Lula-Alckmin: reciclagem do neoliberalismo e alinhamento com imperialismo franco-alemão

Na última sexta-feira, 08 de fevereiro, em São Paulo, foi anunciada a chapa presidencial Lula-Alckmin. PT e PSDB estão juntos e qualquer coisa que falarem diferente disso é mentira. Essa notícia prova que a aliança entre Lula e os tucanos não era boato, como fazia crer o Partido da Causa Operária.  Alguns dirigentes do PT justificaram dizendo que, tal aliança era a “aplicação da política de Frente Ampla”, tentando dar um verniz político para o que é uma pura e simples traição do Lula e da cúpula do PT ao movimento de luta contra o golpe de Estado de 2016. 

Para quem não é familiarizado com o conceito de Frente Ampla, ela é uma teoria antiga, desenvolvida pelo dirigente da 3ª Internacional, Dimitrov, no contexto histórico das décadas de 1920 e 1930, onde apontava uma aliança entre a classe operária e setores das burguesias nacionais para barrar o nazismo. Ou seja, é uma aliança entre setores de uma sociedade e não com políticos profissionais.

Com o fim da Segunda Guerra, os nazistas e fascistas foram incorporados pelos Estados Unidos para administrar as Ditaduras Militares e Regimes Policiais nos territórios herdados por eles, após o colapso dos antigos Impérios Coloniais. Depois, as ditaduras militares abriram caminho para o neoliberalismo. Por isso é correto afirmar que o neoliberalismo é fascista. Para aplicar sua política de terra arrasada, os neoliberais criam um Estado policial repressivo que visa suprimir a formação de qualquer consenso popular contrário à eles.  

Entretanto, há uma diferença fundamental entre 1920 e hoje, além dos 100 anos de distância histórica. Hoje, essas nomenclaturas de “fascistas” e “sociais-democratas” não fazem mais sentido, porque todos são neoliberais. O papel dos “sociais-democratas” é apenas dar uma cara humana para o neoliberalismo. Como diz o teórico Noam Chomsky, “se contentam em administrar as masmorras do capitalismo.”

Outra polêmica desnorteada é a chamada “critica a política de aliança”, o problema não é se aliar com setores da burguesia para derrotar o golpe dos Estados Unidos. A questão aqui é unir-se com golpistas para derrotar o golpe, o que não faz sentido nenhum. Por isso, a direção do PT fala constantemente em “virar página do golpe” e de “golpistas arrependidos”. Para lutar contra o Bolsonaro o PT aceita qualquer coisa, inclusive levar ao governo os mesmos neoliberais que levaram o Bolsonaro ao governo. De fato, não estamos vendo uma aliança entre quem trabalha e quem produz, mas sim entre administradores da colônia brasileira. 

Durante o golpe de Estado, a imprensa foi criando uma falsa disputa entre neoliberais fascistas e fascistas neoliberais. Essa campanha serviu para pavimentar essa aliança entre o PSDB e o PT. Por tanto, essa propaganda entorno da Frente Ampla é uma falsa discussão, porque todos são neoliberais e essa discussão ficou à um século para trás. Quem justifica a aliança entre tucanos e petistas pela Frente Ampla não tem nenhum direito de opinar, porque demonstra total desconhecimento sobre a questão . 

Na sanha de tentar manter seus empregos políticos e privilégios, a burocracia petista fomentou o discurso exaltando uma suposta genialidade e estadismo do Lula. É um culto ao líder besta, porque Alckmin não vai reconstruir nada. Ele é um político com dedo podre, onde tudo que toca se destrói. O PSBD passou mais de 30 anos no governo do estado de São Paulo e só deixou para aquela região caos e destruição. Alckmin conseguiu o feito de deixar São Paulo, o estado mais rico da federação, sem água durante meses. Então, não foi por “competência” a escolha do Alckmin, nem por apoio da direita, porque ele teve um dos piores desempenhos eleitorais da história do PSDB, ficando em 3º lugar até na sua cidade natal.  O Lula não é estadista coisa nenhuma, porque estadista planifica estratégia política e impõem poder. No caso o Lula concilia para garantir a imposição de poder de Fora do Brasil. Ou seja, ele faz o que o Vaticano manda e ele volta para reforçar o poder do imperialismo franco-alemão no Brasil, vendido com o rótulo de “multilateralismo da ONU”. 

Lembrando que na mesma semana que indicaram Alckmin como vice, o governo da Alemanha enviou uma delegação, encabeçada Martin Schulz, que se reuniu com todos os presidentes da chamada “nova esquerda” no Chile, Uruguai e Argentina. 

A pauta principal da reunião com os alemães foi “meio ambiente”. O imperialismo norte-americano e franco-alemão querem a Amazônia, e para isso eles precisam do Lula. O Lula vai internacionalizar a Amazônia. A pauta ambiental e a atração a “investidores” foram os argumentos usados pelo Lula para escolha do Alckmin. Nisso, o governo Lula vai dar pedaços do território nacional para ONGS, que por sua vez trabalham para essas novas industrias que precisam de recursos naturais biológicos para ampliação do capital.

Alckmin não é PSB, ele é do PSDB, sua filiação é mera formalidade, ele só saiu do PSDB numa estratégia de preservação dos tucanos. Já que agora Lula vai poder dizer que Alckmin mudou e o PSDB vai poder dizer que Alckmin é um traidor. 

Lula veio resgatar o neoliberalismo, curar e ressuscitar. Lula quer restaurar a ordem politica que havia no inicio dos anos 2000, onde os neoliberais, e os sociais democratas, que são neoliberais também governavam juntos. Eles dividiram o poder, porque o povo não gosta de neoliberais, então eles deram golpe com militares, mídia, STF, Temer e Bolsonaro. 

Lula quer reciclar a governabilidade que sustentou os governos neoliberais, surgidos após a Ditadura Militar, que por sua vez veio para destruir o nacionalismo brasileiro. Enquanto Bolsonaro se reafirma como candidato contra o establishment, Lula quer voltar para restaurá-lo. Mantendo toda essa nevoa da farsa democrática que sustenta a Ditadura Militar do Gabinete de Segurança Institucional.

Nota: Imperialismo-Franco-Alemão é um termo criado pela Revista Ciência do Trabalhador onde aponta o papel da União Europeia.

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