O que importa no Brasil é derrotar o neoliberalismo e o golpe dos EUA

Brasil é um país sem projeto de longo prazo que vive 4 em 4 anos de gestão neoliberal

Tudo que acontece no Brasil é imposto por fora do país. Brasil é um continente com a altivez de uma Guatemala. Aqueles que estão no poder no país não tem projeto de nação e sempre estão subordinados aos interesses estrangeiros desde a época da Colonização Portuguesa.

Próximo de completar 200 anos de independência do Brasil, vivemos uma crise sem precedentes na nossa história. Essa crise se origina do fracasso do neoliberalismo imposto ao país via golpes de Estado pelos Estados Unidos. 

O golpe de Estado de 2016 não é uma narrativa ou uma “página” que pode ser virada. O golpe é uma realidade que afeta cada um de nós brasileiros, seja no desemprego, na falência das nossas empresas, no endividamento e/ou na inflação galopante.

É fato que Bolsonaro ataca nossa moeda, elevando a carestia da população. Porém, essa crise não começou somente por culpa dele, como os críticos querem fazer crer. Até porque, Bolsonaro sempre foi uma tática para legitimar o golpe de 2016, enquanto quem manda no país são os militares. Esses mesmos políticos que criticam o governo, ao mesmo tempo, não fazem nada para parar os ataques e ainda prometem ao mercado seguir a política econômica a favor do lucro dos bancos. 

A crise atual começou lá atrás, no golpe de Estado de 1964, quando o Brasil abandonou o projeto estratégico de longo prazo. O país começou a se desindustrializar e a ditadura abriu o caminho para o neoliberalismo que viria anos mais tarde.

A partir disso, tornamos um país cujo destino é decidido pelo Wall Street, JP Morgan, Goldman Sachs e entre outros bancos, os mesmos que quebraram em 2008 pelas suas falcatruas e foram salvos pelo Governo Obama com dinheiro público, cuja conta foi parar no bolso de todo o mundo.

Em seu projeto internacionalista para controlar todos os países, os Estados Unidos impõem ao Brasil ser uma colônia exportadora de commodities, sem Indústria e sem Forças Armadas. Para isso eles se aliaram aos traidores aqui dentro, os militares entreguistas do golpe de 1964 com a Oligarquia Paulistana, ressentida pela revolução de 1930, que tenta a qualquer custo destruir o legado de Getúlio Vargas, Jango e Brizola. 

O Brasil é um continente que tem todos os recursos para ser uma potência mundial, porém já fazem 15 anos que o país parou de crescer. Entre 2015 e 2021, 36,5 fábricas fecharam. A participação da indústria no PIB é a menor desde 1947 (ano em que o IBGE começou a fazer a contagem) chegando a apenas 11%. Sem indústria, os empregos criados são cada vez mais precários. Cerca de 39 milhões de trabalhadores estão na informalidade e 11 milhões desempregados. Sem indústria não há emprego, sem emprego não há consumo e sem consumo não há crescimento econômico. 

Para manter o quadro descrito acima, o golpe de Estado de 2016 iniciou uma reorganização do Regime Político, e por conseguinte, dos partidos políticos e do processo eleitoral. Essas mudanças nas regras eleitorais e partidárias, fortaleceram os caciques de partidos, que ditam a vida política de acordo com seus interesses e conchavos, e aumenta a tutela do judiciário na vida política nacional. A falência desse regime político, que governa de costas para os interesses nacionais, se reflete no recorde de abstenções e na repulsa que nutre o povo brasileiro do Establishment. 

Esse sentimento contra as chamadas “instituições” ( Instituições essas que na verdade não existem porque o Brasil é um país onde a lei é violada a todo momento justamente por aqueles que deveriam defende-la) foi manipulando pela campanha do Bolsonaro em 2018. Por outro lado, Lula se coloca como defensor desse status quo.

Lula e o PT criam hoje uma frente eleitoral para derrotar Bolsonaro, mas não apresentam um programa político para evitar próximos golpes ou para promover o fortalecimento do PT enquanto mobilizador social. Esse processo de atuação política à frio, ao invés de fazer progredir a luta de libertação nacional, legitima o regime político golpista, de intervenção do imperialismo norte-americano no país.

As traições de todos os agentes políticos desde 2013 são muitas, nesse período histórico. Não irei debater ou explicar e contextualizar a década de noventa e início dos anos 2000. Mas sim tratar das últimas traições e a impossibilidade de derrotar a direita, pois a mesma foi alimentada e criada pela conciliação que nos trouxe até aqui. 

Em 2013 e 2014 passamos pelos protestos de rua financiados com fundos dos Estados Unidos – após anos de silenciamento e de relativa estabilidade do regime político – com as jornadas de junho, uma Copa do Mundo e uma Olimpíadas que não deixaram nenhum benefício para a população do Brasil, ao contrário o legado foi um grande endividamento. Dilma apresentou uma pequena carta de intenções para reorganizar as cidades e efetuar reformas.

A carta de intenções como de práxis não saiu do papel. Dilma vai ao segundo turno contra Aécio Neves (PSDB-MG) que faz um debate muito mais agressivo que os anos anteriores. Aécio não reconhece a derrota. Temer (PMDB-SP), vice de Dilma, é procurado por vários setores do Exército, da imprensa capitalista e do Congresso Nacional, para irem minando o governo por dentro.

Mas golpe inicia de fato no judiciário, com um tribunal sem importância, com a reprovação das Contas do governo Dilma pelo TCU. Joaquim Barbosa dizia que “o TCU é o playgraund de políticos fracassados”. 

Esse mesmo judiciário, não foi reformado. Hoje persegue e ataca agentes políticos do Estado e empresas brasileiras. Inventam leis, esmagam o direito de greve, atropelam a presunção da inocência, destroem a liberdade de expressão e de organização política, etc.

O golpe avança graças à complacência e traições da “oposição”. Por exemplo, as mudanças de direção na “greve geral”– que não foi greve – no meio do dia nacional de mobilização; a entrega negociada de Lula no ABC; a não realização da greve sanitária na pandemia; a campanha eleitoral em 2020, no meio da pandemia colocando o povo e a militância para morrer de covis-19, foram algumas dessas traições.

Lula e o PT dizem que querem voltar ao governo para “reconstruírem o Brasil”, mas ora, se o projeto político dessa gente se limita a reconstruir aquilo que eles não foram capazes de defender quando tiveram a oportunidade, demonstra que é um partido incompetente para ditar os rumos de uma nação continental como o Brasil. Eles não fizeram nada para evitar o golpe e não fizeram nada para resistir, além daquelas manifestações performáticas e inócuas que essa esquerda caricata adora fazer. Como podem falar em reconstrução do país se querem manter o neoliberalismo. Fazem as mesmas coisas e esperam resultados diferentes? Somente loucos podem agir assim!

Lula não dá nenhuma evidência que vai recuperar o patrimônio nacional pilhado pelo golpe de Estado de 2016. Ao contrário, os fatos do passado, quando eles estiveram 12 anos governando a República sem aplicar nenhuma reforma e as recentes traições, nos dão os elementos para afirmar que eles não vão mudar nada! Além disso, o Brasil e o mundo de 2022 é completamente diferente de 20 anos atrás, sendo impossível reeditar o mesmo processo ocorrido no primeiro governo petista.  

A indicação do tucano Alckmin à vice-presidência veio para derreter os delírios daqueles que acham que Lula vai voltar para mudar. Ele está unido com os mesmos que governam desde FHC. Essa aliança nos dá dois elementos fundamentais para uma análise política: o primeiro e mais evidente é que consagra a subscrição do PT ao projeto neolineral e o segundo, a subordinação do Brasil ao projeto internacionalista de Poder dos EUA. Isso fica claro quando o Papa Francisco concedeu a libertação do Lula da cadeia, que resultou no aspecto eleitoral, na aliança dos jesuítas representados no Lula e a ala conservadora da Igreja, da Opus Dei, representada por Alckmin. 

Esse ultimo elemento é o principal para a análise política, por ele decorre na construção de toda engenharia política brasileira. Por exemplo, A classe política somente se movimenta nessa campanha de 2022 por pautas internacionais, tais como: a questão da Amazônia, já que os EUA e a União Europeia querem internacionalizar a Amazônia, e eles só podem chegar nesse objetivo com o Lula.

A idiotia paira no Brasil, enquanto o STF se preocupa em censurar seus críticos, o mundo caminha para iminência de uma guerra nuclear. A inflação mundial, a crise alimentar, dos combustíveis e financeira internacional vão ressoar mais forte no Brasil, ainda no próximo ano de 2023. Todas as projeções econômicas para o ano que vem são piores, a Economia Brasileira está no buraco e a dívida pública só cresce.

Manter o país se baseando na exportação de commodities e agronegócio não é economia, não mantem nada hoje e não garante futuro. Quem está no poder no Brasil se vanglória de sermos o “celeiro do mundo”, mas no celeiro metade da sua população está em insegurança alimentar, a comida está um preço altíssimo que compromete 70% do orçamento das famílias.

De onde vai sair o dinheiro, o agronegócio já está comprometido, para promover as mudanças que o Brasil precisa se ninguém quer industrializar o país, que é de onde realmente um país extrai riqueza.

Vemos como esses governos dessa nova “onda de esquerda” na América Latina adotam posições hostis aos russos: exemplo, Argentina vota contra Rússia na ONU, Chile bajula Zelensky e Lula hostiliza a Rússia por reagir às provocações da Nato de forma militar. Essas posições pró-NATO e vacilantes são muito perigosas para o Brasil em um momento de crise, onde o Brasil precisa adotar o lado de defesa dos BRICS para garantir sua própria sobrevivência. 

Entretanto, tudo indica que teremos um próximo governo, caso Lula seja eleito, muito mais subordinado as pressões dos Estados Unidos do que foram os seus governos anteriores. Que na sua época se limitou em defender os interesses comerciais brasileiros à nível internacional, mas que agora não existem mais, porque a Lava Jato destruiu nossas empresas e Lula não dá nenhuma evidencia que vai recupera-las.

Os movimentos sociais, MTST, MST, as organizações indígenas e ONGs se reuniram com o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, para pedir aos EUA apoio nas eleições brasileiras. Já no ano passado, Lula foi pedir vacina para o Biden. Eles estão referendando o golpes dos EUA aqui dentro o tempo todo.

Mais uma vez temos que relembrar nosso 7 de setembro. O Brasil só será verdadeiramente soberano se nosso povo assumir para si a responsabilidade de ditar os rumos da nação, não ficar esperando saídas fáceis apontadas por caudilhos e nem se deixar se chantagear por medo e ameaças do menos pior. Chega! O neoliberalismo não mais no Brasil. Temos que recuperar o patrimônio que os EUA tiraram de nós e industrializar o país.

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