Análise Geopolítica: Desmascarando a propaganda Anti-China com Taiwan

Nesta matéria, responderemos questões referentes ao funcionamento da máquina de propaganda estadunidense, que bombardeia a população mundial com notícias falsas e tendenciosas para atacar a China.

Nos limitaremos à contextualização histórica e geopolítica para ajudar no combate da propaganda contra a China. Não porque somos defensores do modelo chinês, mas sim porque essa mesma máquina de propaganda serviente aos interesses geopolíticos dos EUA, que busca destruir o nacionalismo dos países, também é inimiga dos nacionalistas brasileiros. 

O QUE DIZ ESSA PROPAGANDA?

Essa propaganda diz o seguinte: 

“Taiwan é um país tecnológico e bastião do mundo democrático na Ásia. Agora está sendo ameaçada pela sanha expansionista do imperialismo chinês. Logo, o Ocidente deve agir para defender a autodeterminação de Taiwan”.

Essa afirmativa é um completo disparate. Contudo, esse é o espírito da propaganda que tenta justificar abusos do único e verdadeiro imperialismo que existe, o estadunidense, cujo objetivo para o continente asiático é militarizar seu território, e expandir a infraestrutura militar da OTAN e outras alianças similares, como a AUKUS.

Eles estão sancionando e cercando não só a China, mas todos os países naquela região do mundo que ousam afirmar seu nacionalismo. 

O CONFLITO COMEÇOU QUANDO A CHINA INICIOU OCUPAR O MERCADO ANTES DOS EUA 

Esse conflito começou quando a China se atreveu em reivindicar o mínimo de independência comercial, e defender seus interesses capitalistas no mundo. Agora ela está sendo ameaçada pelos EUA de ser expulsa do irreal “maravilhoso mundo do livre mercado” — assim como fizeram com a Rússia.

A China, por exemplo, abriu vantagem de 10 anos em avanço tecnológico na área de Inteligência Artificial em comparação aos EUA. Muita dessa tecnologia produzida por eles, uma parte é advinda de acordos de transferência de tecnologia, já a outra conseguida através da pura apropriação, porém, todo país se apropria de tecnologia alheia para sustentar seu próprio desenvolvimento.

Só o Brasil que não faz isso, para mostrar que “a gente vai muito bem, obrigado” nesse aspecto e tem que parar com essa vassalagem e quebrar essa mentalidade colonial que domina o Brasil. Porque no Brasil tem um monte de cientista na área aeroespacial, na Embraer, na Petrobras, na área bio farmacêutica só que com o Brasil neoliberal, que destrói a indústria nacional essas pessoas vão trabalhar no exterior, ou estão trabalhando dentro do Brasil às duras penas.  

A China vai aproveitando e tirando vantagem dos conflitos que os EUA criam no mundo. Por exemplo, eles vão para África, e instalam uma fábrica de calçados, só que junto com a fábrica eles fazem uma estrada, constroem uma usina, tornando-se assim, uma relação mais equilibrada. 

Já os EUA não, sai dando golpe, explorando todo mundo… Para ver o que aconteceu no Brasil, eles deram golpe de Estado, roubaram toda nossa propriedade, e uma dessas hidrelétricas que o Temer vendeu os chineses compraram, mas isso só ocorreu porque os EUA deram golpe aqui. 

A China não quer guerra, a China está contente com a ordem mundial atual. O que eles querem é a chamada multipolaridade, onde existe um governo global pela ONU e os países expressam os interesses semi-nacionais. O que está em disputa com a multipolaridade é o Mundo unipolar, cujo EUA dominam tudo e destroem as expressões do nacionalismo.  

A China atualmente é um pilar de sustentação do neoliberalismo no mundo… Que é o modelo econômico de todos os países.  

Então, ela não está para “quebrar paradigmas” e nem ameaçar os “status quo”, como dizem uns intelectuais e jornalistas brasileiros. 

Nesse sentido, a Rússia, que é um estado militar soberano, consegue impor mais realidades do que a China, que apesar de ser uma potência econômica muito maior que a Rússia, tem suas forças armadas dependente de tecnologia do Ocidente. 

O congresso do PC chinês estabeleceu 2049 como meta para anexar Taiwan.

ESTADOS UNIDOS ROMPEM UM ACORDO DE 50 ANOS COM A CHINA 

A China constantemente tem acusado os Estados Unidos de quebra de acordo diplomático. Isso porque desde 1972, com a visita do então presidente estadunidense Nixon à China, ele acordou com Mao a política de “Uma só China”. Isso significa que os Estados Unidos concordaram com a soberania chinesa em Macau, Hong Kong, Tibete, Taiwan e outras regiões. 

Taiwan também reconheceu o acordo, e o reafirmaram 4 vezes durante os últimos 50 anos. Então porque os EUA querem descumprir a política de “Uma só China”, firmada há 50 anos atrás?

China e Taiwan não são inimigas. Muito pelo contrário, a China é o maior parceiro econômico de Taiwan. Quando teve a crise financeira dos Tigres asiáticos, de 1998, os bilionários taiwaneses colocaram seu dinheiro na China. 

Na crise de 2008 também. Quais inimigos são esses que a burguesia de um país coloca o seu dinheiro no outro país e vice-versa? 

CONTEXTO HISTÓRICO DA DISPUTA POR TAIWAN 

Por mais de 2 mil anos Taiwan fez parte da China, sendo assim, a ilha sempre foi considerada como uma província chinesa. O que de fato o é. Tanto que todos os países daquela região, consideram que aquele conflito é um assunto interno da China. E eles não entendem porque agora os EUA estão indo para lá para provocar um aumento da hostilidade. 

Por muitos séculos, várias potências estrangeiras usaram Taiwan para projetar seu  poder na China. A ilha já foi invadida pela Espanha, pelo Império Britânico, e lá em 1895, o Japão também chegou a tomar a província chinesa. Tanto que há uma frase atribuída ao general estadunidense, Douglas MacArthur, que comandou a frente aliada no pacífico durante a segunda guerra mundial, dizia que “Taiwan é o maior porta-aviões do Mundo”.

Para os Estados Unidos, cada país tem seu papel: o “banco” (Suíça), o “bordel” (Holanda), tem a “fábrica de cocaína” (Colômbia), tem a “fábrica de trabalho barato” (China) tem o “fazendão” (Brasil). E quando um país ousa sair do seu papel que lhe é designado por uma engenharia internacional, os EUA vão lá dão golpe, fazendo uma guerra.

No contexto do término da segunda guerra mundial, e da guerra fria, com a subida do poder de Mao Tsetung e do partido comunista chinês, os Estados Unidos evacuaram as forças de Chiang Kai-Shek, líder do partido opositor Kuomintang, para a ilha de Taiwan, onde o mesmo montou uma ditadura brutal com o apoio da CIA. 

Curiosamente a CIA apoiou os dois lados nesse conflito. Existe vasta documentação que prova isso, mas não entraremos nesse assunto agora. 

Chiang Kai-Shek era conhecido como carrasco do povo chinês, e tinha governado a China por 21 anos sob a ditadura do seu partido.

O Kuomitang durante toda a guerra civil chinesa foi financiado com dinheiro do narcotráfico do ópio, que operava no conhecido triângulo do ópio, onde a CIA financiava o partido, operando o narcotráfico naquela região do sudeste asiático. 

Depois que acabou a guerra civil, ele governou Taiwan sob lei marcial até 1975, ano de sua morte, contudo, a ditadura só se retirou em 1990. Foram 38 anos de lei marcial, com perseguição a qualquer tipo de oposição ao regime. Qualquer oposição era taxada de comunista, e era preso e executado, esse período ficou conhecido por “terror branco”. Segundo dados oficiais foram 150 mil presos e 5 mil executados.

Todas aquelas ditaduras no sudeste Asiático, que por coincidência também surgiram no mesmo período das ditaduras aqui na américa latina, foram Estado de horror. Indonesia por exemplo, a ditadura do general Suharto, matou meio milhão de pessoas. 

Então, os EUA querem negar para os outros, o que eles fazem pelo mundo, que é ter uma zona de segurança nacional. Eles têm a chamada doutrina Monroe, que nos afeta até hoje.

Lembrando que até hoje os Estados Unidos mantêm o bloqueio contra Cuba justamente alegando que é uma ameaça a sua zona de segurança nacional. Não tem nada a ver com democracia porque o próprio EUA apoia a monarquia da Arábia Saudita. 

A LOUCURA DO PARTIDO DEMOCRATA DE CONFLITAR COM A CHINA

Recapitulando… depois no século XIX surgiu a doutrina monroe, porque os EUA não queriam que as potências europeias projetassem poder no “quintal” deles; 

Então depois que os Estados Unidos deram essa série de golpes de Estado pelo mundo todo, ali entre os anos 50 e 70, veio o consenso de Washington que inaugurou o neoliberalismo, e por uma decisão internacionalista decidiram instalar as empresas de tecnologia em Taiwan. 

Taiwan é uma ilha neoliberal, que até ontem era uma ditadura, e essas indústrias de tecnologia poderiam estar em qualquer lugar do mundo. 

Tanto que no último dia 9 de agosto, o Biden assinou a lei de chips e semicondutores, que estava tramitando no congresso desde a época do presidente Trump. Eles destinaram 57 bilhões de dólares para construir 11 fábricas no Texas. 

Dentro desse contexto, e entendendo todas essas coisas, teve a visita da presidente do congresso norte-americano, do partido democrata, Nancy Pelosi à Taiwan, uma clara provocação à China. 

Essa visita teve mais crítica e oposição dentro dos Estados Unidos do que fora, muita gente dentro do poder lá, nesses circuitos de mídia criticaram a visita por duas razões, primeiro porque é uma provocação sem sentido que fortalece ainda mais as relações entre China e Rússia, outra é que debilita a já em crise cadeia de comércio global. 

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