O que significa quando Lula confronta bolsonarismo chamando-os de membros da Ku Klux Klan?

Durante Comício realizado no dia 8 de setembro, na cidade de Nova Iguaçu na baixada fluminense, Lula comparou as manifestações realizadas pelo candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, como uma reunião da Ku Klux Klan (organização fundada pela maçonaria e supremacistas brancos nos Estados Unidos em meados do século XIX). 

Em resposta, apoiadores da candidatura de Bolsonaro reclamaram no TSE, para solicitar que os vídeos do discurso do Lula fossem censurados. Em paralelo, as redes de mídia bolsonaristas tentaram inverter os papéis e chamaram “Lula promotor da intolerância política”. Dessa forma, podemos tirar duas conclusões iniciais:

A) Os bolsonaristas são mais fracos e covardes do que pode perceber. Porque bastou uma sutil declaração do” Lulinha paz e amor” que eles ficaram desnorteados e sem saber como se defender. Demostraram que tem medo do Lula, e além disso, pedem para que a justiça, a mesma justiça que eles dizem ser contra, intervir e censurar o PT, já que eles não têm força para tal. 

B) Bolsonaro e sua clã, na realidade, não defendem a liberdade de expressão. A liberdade de expressão na mão deles é apenas usada como uma arma conforme sua conveniência. O que eles fazem é sequestrar a luta pela liberdade de expressão e desmoraliza-la. Se é verdade que Bolsonaro tem direito de falar o que ele quiser, Lula também tem. Qual é o problema de receber uma crítica? 

A retórica dos bolsonaristas é: “o Lula chama povo de Ku Klux Klan”. Contudo, vamos recapitular algumas questões para contrapor esse argumento. Bolsonaro nunca teve apoio de massa. Em 2018, o Brasil vinha de uma operação de Covert Action, onde tínhamos o MBL, os patos amarelos da FIESP, dancinhas na Paulista e 24 horas de Lava-Jato na Globo, que construíram a narrativa histérica que problema do Brasil era o PT, e por isso precisavam derrubar a presidente Dilma. 

Assim, Bolsonaro, nada mais é que fruto do golpe de Estado de 2016, de uma operação para legitimar o golpe através das eleições. Nas eleições de 2018, o principal candidato (Lula) não pôde concorrer porque estava preso, pelo futuro Ministro da Justiça do Bolsonaro e que teria seu processo anulado por parcialidade pela Suprema Corte. É verdade que o PT aceitou o golpe para participar das eleições, e agora aceitaram outra vez, mas isso não legitima o golpe, apesar da justiça cinicamente dizer que “nunca houve fraude nas eleições”. 

Durante sua campanha, Bolsonaro foi apresentado como um candidato outsider, mesmo sendo apoiado pela mídia, judiciário, centrão, militares e igrejas. Assim, explorou a revolta de uma parcela da sociedade com a crise econômica e política, e a desmoralização das Instituições. 

A direita vem a décadas falando que a origem da crise política é fruto da corrupção, ao passo que a ideologia neoliberal apresenta como justificativa das mazelas do país a culpabilização dos pobres, o custo do trabalho e o Estado.  

Desde 1964, o Brasil passa por constantes crises. Somos um país afundado numa mais grave crise política, econômica e social da história recente. Temos a 4ª maior taxa de desemprego, 3ª maior taxa de juros e a 2ª maior taxa de concentração de renda do Mundo. Apesar da candidatura do Lula só falar de “prato de comida”, é fato que a fome voltou aos lares da população mais pobre. Subempregados e com baixa remuneração, inflação absurda nos alimentos, empresas fechando e até mesmo aqueles, que ainda tem alguma renda, tem muita dificuldade para pagar as contas no fim do mês.

E o que a propaganda do governo e seus apoiadores dizem? Cinicamente que “não tem fome no Brasil e que a economia vai bem”. Nas entrelinhas eles estão dizendo que o povo tem que sofrer com o desemprego, precarização do trabalho, endividamento e fome mesmo. É fato que o núcleo bolsonarista mais ferrenho não é composto por pessoas inteligentes, mas de qualquer forma, vamos fazer uma verificação antropológica de uma parcela da população.

Foi através da herança familiar da época das capitanias hereditárias, que permanece até hoje, que se formou as oligarquias. Com o passar do tempo, as oligarquias latifundiárias também se enriqueceram com a especulação financeira.

Em paralelo, o golpe de Estado para se sustentar, criou uma camada de apoio na sociedade, que são recrutados com ampliação e garantias de privilégios diante dos demais. Por exemplo, durante a Ditadura Militar de 1964, surgiu uma classe média especialmente ligada ao funcionalismo público (seja nas estruturas governamentais, e também ligada ao campo do Judiciário, Militar e Policial), complexos de mídia formados e especulação bancária que defendia ferozmente o regime. Hoje, podemos ter uma estimativa que está entre 8% a 11% do eleitorado nacional, se levarmos em conta a votação de todos os candidatos de extrema-direita e neoliberais desde 1988. Isso não tem nada a ver com opção política, é o perfil de uma parcela da sociedade brasileira. Até porque, nos 14 anos de PT no governo, os petistas não atacaram isso e criaram novas camadas da população dependentes do Estado. 

O que todas essas pessoas tem em comum é que elas defendem o neoliberalismo para os outros, mas elas mesmo parasitam o Estado. Por sua indisciplina financeira e ignorância sobre economia real, elas nunca resistiriam no mercado privado e não vão empreender. São pessoas que estão contentes e confortáveis com o neoliberalismo. Elas não querem nenhuma mudança, por isso são indiferentes para as questões nacionais e sociais que temos no país. 

Então, economicamente essas classes sociais não são atingidas pela crise e o neoliberalismo. O Judiciário, policiais e militares tem aumento de salário todo o ano. Os bancos estão lucrando como nunca, por isso essa parcela da população precisa ser confrontada, tirar os privilégios deles, para ter mudanças no país. Medidas práticas podem ser tomadas, tais como, reverter as privatizações, taxar grandes fortunas, aumentar o imposto sobre a renda da terra, reforma administrativa para atacar o privilégio de juízes e oficiais, reduzir os juros e entre tantas outras. 

Desde a eleição de Aécio, quando os neoliberais tentaram voltar ao governo pelo voto, que se noticiam assassinato de petistas. No Paraná, tivemos o caso do militante que foi morto, por um bolsonarista, na frente da sua família enquanto comemorava seu aniversário. Recentemente, em Mato Grosso, após uma discussão, mais um eleitor de Bolsonaro esfaqueou até a morte um petista e tentou decapitá-lo com um machado.

No Interior de São Paulo, um fazendeiro do agronegócio humilhou uma senhora pobre ao distribuir cesta básica. Ele perguntou para senhora: “Você é de Bolsonaro ou Lula?”. “De Lula”, diz a senhora. E ele responde: “Lula? Então, tudo bem, ela é do Lula, a partir de hoje ela não vai almoçar mais. É o último almoço que você vê aqui. Você pergunta ao Lula agora, tá?”. A cena foi filmada e divulgada pelo próprio patrão assediador.

Esses crimes são resultado da falência da política, da conciliação e aceitação do golpe. Essa política contra o “discurso do ódio” é visto pela base radical bolsonarista, não como uma virtude (que de fato não é), mas sim encarada como uma fraqueza e oportunidade para atacar. Dessa forma, expõem a militância de base à perseguição política e crimes violentos como temos acompanhado, ataques às sedes do PT, assassinato de militantes e agressões físicas. Ao mesmo tempo, que a política da esquerda não é se organizar e fazer a luta política, mas sim chamar o judiciário e a polícia, que não resolvem nada. 

Deve se entender que a política é o exercício da violência por outros meios. Não há maneira de convencer uma oligarquia traidora e privilegiada, que promove golpes de Estado a cada 20 anos, sem tirar suas mordomias e seu poder (um poder falso).  

É uma distopia achar que todo eleitor do Bolsonaro é “bolsonarista” e se fechar para o debate político. Muitas pessoas no Brasil quando confrontadas, preferem se fechar dentro de uma bolha e se retira das discussões. Isso vem tornando inviável a organização de qualquer luta coletiva. Infelizmente, isso não é algo restrito à militância petista, somos um país onde as pessoas não se enfrentam em debates abertas. E para piorar, tem ainda tem a direita moralista e esquerda identitária importunando ou censurando à todos para não se debater determinados assuntos.

Não precisamos debater com os bolsonaristas radicais e nem com oligarcas, é só deixar os idiotas nas discussões idiotas deles, porque isso não muda nada. Mas a partir do momento que Bolsonaro dita o ritmo da campanha com seus debates idiotas, demostra que Lula já caminha para derrota. Nem é preciso atacá-los de forma violenta.

O Brasil precisa acabar com o fratricídio, porém quem instituiu o fratricídio no Brasil foram os Estados Unidos, a partir do seu golpe de Estado em 1964. A cabeça não é o Bolsonaro, é o Alto Comando das Forças Armadas, braço dos Estados Unidos aqui dentro. A base do fascismo no Brasil está nos militares, no judiciário, que fez uma aliança com os bispos das Igrejas evangélicas neopentecostais para manter o golpe de 2016. As ditas instituições, que o PT diz ser o maior defensor, é que emanam fascismo, porque fascismo e neoliberalismo são faces da mesma moeda. Enquanto o poder militar não for atacado, nada mudará no Brasil. E infelizmente, PT e Lula são negligentes com esse problema, e a prova é que tomaram golpe e não resistiram.

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