Do lixo à presidência: reciclagem de Alckmin é garantia de golpe

PSB indica que vai enviar o nome do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para ser vice na chapa do Presidente Lula, mostrando que os debates quem vinham se arrastando por alguns meses não eram boatos. Ainda não está oficialmente confirmado, mas em paralelo à campanha na imprensa, Lula insistiu que Alckmin mudasse de sigla, indo para o PSB, que se tornou uma espécie de receptáculo para neoliberais e sociais-democratas. O objetivo é preservar a aliança entre petistas e tucanos, porque eles sabem que isso será explorado pelo Bolsonaro das eleições.

O discurso é bem simples: A direção do PT vai falar que: “Alckmin é um golpista arrependido dos seus pecados”. E como bons beatos de igreja que são, “devemos perdoar os pobres tucanos, porque política se faz com amor”. Como disse Celso Amorim: “Alckmin foi o último a participar do golpe”, ou traduzindo, foi o último traidor a molestar o país. Deixa de ser crime se for o último? Já o PSDB, por outro lado, poderá dizer Alckmin é um traidor. Mesmo que saibamos que toda essa situação de Alckmin vice começou a ser cogitada quando Lula foi se reunir com FHC em Paris e com o Papa no Vaticano.

O problema não é a politica de aliança, até porque não faria nenhuma diferença uma aliança com os partidos de esquerda, porque convenhamos, o programa desses partidos não se difere muito dos partidos de direita. O problema consiste justamente quando o PT se coloca como o partido da reciclagem do golpe, das mesmas instituições e políticos que deram o golpe de Estado de 2016. Ao mesmo tempo que o PSDB encarna toda impopularidade da aplicação do neoliberalismo, cuja crise de credibilidade os tucanos não saíram até hoje.

Claramente o programa político do PT com essa aliança não é romper com o golpe, mas sim administrar a herança de Temer e Bolsonaro. Qual é o sentido de fazer alianças com golpistas para lutar contra o golpe de Estado? A resposta dessa pergunta retórica é tão obvia que mostra para todos nos a necessidade de não nutrir esperanças com esse processo eleitoral de 2022.

É exatamente a mesma política que vimos a esquerda aplicar durante a pandemia. Eles exigiram de um governo que foi posto no poder para matar o povo brasileiro, que defendesse a vida dos brasileiro. A esquerda se eximiu da responsabilidade de chamar uma greve geral que poderia mudar a própria situação do coronavírus no Brasil. Não podiam sair de casa para travar lutas reais contra o golpe, mas saíram para participar das eleições de 2020.

Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores nega pôr, em escrito, um programa político, que não só revogue as medidas do golpe, mas que paute as mudanças necessárias para proteger a soberania nacional. Entretanto, Lula apenas diz que, “vai fazer mais e melhor”, mas será que ninguém pensa que a situação política de hoje não tem nada a ver com 2002?

O governo de Alberto Fernandez na Argentina dá a pista do que irá ocorrer, os peronistas voltaram ao governo não para promover mudanças, mas para administrar o caos herdado pelo golpe de Estado do Macri. Em dois anos de governo os Peronistas não mudaram absolutamente nada. E pelo visto, tudo indica que no Brasil ocorrerá o mesmo.

Não há elementos na conjuntura interna e internacional que aponte a possibilidade de fazer mais agenda social, sem uma mudança estrutural no país. Devemos lembrar que a agenda social aplicada no Brasil na primeira década do século XXI, foi fruto de um movimento externo, principalmente pela elevação dos preços dos commodities, a Guerra no Afeganistão e a Revolução Bolivariana na Venezuela, o Brasil não criou nenhum movimento novo.

Ao contrário de propor mudanças, o PT mostra mais sinais de fraqueza, antes mesmo de começar a eleição, porque já estão concedendo à vice presidência de um país continental para os cadáveres insepultos do neoliberalismo, que deram o golpe de Estado de 2016.

PSDB: o partido mais perigoso para soberania do Brasil

As eleições de 2018 e 2022 não podem ser encaradas como eleições normais. Porque são realizadas no marco do golpe de Estado de 2016, onde os sem voto, sem apoio e sem programa são eleitos.

Sem voto, nas eleições de 2018, Alckmin teve apenas 4%. Até na sua cidade natal, Pindamonhangaba, ele foi derrotado e teve apenas 15%. O seu fracasso eleitoral foi resultante do seu governo medíocre à frente do estado de São Paulo.

Apesar de falar em nome da “luta contra a corrupção”, Alckmin fez uma gestão envolvida em inúmeros casos de corrupção, que incluem o caso do Metrô 1, Metrô 2, Rodoanel, crise no abastecimento de água, aeroporto fantasma, R$ 3.8 milhões desviados para financiar a mídia tucana (Veja, Estadão e Folha), e até incluiu o roubo da merenda das crianças nas escolas paulistas. Segundo o falecido jornalista Paulo Henrique Amorim, Alckmin encabeçava a lista do das Furnas, tendo embolsado até R$ 9,3 milhões.

Depois de derreter nas eleições de 2018, o tucano foi trabalhar na mídia, virou o “Doutor Geraldo”, dando dicas de acupuntura, na emissora Band. Após anos perambulando no deserto do esquecimento, ele foi ressuscitado pelo Lula, que cogita ele como seu vice. Provavelmente por intervenção do Vaticano, como tratamos em outro texto.

Apesar de ser o partido favorito de Washington, o PSDB está falido desde a crise do neoliberalismo no final da década de 1990. De lá pra cá, o partido perdeu relevância e apoio popular, porém manteve poder dentro das instituições apodrecidas herdadas da ditadura militar de 1964. O partido ainda tem uma máquina na burocracia estatal. Por exemplo, nas eleições de 2018, no parlamento, o PSDB teve 11,4% dos votos, e o PT 13,9 % para efeitos de comparação. Em 2020, nas eleições municipais elegeu 520 prefeitos, tendo 9,3% dos votos municipais. Mas deve se levar em consideração toda a fraude, campanhas de propaganda e manipulações para garantir esses resultados.

Alckmin foi a vanguarda do golpe de Estado de 2016

Geraldo Alckmin culpa Dória e o Eduardo Leite por arrastar o PSDB para o “bolsonarismo”, porém o chamado “bolsonarismo” são aqueles 10% dos votos, que ao longo da história estavam diluídos no apoio ao PSDB. Já foram Ronaldo Caiado, Collor, FHC, Serra, Alckmin e Aécio Neves, e agora apoiam o miliciano. Alckmin foi um dos principais responsáveis por devastar o PSDB internamente e alinha-lo ao golpe de Estado de 2016.

Depois do golpe concluído, para salvar a reputação do PSDB, muitos tucanos saíram da legenda para fazer mea culpa, incluindo gente ligada ao Geraldo Alckmin. Por isso, é um escárnio com o povo brasileiro dizer que Alckmin não estava alinhado com o golpe, achando que não conhecemos de onde essa gente veio. Ou pior, dizer que ele “mudou”, como falou Lula. Ninguém muda da água para o vinho, principalmente os ratos da política nacional brasileira.

Lembramos que após as manifestações de junho de 2013 e até inicio de 2014, um dos debates dentro do PSDB era a forma para chegar ao governo. Uma ala, especialmente o PSDB no nordeste, defendia apostar na desestabilização política e na crise econômica criada pela Lava-Jato para derrotar o PT nas eleições de 2018 e uma outra ala, apoiada por Alckmin e Aécio, propunha construir o golpe de Estado desde já. Na época, acompanhamos esse debate de perto.

No início de 2014, até mesmo por pressão das corporações internacionais (lembrando os telegramas vazados entre Serra e a Shell, onde o ex-senador Serra era pressionado e se comprometia a derrubar a Lei de Partilha), o partido se alinhou completamente ao golpe.

Serra e Alckmin foram as cabeças da campanha de Aécio Neves, que fez o papel de “cachorro louco”, papel que ninguém da ala antiga do PSDB estava disposto a fazer. A campanha tóxica de Aécio contra Dilma foi fundamental para construir o terror psicológico e a histeria que alimentaram as as manifestações pelo golpe de 2016.

Com o neoliberalismo mais uma vez derrotado em eleições, ficou claro para o PSDB que era preciso limitar o poder do voto popular para voltar ao poder. Assim, Alckmin apoiou Aécio na política de desestabilização do governo. O ex-governador estava no movimento para pedir a recontagem dos votos das eleições de 2014 e impedir a posse da presidente Dilma. Na época, nem mesmo Dilma tinha assumido e os tucanos já falavam que o impeachment seria aprovado. Mostrando que já havia o “grande acordo nacional com o supremo e com tudo”, como afirmou Romero Jucá (MDB).

Ao longo de 2014 e 2015, após a destruição da economia promovida pela Lava-Jato e as pautas bomba de Eduardo Cunha no Congresso que paralisaram o governo, ambos, Aécio e Alckmin, foram de braços dados participar das manifestações dos “patos amarelos” na Avenida Paulista. Durante essas manifestações, Alckmin chegou a dizer que os protestos deveriam ser apoiados para derrubar o governo Dilma o mais rápido possível. Meteram a mão na sujeira e fizeram questão de mostrar.

Alckmin fraudou dentro do próprio partido para garantir apoio do PSDB ao governo do miliciano

O objetivo era atrair a militância de classe média que constituía o movimento do golpe. Porém, o PSDB nunca se interessou em organizar essa base porque é um partido extremamente elitista. Terceirizou essa função para entidades fantasmas como o MBL. Entretanto, foi o discurso contra o establishment e as demagogias do miliciano que conseguiram aglutinar a militância de extrema-direita. O PSDB e PT são partidos identificados como bases de sustentação do establishment político, enquanto o miliciano se diz anti-establishment, sendo na verdade parte do sistema.

Logo depois, Aécio foi envolvido em uma enxurrada de denuncias de corrupção, que desmoralizaram o PSDB e consolidaram o miliciano como a única pessoa que tem voto entre todos os neoliberais. Assim, o campo político construído durante o golpe foi herdado pelo miliciano, não pelo PSDB. E isso é uma conclusão tirada pelo próprio ex-secretário geral do PSDB, Marcus Pestana.

A mídia golpista tenta livrar o PSDB da responsabilidade do desastre que é o governo do miliciano. Porém, em mais de 92% das pautas propostas pelo governo no Congresso foram apoiadas pelo PSDB.

O PSDB até tentou novamente recuperar a bandeira do antipetismo. Em 2016, o vereador Andrea Matarazzo denunciou Alckmin fraudou as prévias do PSDB para garantir a vitória do BolsoDoria à Prefeitura de São Paulo. Em 2018, Arthur Virgílio, abandonou a disputa e disse que as prévias do PSDB estavam fraudadas para garantir a candidatura do Alckmin à presidência. Agora, sem militância, o PSDB quer se reabilitar no cenário político com o voto da esquerda.

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