Aumenta tensão no Cáucaso com risco real de uma guerra generalizada

Nessa terça-feira, dia 13 de setembro, Armênia e Azerbaijão trocaram acusações de romper o cessar fogo. Segundo o Primeiro Ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, Forças do Azerbaijão bombardearam o seu território, mataram pelo menos 49 soldados armênios e danificaram infraestrutura civil e militar, em um ataque de grande escala. 

Já o Azerbaijão, acusou que suas forças responderam a “provocações em larga escala” dos militares armênios, alegando que as tropas armênias plantaram minas e dispararam repetidamente contra posições militares do Azerbaijão, resultando em baixas não especificadas e danos à infraestrutura militar.

As hostilidades eclodiram minutos depois da meia-noite, com as forças do Azerbaijão desencadeando um bombardeio de artilharia e ataques de drones em muitas partes do território armênio, de acordo com o Ministério da Defesa da Armênia.

O Ministério da Defesa afirmou que os combates continuaram durante o dia, apesar da tentativa da Rússia de mediar um cessar-fogo rápido. Ele observou que o bombardeio ficou menos intenso, mas disse que as tropas do Azerbaijão ainda estão tentando avançar para o território armênio.

O Azerbaijão e a Armênia, que faziam parte da União Soviética, estão presos em um conflito de décadas sobre Nagorno-Karabakh, que faz parte do Azerbaijão, mas têm maioria populacional de etnia armênia apoiadas pela Armênia desde que uma guerra separatista eclodiu em 1994.

O Azerbaijão recuperou grandes áreas de Nagorno-Karabakh em uma guerra em 2020 e terminou com um acordo de paz mediado pela Rússia. Moscou, que enviou cerca de 2 mil soldados para a região afim de servir como garantidor da paz sob o acordo e procurou manter laços amistosos com as duas nações. 

A Turquia, aliada do Azerbaijão, instigando o conflito culpou a Armênia pela violência. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, pediu que o governo armênio suspendesse suas “provocações”, e o ministro da Defesa, Hulusi Akar, condenou “a atitude agressiva e as ações provocativas da Armênia”. 

Ancara busca se beneficiar estrategicamente da crise energética na Europa e firmou um acordo com o Azerbaijão para construção de um gasoduto pelo Mar Cáspio até o Cazaquistão. Em junho, a União Europeia firmou uma série de tratados comerciais estratégicos com o Azerbaijão para comprar gás e petróleo. 

Enquanto os combates se intensificavam, o presidente da Armênia ligou rapidamente para o presidente russo Vladimir Putin, e depois também teve telefonemas com o presidente francês Emmanuel Macron, o presidente iraniano Ebrahim Raisi e o secretário de Estado dos EUA Antony Blinken para discutir as hostilidades.

O governo armênio disse que pediria oficialmente ajuda à Rússia sob um tratado de amizade entre os países e também apelaria às Nações Unidas e à Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma aliança de segurança encabeçada pela Rússia e países da ex-soviéticas que inclui a Armênia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, absteve-se de comentar o pedido de ajuda militar da Armênia, mas acrescentou durante uma teleconferência com repórteres que Putin estava “fazendo todos os esforços para ajudar a diminuir as tensões e chegar um acordo de cessar-fogo”.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia solicitou para que ambas as partes “se abstenham de mais escalada e mostrarem contenção”. Moscou se envolveu em um delicado ato de equilíbrio, mantendo fortes laços econômicos e de segurança com a Armênia, que abriga uma base militar russa, ao mesmo tempo em que desenvolve uma estreita cooperação com o Azerbaijão, rico em petróleo.

Por sua parte, o Irã, país vizinho da Armênia e do Azerbaijão, convidou ambas as partes à moderação e ao diálogo, alertando que essa violência alarmante ameaça a estabilidade regional. Além disso, eles enfatizaram repetidamente sua rejeição a qualquer mudança nas fronteiras de ambos os países.

Desestabilizando ainda mais a região, nessa terça, na Geórgia, país aliado dos EUA e da OTAN, um partido apoiado pelos EUA, quer que o Parlamento do país se debata a realização de um referendo para declarar apoio à Ucrânia e abrir uma segunda frente, segundo Irakli Kobakhidze líder desse partido, ao comentar as declarações feitas por algumas autoridades ucranianas nos últimos meses, que pediram que Geórgia se juntasse à sua luta contra a Rússia.

“Podemos realizar um referendo, um plebiscito sobre se as pessoas querem abrir uma segunda frente [contra a Rússia] na Geórgia ou não”, disse Kobakhidze, segundo o canal de notícias georgiano 1.

De imediato Ucrânia respondeu para instigar a Geórgia para recuperar os territórios separatistas de Abkhazia e da Ossétia do Sul, que vão realizar referendo para entrar na Federação Russa.  As duas regiões declararam sua independência da Geórgia em 2008 após um breve conflito militar entre Moscou e Tbilisi. O conflito foi motivado pelas forças de Tbilisi bombardeando a região, onde as forças de paz russas estavam estacionadas.

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