Lula descarta revogação de Reforma Trabalhista

Em encontro realizado no dia 9 de agosto, na FIESP dos patos amarelos, Lula prometeu aos empresários que irá manter a Reforma Trabalhista de Temer. Se eleito, o futuro governo do Partido dos Trabalhadores (PT) não vai restituir os direitos trabalhistas retirados pelo golpista Temer e quem disser alguma coisa diferente disso estará mentindo para você. 

Por sua parte, Aloísio Mercadante, que é responsável pelo programa de governo do petista, afirmou: “Não queremos revogar. Mas tem algumas questões que precisam ser negociadas”, disse o ex-ministro. Ele também lembrou que o governo Lula realizou 10 vezes mais Parcerias Público Privadas (nome bonito para privatizações) que o governo FHC. 

Entre essas coisas que “precisam ser negociadas”, segundo Mercadante, estão: retornar a Justiça do Trabalho gratuita; enviar para o Congresso uma proposta de regulamentação para os trabalhadores de aplicativo; e criar uma legislação para recompor o Acordo Tripartite (as mesas de negociações entre sindicatos e patrões nos acordos coletivos anuais). Na prática são os sindicalistas representantes dos trabalhadores chantagearem a base sindical, apresentando como o único mediador na convenção coletiva para no final conseguir um acordo salarial com reajuste abaixo da inflação e que mantenham os privilégios econômicos e políticos da casta dos sindicalistas.

A primeira proposta pode recuperar parte do poder econômico dos sindicatos, muito debilitados desde o fim do imposto sindical, e a segunda vai incidir a cobrança de impostos sobre os trabalhadores dos serviços por aplicativos. 

Em abril, as Centrais Sindicais foram chamadas pela campanha petista para elaborar uma proposta do movimento sindical a fim integrar o programa de governo. A revogação trabalhista tomou conta dos debates, entretanto toda discussão foi descartada.  

É fato que o PT nunca adotou uma posição clara a favor da revogação a Reforma Trabalhista. Desde o momento em que ela foi aprovada no governo Temer, o PT ranhetou, mas sempre se recusou a adotar medidas concretas para evitar que a reforma fosse aprovada, tal como: convocar a Greve Geral. Ficaram no “disse me disse”, posição evasiva e frouxa que não assume compromissos.

No início deste ano, eles reforçaram essa narrativa contra a reforma e comemoraram a revogação da reforma trabalhista na Espanha, o que dava a entender que iriam adotar medida semelhante no Brasil, e agora dizem que não é nada disso? Isso é traição pura e simples!

A realidade de desemprego e precarização do trabalho brasileiro está tão profunda que certamente a revogação completa da Reforma não seria suficiente para resolver os problemas, porém, nem mesmo essa medida inócua a campanha do Lula quer assumir durante as eleições, quando os políticos normalmente prometem “mundos e fundos” para se elegerem. Criar toda essa firula para não assumir compromissos não é a posição de alguém que vai fazer mudanças, não é? Não, não é.

O Brasil é um país com a economia estagnada, sempre estamos lutando para recuperar aquilo que tínhamos e perdemos, e a situação só piora. O Brasil tem a 3ª maior taxa de desemprego do mundo e 40% da força de trabalho é informal, por isso, a precarização do mundo do trabalho se avançou tanto que anular a Reforma Trabalhista é uma politica que ficou atrasada e já não bastaria. Mas nem isso, que seria o ponto de partida para criar um sistema de proteção ao emprego o PT se compromete a fazer.

A grande preocupação dos economistas de quinta que cercam a campanha do PT é regulamentar os setores de baixo da economia, porém, esses setores só existem porque a economia brasileira está no buraco.

Óbvio que o colapso da nossa economia é resultado dos ataques dos Estados Unidos contra o Brasil desde 2014, processo que Lula e o PT nunca denunciam, mas também é responsabilidade deles que ficaram 12 anos manejando uma colônia assistencialista neoliberal e não fizeram nenhuma reforma, mesmo quando tiveram condições muito mais favoráveis se comparado com os tempos de hoje. Manter uma economia baseada em agronegócio, especulação financeira e serviços não tem futuro. E a única solução apresentada pelo PT é uma reforma tributária. Não se fala em parar a sangria do orçamento público para pagamento da dívida, não se fala em enfrentar a 3ª maior taxas de juros do mundo que é a brasileira, não se fala de enfrentar os privilégios dos banqueiros e muito menos de industrializar o Brasil. Eles negam a realidade e querem reeditar 2002.

Eles chegaram a sandice de dizer que o agronegócio é industrialização também. Não, não é! Só na cabeça desses neoliberais que a exportação de commodities tem o mesmo valor que os produtos manufaturados. 

A prioridade de um governo minimamente nacionalista deve ser a defesa das empresas de ponta do Brasil, tais como a Embraer, a Eletrobrás e Petrobrás, por exemplo, porque são essas empresas que possuem potencial para gerar riqueza e empregos qualificados para o país. Entretanto, os petistas não assumem o compromisso de conter a entrega das nossas empresas e restituir aquilo que foi entregue durante o golpe de Estado de 2016 aos Estados Unidos e Europa. Para eles tudo já “passou e agora é hora de olhar para o futuro”. Papo furado! 

A preocupação do PT é igualar o consumismo entre as classes sociais. Não vou entrar aqui no mérito do consumismo. Consumir é apenas uma parte da vida do povo, mas não é só isso. O povo não vive só para consumir essas porcarias manufaturadas da Ásia e essas comidas caras e cheias de agrotóxico.  

O PT se vangloria de ter colocado jovens pobres na universidade, sem dúvida foi um avanço, mesmo que o nível superior não represente nem 11% dos jovens no Brasil. Mas se formou tanta gente para trabalhar onde? Nos concursos públicos com salários pagos com imposto ou em aplicativos?

Se não bastasse toda a aliança com os mesmos que sempre governaram. Isso dá mais um sinal claro da fragilidade que será o próximo governo petista, caso seja eleito. Se são covardes para enfrentar os “interesses escravocratas das elites” na reforma trabalhista, como dizia o PT em suas notas contra a reforma, que coragem eles vão ter para reconstruir o Brasil? Reconstruir da destruição que eles não souberam evitar e nem lutar contra?

Fiesp não tem mais base industrial, são em sua maioria especuladores financeiros. Os economistas do PT, pensam que nós somos idiotas, a economia nacional não está uma tragédia por causa de um erro de gestão, mas sim porque essa política neoliberal que eles querem continuar é a própria tragédia.

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