Cúpula de Xangai aprofunda relação para defender soberania de países

Nessa quinta-feira, dia 15 de setembro, deu-se inicio à 22ª cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO sigla em inglês), na cidade uzbeque de Samarcanda. Atualmente, a organização tem oito membros plenos: Rússia, Índia, China, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Paquistão e Uzbequistão. A Bielorrússia e o Irã estão agora em processo de adesão à SCO e têm status de observadores, juntamente com o Afeganistão e a Mongólia. A SCO abrange 40% da população mundial e mais de 30% do PIB global. 

No contexto da Operação Z russa na Ucrânia, as relações entre Rússia, Europa e Estados Unidos estão no seu pior momento, desde à Crise dos Mísseis em 1962. À medida que a NATO, violando todos os acordos firmados anteriormente, continua a se expandir e seus membros impõem sanções econômicas cada vez mais duras à Rússia. Putin afirma que qualquer tentativa de isolar o país falhará. O que é fato, pois, a Rússia hoje está integrada ao mercado mundial e é mais poderosa do que a URSS já foi. 

Nesse sentido, a Rússia tem priorizado fortalecer suas relações com as principais organizações das quais a Rússia faz parte, como BRICS e SCO, que também estão se expandindo  e aderindo novos países. Irã e Argentina solicitaram oficialmente a adesão ao BRICS no final de junho, e Arábia Saudita, Argélia, Turquia e Egito demonstraram interesse em ingressar no bloco.

Durante a cúpula no Uzbequistão, o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, afirmaram que a ordem unipolar, onde os EUA mandam em tudo, fracassou e são absolutamente inaceitáveis ​​para a grande maioria dos Estados. Putin entende da disputa geopolítica internacional, apesar de advogar pela multipolaridade, sua reação ao imperialismo norte-americano, fomenta que outras nações reajam aos constantes ataques contra a soberania dos países. 

Da mesma forma, o presidente russo destacou que a SCO inclui países com diferentes tradições culturais e modelos de desenvolvimento nacional, no entanto, o fato de trabalhar com os princípios da igualdade de direitos e benefício mútuo, respeito à soberania de cada um e não ingerência na soberania dos Estados permitiram que esta organização se tornasse um mecanismo eficaz.

Em seguida, o presidente russo destacou “a posição equilibrada” da China diante da guerra na ucrania. Putin também afirmou o apoio à política de “Uma China”, se colocando contra as provocações miliares desencadeadas pelos Estados Unidos e seus aliados da NATO na questão da província chinesa de Taiwan, desde a visita da Presidente do Congresso Norte-Americano, Nanci Pelosi. 

Putin também elogiou os laços que os dois países estabeleceram, em particular sua relação a balança comercial. Destacando a troca de US$ 140 bilhões em comércio com Pequim no ano passado, ele observou que o volume aumentou 25% no primeiro semestre de 2022 e disse esperar que o valor chegue a US$ 200 bilhões até o final do ano.

Por sua vez, o presidente chinê, Xi Jinping, disse que a China está disposta a fazer esforços com a Rússia para assumir o papel de grandes potências, “estamos prontos para nos unirmos aos nossos colegas russos para dar o exemplo de uma potência mundial responsável e desempenhar umpapel de liderança em colocar um mundo em rápida mudança no caminho do desenvolvimento sustentável e positivo”.

O aprofundamento da cooperação entre China e Rússia é considerada um dos desenvolvimentos mais significativos da geopolítica atual. Ao passo que muitos dentro dos Estados Unidos criticam que política do Governo Biden de enfrentar a Russia é uma loucura porque enfraquece os EUA e os aliados Europeus, e forçam os Russos a buscar parceria com inimigos históricos dos EUA e com a China.  

Por exemplo, os líderes do Irã e da Rússia, Seyed Ebrahim Raisi e Vladimir Putin, respectivamente, reuniram-se antes do encontro entre Rússia e China. Após agradecer o apoio da Rússia à adesão do Irã ao bloco SCO e aos BRICS, Raisi especificou que as relações Teerã-Moscou são estratégicas e o país persa defende o fortalecimento ainda mais em todos os campos político, econômico, comercial, aéreo e espacial.

Em relação às sanções injustas dos Estados Unidos, o presidente sustentou que Washington erroneamente acredita que ao recorrer a esse mecanismo pode impedir o desenvolvimento dos países, por isso há muitos anos aplica restrições contra a República Islâmica, mas o grande povo persa tem transformaram sanções e ameaças em uma oportunidade para crescer e avançar.

Nesse contexto, ele deixou claro que Teerã não aceita as sanções impostas contra a Rússia: “A República Islâmica do Irã não aceita de forma alguma as sanções contra a Rússia e não as reconhece, e desenvolverá e fortalecerá seu comércio e relações econômicas com este país”, enfatizou Raisi.

Em outra parte de suas declarações, o chefe do governo iraniano destacou a boa fé de Teerã em chegar a um acordo nas negociações nucleares em curso em Viena, capital austríaca, e ao mesmo tempo lamentou a saída dos EUA do acordo e o descumprimento dos signatários europeus das obrigações assumidas em virtude do referido pacto. Além das ameaças constantes dos membros da NATO contra o Irã. 

O chefe de Estado russo destacou o crescimento do comércio entre as duas partes. “Enquanto isso, o comércio aumentou 81% no ano passado, crescendo 30% mais nos primeiros cinco meses deste ano”, lembrou Putin, confirmando depois que uma delegação russa de 80 grandes empresas visitará o Irã na próxima semana.

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