política repressiva e de perseguição.

Essa operação, que é comandada, obviamente, pela própria burguesia, tem o objetivo de reabilitar os neoliberais que deram o golpe e dão sustentabilidade à ditadura atual, e por conta de sua desmoralização diante do povo, tentam se recuperar, repaginando-se de democratas. E no mesmo sentido, ocorre com os militares, que dizem ser democráticos e não intervir nas decisões eleitorais, mas que não perderam a oportunidade de garantir a derrubada da Presidenta Dilma, seu reposicionamento em outros órgãos do Estado (principalmente no Gabinete de Segurança Institucional) e posteriormente aprofundar essa penetração com a eleição do fantoche miliciano.

A burguesia e os militares, ambos neoliberais, lançarem essa campanha de limpeza de suas biografias, não é um fato estranho. O que é estranho nessa questão, é a esquerda comprar essa narrativa e negar a realidade que está nua em sua frente, que é a ditadura que se consolidou desde 2016.

Essa normalização da situação atual, mostra o estágio de cooptação dos elementos dirigentes da esquerda, pelo regime político golpista. Para estes, combater os fascistas nas ruas que comemoram a ditadura de 1964 nos dias 31/03 e 01/04, seria uma perca de tempo, pois afinal, as eleições estão ganhar e com isso, os fascistas desapareceriam num passe de mágica. Essa posição, de deixar os fascistas passarem, também se revela enquanto grande covardia diante da situação e dos desafios históricos de nossa época. Vivem bradando que “fascismo não se discute, se destrói!”, mas quando de fato os fascistas tem de ser varridos das ruas, tratam de menosprezar a ameaça real.

A presença dos fascistas e dos gorilas, tanto no aparato institucional, quando em organizações políticas fora do aparato de estado, são uma amarga realidade que não poderá ser combatida pelo próprio aparato institucional que estimulou seu surgimento, seu alastramento e sua consolidação. Eis a grande vitória do fascismo nos últimos anos, que vem abrindo caminho para maior ingerência do imperialismo. O que era apenas um bando de lunáticos, subestimados pela esquerda, hoje se tornou uma complexa rede de organização política e penetração institucional, que só pode ser enfrentada pelas organizações dos trabalhadores com mobilização, comitês de luta e de autodefesa.

A ascensão do fascismo no Brasil, nos trouxe inevitavelmente para uma ditadura. Negar a realidade, apenas tem deixado a situação política se agravar e a ditadura se consolidar. Até quando vão empurrar com a barriga, para apenas garantir as migalhas que caem do prato da burguesia?

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